Agronegócio
Recuperação de pastagens em MS avança com políticas públicas estruturantes, crédito e tecnologias
Em 2023, Mato Grosso do Sul possuía cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação, conforme dados do PNCPD.
Sáb, 07 Fevereiro de 2026 | Fonte: Rosana Siqueira/Comunicação Semadesc

Mato Grosso do Sul tem avançado de forma consistente na recuperação de pastagens degradadas e na consolidação de uma agropecuária mais produtiva, sustentável e alinhada às exigências dos mercados nacional e internacional. Em 2023, Mato Grosso do Sul possuía cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação, conforme dados do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD).
Esse cenário está associado, principalmente, à histórica expansão da pecuária extensiva, caracterizada por baixa taxa de lotação animal, manejo inadequado e ausência de reposição de nutrientes ao solo, fatores agravados pela predominância de solos arenosos e por longos períodos de seca.
Entretanto, relatório recente elaborado pela Coordenadoria de Agricultura da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com base em dados do MapBiomas, aponta que, nos últimos anos, as áreas de pastagens com baixo vigor apresentaram redução significativa, passando de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024, uma queda de aproximadamente 52% no Estado.
A redução é atribuída à adoção de novas tecnologias, ao fortalecimento das práticas de conservação do solo e à implementação de sistemas produtivos mais sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que atualmente supera 3,6 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul.
Parte dessas áreas ainda está localizada no Pantanal, em regiões de campo nativo inseridas em zonas de uso restrito, consideradas áreas de resguardo ambiental e não passíveis de alteração, conforme a legislação ambiental vigente. Além disso, as análises baseadas em imagens de satélite sofrem influência da sazonalidade, especialmente em períodos de estiagem, o que pode impactar os índices de vegetação e a interpretação dos resultados relacionados ao vigor das pastagens.
Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o desafio vem sendo enfrentado com políticas públicas estruturantes e integração entre governo, produtores e setor produtivo.
“Mato Grosso do Sul tem clareza do tamanho do desafio, mas também das oportunidades. A recuperação de pastagens degradadas é estratégica para aumentar a produtividade, reduzir a pressão por abertura de novas áreas e fortalecer uma agropecuária de baixa emissão de carbono. Estamos atuando com planejamento, base técnica e instrumentos financeiros para apoiar o produtor rural nessa transição”, destacou Verruck.
Um destes instrumentos é o Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO) que no ano passado destinou mais de R$ 500 milhões somente em projetos de correção do solo e recuperação de pastagens dentro da modalidade FCO Rural. Na reforma de pastagens foram mais de R$ 180 milhões em 93 cartas consulta, e quase R$ 400 milhões em 170 projetos de correção do solo.
“A melhoria nestes índices está relacionada a adoção de novas tecnologias e investimentos na recuperação das pastagens e correção do solo. Temos políticas públicas e obviamente estamos usando o Fundo Constitucional do Centro-Oeste que tem sido o grande financiador de recuperação de áreas degradadas”, complementou.
Programas estruturantes impulsionam recuperação e produtividade
O Governo do Estado atua de forma integrada por meio de programas como o Plano Estadual de Manejo e Conservação de Solo e Água (Prosolo), que promove práticas conservacionistas, a recuperação da fertilidade do solo, a restauração de áreas afetadas por processos erosivos e a adequação de estradas vicinais, em parceria com prefeituras e produtores rurais.
O Precoce MS incentiva a produção de carne bovina de alta qualidade, oferecendo bonificações aos produtores que adotam, entre outros itens, práticas de manejo sustentável das pastagens, a diversificação de espécies forrageiras, a reposição adequada de nutrientes e a análise da fertilidade do solo.
Outro eixo estratégico é o Programa Estadual de Irrigação – MS Irriga, que incentiva o uso racional da água e a adoção de tecnologias de irrigação sustentáveis, possibilitando a recuperação e a intensificação de áreas agropecuárias, inclusive de pastagens.
O Plano Estadual ABC+ também tem papel central nesse processo, ao estimular a adoção de tecnologias sustentáveis, como sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), plantio direto, uso de bioinsumos, manejo de resíduos e a intensificação sustentável da pecuária, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
“Hoje, Mato Grosso do Sul é referência nacional em sistemas de ILPF, com mais de 3,6 milhões de hectares implantados. Isso mostra que é possível produzir mais, com eficiência, sustentabilidade e segurança ambiental, atendendo às demandas do mercado e da sociedade”, finalizou Jaime Verruck.
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