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Rosildo Barcellos

PRA QUEM ME CHAMOU DE LOUCO!

Dom, 05 Março de 2023 | Fonte: Rosildo Barcellos


Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda está na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou 
 

PRA QUEM ME CHAMOU DE LOUCO!
Ilustrativa

O cantor e compositor Raul Seixas (1945-1989) autor destes versos, morreu em casa ouvindo música. Entretanto, muitas pessoas frisaram um ponto: se Raul Seixas seria um caso de lucidez e inteligência aguçada, capaz de se expressar com um simbolismo mágico que remetia diretamente a temas e problemas de seu tempo histórico. Não podemos esquecer que a música tem um importante papel de estimulador de sensações e de resgate da memória.   

Imperioso ressaltar que a vida é feita de uma sucessão de fatos e de aprendizados. Muita gente não sabe, mas Raul Seixas e Mauro Motta fizeram sucessos e apoiaram   artistas que estavam começando, o que era uma forma de ter um respaldo financeiro. Foi o caso de ”Doce, doce amor” para o Jerry Adriani, e “Ainda queima a esperança” para Diana Assim juntando o seu conhecimento de Brasil, pois viajou muito com o pai, engenheiro da NOB e quando adolescente vizinho da embaixada americana de onde ouvia discos em primeira mão e lia muitos livros, além de ter sido produtor musical da CBS, foi desta forma amadurecendo internamente sendo levado a ver além das informações captadas pelos cinco sentidos, das experiências e realidades do mundo. Quem procura descobrir o que está por detrás do véu da ignorância e responder às questões básicas - como “quem sou eu, quem criou esse mundo, qual o meu papel na sociedade e como me relaciono com os outros?” - tem, como Raul teve ,na  Bhagavad Gita, respostas  repletas de conhecimento, capazes de anular a sensação de insuficiência ou de separação e isolamento completo que, por vezes, invadem os nossos corações.   

Para se ter um exemplo, quando  jovem,  Gandhi, que perdeu a sua mãe verdadeira enquanto criança, buscava consolo e sabedoria nas palavras dessa grande obra, tendo-a traduzido e comentado (do original em Sânscrito para, a sua língua natal, o Gujarati) numa série de palestras em 1926, que seriam publicadas, apenas quase 30 anos depois. Ou seja, um dos livros mais lidos do mundo, claro, perdendo para a Bíblia que além de ser o mais vendido do mundo, e o mais lido, assim como, também é o mais relido.    

Entrementes, para se entender melhor no capítulo XIII, Krishna, que durante o desenrolar do texto assume o papel de mestre, fala a Arjuna, seu discípulo, quais os valores fundamentais, para a compreensão de si mesmo como não separado do todo, como consciência além do corpo e da mente, ilimitado e pleno.  Assim, se nós verificarmos os títulos das músicas da fase Raulzito as aflições do cotidiano em forma de versos e da fase Raul, poderemos encontrar Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Eu Também Vou Reclamar, E segundo declarações do próprio Raul, ele utilizava essa forma para que as pessoas que cantassem suas músicas, a fizessem na primeira pessoa. E na música tente outra vez, as frases imperativas, que se bem entendidas, ajudariam a terminar com muitos tratamentos para depressão.    

Numa cultura como a nossa que visivelmente tem priorizado reprimir a individualidade, em favor da massa, é muito mais importante que a pessoa aprenda a dizer Eu sou Eu, Eu Faço, Eu sou Capaz. Principalmente cantando, que é uma forma de se tornar feliz, de buscar a autoafirmação. Esta foi a intenção de Raul Seixas, que antes de tudo era alguém que entendia da essência da música e do sentimento humano, sabia da importância de Deus na vida as pessoas e tinha a convicção que o AMOR poderia quebrar as barreiras de credo, raça. religião, preconceitos, recursos financeiros e ser o caminho da felicidade e da paz. 
*Articulista
 

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