Cultura
Em fórum sobre o Pantanal, Guadakan emociona e impacta o público
Espetáculo foi concebido a partir de mito pantaneiro e mostra as dores da maior planície alagável do planeta.
Sex, 18 Agosto de 2023 | Fonte: Karine Dias/Assessoria

Concebido a partir de um mito Guató, Guadakan fez a abertura do fórum, considerado o maior evento nacional sobre a conservação e o uso sustentável do Pantanal, que segue até hoje, dia 18, no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo.

Na plateia, a bióloga Simone Mamede se emocionou com o espetáculo, definido por ela como “comovente”. “Sentir o Pantanal, a sua essência e biodiversidade, o respirar do Pantanal foi comovente. Cada movimento pensado pelos bailarinos foi bastante inspirador e emocionante. O momento mais especial foi a sucuri se alimentando e o tamanduá se aproximando”, destacou.
Para a médica veterinária Cláudia Cotin, é sempre importante ter a arte como forma de reflexão dos nossos próprios atos enquanto cidadãos. “Achei impactante o espetáculo. Apesar de não ser uma expert no assunto, a forma de dançar, e por mostrar uma certa força na dança, na representação, gostei muito de Guadakan. É importante para refletirmos sobre nossos atos”, lembrou.
Médica veterinária e bióloga, Mariana Coelho destacou a entrega dos bailarinos. “Achei impactante e corajoso a forma como foi falado, expressado, através do corpo dos bailarinos. Visualmente, é muito bonito o espetáculo, a música, a entrega dos artistas. A gente pensa o quanto eles ensaiaram para estar no palco por tanto tempo, de forma tão sincronizada, tão bonita”, pontuou a espectadora.
Diante de uma mensagem tão forte e urgente quanto a expressada por Guadakan, foi difícil sair da apresentação da mesma forma que chegou. O fotógrafo Diogo Gonçalves estava fotografando o espetáculo e conta que, em diversos momentos, se viu impactado pela mensagem de Guadakan.
“Todo o espetáculo é incrível. Às vezes, até abaixava a câmera e parava, porque vinham vários sentimentos. A parte mais emocionante foi a dos peixes morrendo. Foi algo que me deixou muito reflexivo. Até parei de fotografar e fiquei sentindo tudo aquilo”, destacou, no fim do espetáculo.
O espetáculo
Guadakan é o último espetáculo produzido pelo Instituto Moinho Cultural Sul-Americano e foi apresentado pela primeira vez em dezembro de 2022, em Corumbá. Desde então, o passa por adaptações e já saiu em turnê em Mato Grosso do Sul e também foi apresentado no Rio de Janeiro.

Concebido a partir de um mito Guató, Guadakan leva todos a uma reflexão sobre a importância da conservação do Pantanal, a maior planície alagável o mundo, e faz uma alerta sobre a urgência de ações em prol do bioma.
“Quando se quebram regras, punições serão proferidas. No presente, mais de 17 milhões de animais vertebrados foram mortos”, diz um trecho do espetáculo, que menciona os efeitos das queimadas históricas no bioma, no ano de 2021.
Para a diretora-executiva do Moinho Cultural e diretora artística do espetáculo, Márcia Rolon, foi uma honra participar da abertura do Pontes Pantaneiras, pois mostra que a mensagem levada pela Cia de Dança do Pantanal está alcançando seu objetivo.
“Guadakan foi criado com a intenção de despertar as pessoas. Enquanto não tomarmos medidas certeiras de preservação e conservação do que temos hoje, o Pantanal vai morrer. Quando fizemos o espetáculo, foi pensando nisso. É um discurso poético. E estarmos aqui hoje mostra que o discurso está acontecendo”, afirmou.
O espetáculo conta com a concepção cênica e direção artística de Márcia Rolon, arranjos e adaptação musical de Eduardo Martinelli, interpretação e adaptação do mito por Arce Correia, coreografia de Chico Neller e bailarinos intérpretes criadores, iluminação de Espedito Dimontebranco e figurinos de Luiz Gugliatto.
O Instituto Moinho Cultural Sul-Americano
O Moinho Cultural é uma OSC que oferece há 18 anos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de Corumbá, Ladário, Puerto Suarez e Puerto Quijarro, aulas de dança, música, tecnologia e informática. A formação integral oferecida pela instituição tem duração de até oito anos. O Moinho também atua na formação de intérpretes criadores para jovens e adultos, com a Companhia de Dança do Pantanal, Orquestra de Câmara do Pantanal e Núcleo de Tecnologia. A missão da instituição é diminuir a vulnerabilidade social na região de fronteira Brasil-Bolívia, por meio do acesso a bens culturais e tecnológicos. Desde o início das atividades, mais de 23 mil crianças e adolescentes já foram atendidos pelo Moinho.
Atualmente, o Moinho Cultural conta com o patrocínio máster via Lei de Incentivo Cultural do Instituto Cultural Vale, bem como, patrocínio da Bellalluna Participações LTDA, Energisa, BRINKS, BTG Pactual, CaraÍ Empreendimentos LTDA, HINOVE, Rodobens, o Apoio Cultural do Instituto FAR, o fomento do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, além da parceria com a J.Macêdo e Fecomércio MS-SESC.
São parceiros institucionais a Prefeitura de Corumbá, Prefeitura de Ladário, Prefeitura de Puerto Suárez, Prefeitura de Puerto Quijarro, Instituto Homem Pantaneiro, IFMS, UFMS, Acaia Pantanal e outros doadores pessoa física e jurídica.
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