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CASO FELCA: OS RISCOS PSICOLÓGICOS DA ADULTIZAÇÃO DA INFÂNCIA
Dom, 17 Agosto de 2025 | Fonte: Lilian Lopes/Assessoria
Nos últimos dias, vários vídeos polêmicos de denúncia de erotização infantil feitas por um famoso influencer, vieram à tona e inflamaram as discussões sobre os riscos e possíveis perigos psicológicos que algumas atitudes podem provar na mente de uma criança ou um jovem em desenvolvimento.
Para a neuropsicóloga Andrea Ladislau algumas brincadeiras ditas como inocentes, nem sempre são tão inocentes assim. Fato esse comprovado, segundo Andrea, quando pensamos em nossas crianças e em insinuações do tipo: “Que lindos!!! São namoradinhos”.
“Típicas brincadeiras que fomentam a “adultização” de nossos pequenos. Isto porque a infância é conhecida como o período da inocência e quando crianças não compreendemos o mundo a nossa volta como os adultos, pois estamos em fases distintas, cognitivamente falando. Existe uma sensibilização na promoção e aceleração destes estágios de desenvolvimento”, explica a especialista.
Para Andrea que também é psicanalista, a infância necessita de um olhar um pouco mais cuidadoso, mas às vezes, ao lidarmos com nossas próprias crianças esquecemos de que um dia vivenciamos aquele período e acabamos por projetar nelas comportamentos nossos, de adultos.
Um desses comportamentos segundo a especialista é o namoro, algo intrinsicamente adulto que é atribuído à criança como se fosse algo normal.
“Mas vamos pensar juntos, qual o maior problema disso? A grande questão é que o desenvolvimento é pautado por etapas, cada etapa possui o seu nível de importância para um desenvolvimento saudável. E quando atribuímos a uma criança o ato de namorar, estamos precocemente “adultizando” uma fase que não deveria ser “adultizada””, alerta.
O resultado é que, quando uma criança fala que namora, ela imita um comportamento que vê em casa ou na sociedade a sua volta, sem compreender o que aquele comportamento significa.
O perigo para Andrea é incentivar o namoro de crianças é o encurtamento da infância e a sexualização precoce. Esse encurtamento acontece quando se leva ao universo infantil um conteúdo (o namoro) que pertence ao universo do adolescente e do adulto.
“Ou seja, assim como os marcos do desenvolvimento infantil e outras diversas situações do universo das crianças, não existe nenhum manual ou regra que determine qual a idade certa para começar a namorar. No entanto, não devemos romantizar o crescimento precoce”, afirma.
Mundo adulto
Para a especialista, a compreensão do sentimento amoroso e do desejo sexual é algo do mundo adulto, pois, por mais que a sexualidade esteja presente desde o nascimento, a criança ainda não entende sua complexidade.
“Ela busca o outro pelo desejo de contato humano, e olhar isso através da ótica da erotização é algo provocado pelos adultos e que as empurra para um tipo de interação para qual ainda não estão preparadas e que pode lhes causar muita angústia”, explica Andrea.
Mas e se a criança um dia chegar em casa dizendo que têm um namoradinho, o que fazer?
Para a psicanalista o nosso papel como pais, responsáveis e educadores é explicar que namoro é coisa de adulto e que as crianças possuem amigos e colegas.
“ Lembre-se que a criança não tem maturidade para compreender o que significa namoro e por isso não deve ser estimulada a tanto. É importante que ela receba a orientação de que, certas coisas, só poderá fazer quando “crescer”. Respeitando suas etapas e períodos de crescimento”, diz.
Portanto, para a especialista, Felca colocou luz em um tema bastante polêmico que merece nosso cuidado e atenção.
“Apesar de termos evidências de que a erotização da infância acontece hoje com uma naturalidade assustadora, não podemos nos omitir ao dever de educar e orientar a criança, abominando atos que possam roubar a inocência. Afinal, criança feliz é aquela que vive a infância sendo criança e que completa em sua plenitude, todas as etapas de seu desenvolvimento infantil”, finaliza.
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