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Com atuação do MPMS, GT apresenta contagem e perfil de 1,4 mil pessoas em situação de rua em Campo Grande

Estudo detalha distribuição territorial, aponta predominância masculina e destaca desafios de documentação e acolhimento.

Qua, 19 Agosto de 2026 | Fonte: Assessoria MPT-MS


O Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR), do qual faz parte o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), concluiu as etapas de contagem e levantamento do perfil da população em situação de rua de Campo Grande.

Neste trabalho, a Instituição foi representada pela Coordenadora do Núcleo de Cidadania (Nuci), Promotora de Justiça Paula Volpe.
A Promotora de Justiça destacou que o mapeamento é um divisor de águas para a formulação de ações governamentais na Capital.

Além disso, a membro do MPMS, pontuou que o crescimento do contingente nas ruas reflete um desafio enfrentado por grandes centros urbanos e requer articulação interinstitucional contínua.

"Não se faz política pública sem dados. Não há como trabalhar em cima de uma realidade que não é plenamente conhecida. Se não sabemos quantas pessoas estão nas ruas, quantas são crianças, homens, mulheres, pessoas com deficiência ou com transtornos mentais, não conseguimos estruturar ações eficazes. Esse é um desafio complexo, que atinge grandes centros e exige a união de esforços entre Estado, Município e as forças de segurança. A ADPF 976 já nos dá as diretrizes de atuação, e agora, com esse diagnóstico em mãos, conseguimos entregar resultados concretos para Campo Grande. Quando o problema envolve saúde e segurança pública, a única solução viável é somar forças e trabalhar de forma integrada".

Com atuação do MPMS, GT apresenta contagem e perfil de 1,4 mil pessoas em situação de rua em Campo Grande
Fotos: Decom

A contagem identificou 1.476 pessoas em situação de rua no município. O levantamento reuniu informações sobre a distribuição territorial desse público e serviu de base para a etapa seguinte, que traçou o perfil das pessoas por meio da aplicação de questionários.

A primeira etapa utilizou a metodologia Point-in-Time Count (PIT), que combina a observação direta em espaços públicos com dados dos registros administrativos da rede de atendimento. A operação foi realizada em 30 de setembro de 2025 e buscou produzir um retrato da população em situação de rua em uma data de referência.

Das 1.476 pessoas identificadas, 842, o equivalente a 57%, foram observadas em vias públicas. Outras 634, ou 43%, constavam nos registros dos serviços e instituições da rede de atendimento.

A contagem registrou 1.190 homens, que representam 80,6% do total, 234 mulheres, ou 15,9%, e 52 crianças, o equivalente a 3,5%.

Na distribuição territorial, a Região Urbana do Centro concentrou 566 pessoas, ou 40% dos registros territorializados. O Anhanduizinho apareceu na sequência, com 363 pessoas, ou 25,6%. Também houve registros nas regiões Prosa, Lagoa, Segredo, Bandeira e Imbirussu. Outras 60 pessoas foram contabilizadas em uma comunidade terapêutica na área rural do município.

Perfil

Após a contagem, o trabalho avançou para a aplicação de questionários. O relatório analítico desta etapa considera 257 entrevistas, das quais 193 foram feitas com pessoas classificadas no grupo em rua e 64 com pessoas acolhidas.

O levantamento aponta que o perfil dos entrevistados é, em sua maioria, masculino e pardo, com idade média de 39,6 anos. Entre os 257 registros, 196 são de homens cis, o equivalente a 76,3%, e 54 de mulheres cis, ou 21%. Pessoas pardas correspondem a 60,3% da base e pessoas pretas, a 17,1%.

A documentação aparece entre os pontos identificados pelo estudo. Em 120 entrevistas, ou 46,7% da base, foi registrada a opção de nenhum documento em posse. Entre as 193 pessoas do grupo em rua, esse percentual chega a 57,5%. O levantamento também registrou inscrição no Cadastro Único em 135 entrevistas e recebimento de benefício social em 101.

A situação de rua não era uma experiência inédita para parte dos entrevistados. O relatório aponta recorrência em 166 registros, ou 64,6% da base. Além disso, 190 pessoas, 73,9%, informaram permanecer sozinhas.

Com atuação do MPMS, GT apresenta contagem e perfil de 1,4 mil pessoas em situação de rua em Campo Grande

Em relação a trabalho e renda, sete entrevistados informaram trabalho formal e 94 declararam trabalho informal. Entre as pessoas do grupo em rua, 88, ou 45,6%, relataram trabalho informal. Catagem e reciclagem apareceram em 72 dos 193 registros desse grupo.

O relatório também reúne informações sobre acesso a direitos e situações de violência. A violência física foi registrada em 127 entrevistas, ou 49,4% da base. A violência psicológica ou emocional apareceu em 121 registros, enquanto 56 pessoas relataram violência institucional e 24 informaram violência sexual.

Entre as necessidades apontadas pelos entrevistados estão trabalho e renda, com 110 registros; moradia, com 108; alimentação, com 107; saúde, com 100; documentação, com 91; e tratamento para uso de substâncias, com 77. No grupo em rua, a alimentação aparece como a necessidade mais citada. Entre as pessoas acolhidas, trabalho, renda e moradia ocupam as primeiras posições.

Trabalho conjunto

O GT-PSR é formado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD), Secretaria-Executiva de Gestão Estratégica e Municipalismo (SEGEM), Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Associação Águia Morena de Redução de Danos.

Os dados produzidos pelo grupo fornecem informações quantitativas e sobre o perfil das pessoas entrevistadas para subsidiar o planejamento e o acompanhamento de políticas públicas destinadas à população em situação de rua de Campo Grande.

Correio de Corumbá

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