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Em Brasília, lideranças Kadiwéu participam de curso de monitoramento via satélite de terras indígenas
O curso será entre os dias 27 de fevereiro e 3 de março, é o segundo módulo da capacitação, a primeira ocorreu em abril de 2022.
Sex, 24 Fevereiro de 2023 | Fonte: Assessoria de Imprensa

Esse é o segundo módulo da capacitação. A primeira ocorreu em abril de 2022. Em ambas as viagens, os Kadiwéu contam com o apoio do PCA - Programa Corredor Azul, por meio da Mupan - Mulheres em Ação no Pantanal e Wetlands International Brasil.
Entre os dias 27 de fevereiro e 3 de março, lideranças indígenas Kadiwéu participarão da segunda fase do curso sobre SIG (Sistema de Informação Geográfica), em Brasília (DF). O curso faz parte do programa “Bem Viver” do Nature and Culture International e IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) e será ministrado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), também parceiro do programa.
O SIG é uma ferramenta que permite um maior controle territorial e a proteção das terras e dos recursos naturais imprescindíveis ao bem viver de comunidades tradicionais do Brasil. Na prática, trata-se de um sistema composto por um conjunto de programas de computador e banco de dados que transforma informações geoespaciais (via satélite) em mapas que podem ser utilizados na gestão territorial, monitoramento de focos de incêndios, invasões, recuperação de nascentes, entre outros.

As funcionalidades da ferramenta motivam a participação dos brigadistas Kadiwéu, Mesaque da Rocha, presidente da Abink (Associação dos Brigadistas Indígenas da Nação Kadiwéu), e do vice cacique da Aldeia São João e chefe de brigada na mesma aldeia, Elísio Veigas.
O objetivo é que eles adquiram noções de georreferenciamento de modo que possam replicar todo o conhecimento junto à comunidade. Assim, tudo o que foi aprendido em sala poderá ser usado na gestão territorial da comunidade Kadiwéu, situada no município de Porto Murtinho, considerada a maior reserva indígena do Pantanal, com 538 mil hectares.
Para que isso ocorra com o melhor aproveitamento possível, a Mupan e a Wetlands International Brasil viabilizaram a viagem e acompanha a atividade, com o analista de georreferenciamento, Pedro Cristofori.
“Dois dias antes da viagem, nesta sexta e sábado (24 e 25), estaremos em Campo Grande reunidos com os Kadiwéu para revisar todo o conteúdo aplicado no primeiro módulo do curso e, em seguida, a gente segue para Brasília. Em termos de SIG, o curso do IPAM é muito completo, razão pelo qual os Kadiwéu estão passando por essa capacitação, pois o nosso intuito é que todo o conhecimento adquirido possa agregar valor aos trabalhos que já são realizados na comunidade em termos de gestão territorial em parceria com Programa Corredor Azul”, enfatiza Cristofori.
Lílian Pereira, coordenadora de assuntos indígenas e comunidades tradicionais da Mupan e Wetlands International Brasil, explica que o curso agrega valor ao Plano de Vida, documento de gestão territorial Kadiwéu que há quatro anos vem sendo trabalhado pelos indígenas, tendo a Mupan e a Wetands como facilitadoras.
“O Plano de Vida é a ferramenta que norteia toda a gestão do território Kadiwéu e, a partir do momento que a comunidade tem autonomia para manusear o SIG, eles conseguem saber em tempo real a situação do seu território. Com isso, a comunidade tem maior empoderamento para executar os objetivos de gestão que eles estabeleceram no Plano de Vida. Ou seja, na prática, eles conseguem avaliar o que é viável ou não de ser executado, conforme os recursos que eles têm em mãos”.
Sobre o Programa Corredor Azul
Criado pela Wetlands International para ser desenvolvido no intervalo de 10 anos, 2017-2027, o PCA - Programa Corredor Azul tem o objetivo de proteger a biodiversidade e a conectividade em um território transfronteiriço, que abrange três grandes áreas úmidas do Sistema Paraná-Paraguai, são elas: Pantanal, os Esteros de Iberá e o Delta do Paraná.
Estendendo por 3.400 km desde o Pantanal brasileiro, envolve também Bolívia e Paraguai, formando o Sistema Paraná-Paraguai (Corredor Azul), um dos últimos exemplos do mundo de um grande sistema de rios de fluxo livre e contínuo. Já o nome do programa é uma alusão ao grande volume de água que circula dentro dessas importantes áreas úmidas da América do Sul.
Sobre a Mupan
A Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, é a primeira ONG do Pantanal voltada para a incorporação de gênero na gestão das águas. Foi fundada em agosto de 2000, a partir do componente de fortalecimento de organismos de gestão de água do Projeto GEF Pantanal/Alto Paraguai. Sua missão consiste em ser uma instituição referência no empoderamento de mulheres e de comunidades tradicionais para a defesa de seus territórios, resguardando modos de vida, alinhado ao uso inteligente dos recursos naturais e à igualdade de gênero. Para tanto utiliza-se de metodologias colaborativas e parcerias com os diferentes setores para a geração e aplicação de conhecimentos. Desde 2017 desde é parceira da Wetlands International na implementação do Componente Pantanal do Programa Corredor Azul (PCA) e outros projetos.
Sobre a Wetlands International
A Wetlands International é uma organização global, não governamental, sem fins lucrativos, que tem por objetivo conservar e restaurar as áreas úmidas para a natureza e as pessoas. Ao longo dos mais de 80 anos de história, a instituição tem cumprido um papel singular na conservação desses ecossistemas vitais para o planeta e atuado em defesa das áreas úmidas e seus valores nas convenções internacionais no cumprimento da sua missão de preservar e restaurar as áreas úmidas, seus recursos e biodiversidade.
A organização é associada à Convenção de Áreas Úmidas de Importância Internacional (Convenção Ramsar). Seu escritório para a Latino América e Caribe (LAC) está sediado na Argentina. Já no Brasil, a Wetlands International tem seu escritório nacional em Campo Grande/MS.
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