Geral
Iphan e Prefeitura de Campo Grande planejam ações emergenciais no Complexo Ferroviário
Com a forte chuva no domingo 7 de abril, o local sofreu danos no teto do abrigo de locomotivas.
Dom, 14 Abril de 2024 | Fonte: Assessoria de Comunicação Iphan

Na última quarta-feira (10/4), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso do Sul (Iphan-MS) participou de uma reunião promovida pela Prefeitura de Campo Grande para discutir ações emergenciais em partes integrantes do Complexo Ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, bem cultural tombado pelo Instituto em 2009. A chuva do último domingo (7/4) provocou estragos no teto do abrigo de locomotivas, localizado ao lado da Feira Central. A Secretaria Municipal de Obras (Sisep), a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur) e a Subsecretaria de Gestão e Projetos Estratégicos (Sugepe) também estavam presentes no encontro.
Ficou acordado, por meio de um termo de compromisso, que todos os envolvidos deverão unir esforços para a preservação do patrimônio cultural histórico na área do Complexo Ferroviário. O objetivo é planejar ações emergenciais via projeto já aprovado pelo Novo Plano de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal. O projeto foi selecionado para receber o valor de R$ 800 mil em investimentos para a elaboração de estudos e projetos arquitetônicos do local.
“Esse é o passo número um para as obras. Então, a Sectur está cadastrando essa ação junto ao Governo Federal para permitir o repasse do recurso à administração municipal, que licitará os projetos de arquitetura. E esse estudo será feito numa construção em conjunto entre o Iphan, prefeitura e sociedade civil organizada para pensar na melhor ocupação e usos para aquela região tão importante da nossa cidade”, explica o superintendente do Iphan-MS, João Santos.
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, ressaltou que o município deseja construir, em conjunto com os órgãos pertinentes, os projetos para a total revitalização do espaço. “A prefeitura tem o objetivo de preservar e quer que a população tenha acesso a esses locais, que são nosso patrimônio histórico e cultural. Por isso, o Executivo está à disposição com as equipes técnicas e fará esse compromisso para que, no futuro, esse complexo possa voltar a ter vida na capital”, pontuou.

Histórico
As fortes chuvas no último final de semana, em Campo Grande, causaram transtornos em vários pontos da cidade. Um deles foi o desabamento do teto do abrigo de locomotivas, parte integrante do Complexo Ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, tombado pelo Iphan.
No domingo (7/4), a equipe do Iphan-MS apurou a denúncia e realizou uma vistoria no local. Conforme os procedimentos da Portaria Iphan nº. 187/2010 e Decreto-lei 25/1937, o Instituto produziu o laudo de fiscalização, seguido de Auto de Infração expedido em nome do responsável pelo espaço, a Prefeitura Municipal de Campo Grande, encarregada pela gestão e manutenção do local.
Complexo Ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB)
A necessidade de garantir a comunicação no extenso território brasileiro, no final do século XIX e início do século XX, foi o grande impulsor do desenvolvimento do setor de transporte no território nacional. Foi nesse cenário de expansão que começou a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB), ligando o litoral paulista, em Santos, às fronteiras do Brasil com a Bolívia, em Corumbá, atualmente no estado do Mato Grosso do Sul.
O conjunto da EFNOB em Campo Grande (MS) possui 22,3 hectares e 135 edifícios em alvenaria e madeira, erguidos em datas diferentes a partir da ampliação das atividades e ainda mantém parte dos trilhos que não foram retirados da área urbana de Campo Grande. Entre os imóveis estão as casas dos operários, dos funcionários intermediários e dos graduados, os escritórios, as oficinas, uma escola, a caixa d’água e a estação, construída a partir de 1914, com ampliações em 1924 e 1930.
O tombamento destaca a importância da EFNOB para o desenvolvimento no Centro-Oeste brasileiro no início do século XX. O complexo ainda hoje mantém sua coesão formal, o que garante a importância de sua preservação, já que descreve uma narrativa das transformações histórica, política, social, tecnológica e arquitetônico-urbanística dos anos em que foram implementadas.
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