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Tradição e oportunidades: mulheres Kadiwéu ampliam a valorização do artesanato indígena com nova etapa de capacitação
Mulheres indígenas fortalecem a cultura Kadiwéu e ampliam oportunidades de geração de renda no Pantanal.
Sex, 17 Julho de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa

O artesanato indígena Kadiwéu, reconhecido pelos grafismos que expressam a identidade e a história de um dos povos originários mais tradicionais do Brasil, ganha um novo impulso no Território Indígena Kadiwéu. Mais de 50 mulheres participaram de uma nova etapa de capacitação em cerâmica, pintura e grafismo, realizada entre os dias 8 e 11 de julho nas aldeias Alves de Barros, Campina, Barro Preto e Tomázia.
As atividades formativas fazem parte do Programa Corredor Azul, desenvolvido pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, por meio do Plano de Qualificação Produtiva, Design Estratégico e Acesso ao Mercado. A iniciativa promove a valorização do artesanato indígena, preserva os conhecimentos tradicionais e amplia as oportunidades de comercialização, contribuindo para a geração de renda, a economia indígena e a autonomia das comunidades.
A capacitação conecta tradição, identidade cultural e empreendedorismo. Para a artesã Giovana Paiva, da Aldeia Barro Preto, a atividade representa uma nova etapa em sua trajetória. Há cerca de seis anos, ela começou pintando trajes tradicionais da própria família. Com o tempo, ampliou sua produção para ecobags, camisetas e outras peças inspiradas na cultura Kadiwéu.
“Participar da oficina de pintura foi uma experiência muito importante. Foi uma oportunidade de mostrar um pouco da nossa história, da nossa identidade e das nossas raízes. Cada pintura representa nossa cultura e nosso conhecimento. Agora começa uma nova fase, porque aprendemos também sobre comercialização, participação em feiras e estratégias de venda. Foi muito produtivo.”
Segundo ela, a capacitação ampliou as possibilidades para que as peças produzidas nas aldeias alcancem novos públicos, agregando valor ao artesanato e fortalecendo a renda das famílias.

Técnicas que preservam a identidade Kadiwéu
Durante os quatro dias de atividades, as participantes receberam orientações sobre criação, acabamento, apresentação dos produtos, estratégias de venda, participação em feiras e acesso a novos mercados, fortalecendo a presença do artesanato Kadiwéu em diferentes espaços comerciais sem perder sua autenticidade.
Para a professora Ana Paula Badaro, responsável pela oficina de estamparia têxtil, o aprendizado proporcionado pela atividade vai muito além da técnica.
“Foi muito gratificante conduzir a oficina nas diferentes aldeias do território. A proposta foi de respeitar o princípio de autoria indígena, onde os grafismos permanecem como criação das artesãs, enquanto atuo como mediadora, propondo a aplicação do grafismo, em novas superfícies, melhoria de uso da matéria prima e desenvolvimento de novos produtos, ampliando os caminhos de circulação dessa estética única”.
Durante a oficina, Ana Paula utilizou registros históricos de Guido Boggiani, com pinturas corporais e objetos utilitários, para resgatar padrões gráficos que já não são tão utilizados atualmente. “Foi muito lindo ver a permanência desse vocabulário gráfico, uma forte continuidade de uma tradição feminina Kadiwéu”.
A evolução das peças e o protagonismo feminino também são destacados por Lílian Pereira, coordenadora do componente Modos de Vida da Wetlands International Brasil e da Mupan, que acompanha o trabalho desenvolvido junto à comunidade Kadiwéu há mais de oito anos.
“Em cada oficina percebemos uma evolução das artesãs. Existe um cuidado cada vez maior não apenas com o acabamento das peças, mas principalmente com a história que cada uma carrega. A arte Kadiwéu representa pertencimento, memória e resistência. Cada peça transmite a força dessa cultura.”
Artesanato indígena

O trabalho realizado no Território Indígena Kadiwéu integra conservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento sustentável. Ao impulsionar o artesanato indígena, a iniciativa contribui para preservar conhecimentos transmitidos entre gerações, ampliar a autonomia econômica das mulheres e criar novas oportunidades para as comunidades.
As atividades fazem parte do Plano de Qualificação Produtiva, Design Estratégico e Acesso ao Mercado para o artesanato Kadiwéu. Em 2026, o plano já realizou três ciclos de capacitação e beneficiou mais de 200 mulheres indígenas no território. A iniciativa acompanha as artesãs desde o aperfeiçoamento das técnicas tradicionais até a comercialização das peças, consolidando um modelo que une valorização da cultura indígena, conservação da sociobiodiversidade, economia criativa e geração de renda no Pantanal.
As ações de qualificação produtiva e acesso a novos mercados fazem parte de um processo participativo construído junto ao povo Kadiwéu desde 2018. As prioridades foram definidas pelas próprias comunidades durante a elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) Ejiwajegi, conduzido pela Wetlands International Brasil e pela Mupan no âmbito do Programa Corredor Azul.

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