Política
Deputados lamentam feminicídios e incentivam mudança comportamental
Assembleia Legislativa para falar do assassinato ocorrido em Eldorado, onde foi prefeita, em que a mulher foi morta em frente à filha de nove anos.
Ter, 14 Abril de 2026 | Fonte: Agência Alems

Mato Grosso do Sul soma até abril 11 feminicídios segundo o radar Monitor da Violência Contra a Mulher e, mais uma vez, deputados lamentam as mortes e pedem mudança cultural. Mara Caseiro (PL) foi a primeira a usar a palavra nesta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa para falar do assassinato ocorrido em Eldorado, onde foi prefeita, em que a mulher foi morta em frente à filha de nove anos.
“Vejam em três dias o que ocorreu em nosso estado, isso de casos denunciados, que vieram à tona, sem contar os subnotificados. Meu Deus, como é que podemos dar mais valor aos bens materiais, do que a vida. A mulher foi morta ao pedir a partilha dos bens. Ela estava com medida protetiva. Será que nesse interim o Poder Judiciário não poderia ter um trabalho para a saúde mental desse homem, chama-lo para discutir, trabalhar a saúde mental?”, sugeriu a deputada.
Para Mara Caseiro é preciso ter penas mais duras, mas trabalhar com a conscientização deve ser prioridade. “Ali acabaram com a vida da mulher, do pai, da mãe, do filho. Temos que ter uma nova geração que pense diferente, porque a mulher tem que ter o direito de pensar o que quer para a sua vida. Quando o homem chega e diz que não quer mais o relacionamento, ela chora, fica triste, mas segue a vida. Agora o homem não. E ela tem que ter também o direito de poder recomeçar, aonde ele quiser, com quem quiser. A mulher não é um objeto. Ela é uma vida. Defendemos a família, mas quando não se há mais um ambiente saudável, ela tem que ter o direito de decidir”, ressaltou.
O deputado Lídio Lopes (Avante) concordou. “A violência está cada vez mais preocupante. A morte da Vera, pessoa dedicada, era da minha cidade Igatemi, mas trabalhava em Eldorado, vida ceifada em frente da filha. Nós temos que criar meios para dificultar, mas o Poder Judiciário pode ver em que auxiliar mais a mulher para poder orientá-la. Em Campo Grande tem o programa Maria da Penha que percorre diariamente as casas das mulheres com medidas protetivas”, comparou.
Da mesma forma, a deputada Lia Nogueira (PSDB) disse que é preciso mais que uma rede de proteção. “A gente vai continuar a falar desse problema sim. Temos que falar de rede de proteção, de política pública e ferramentas eficazes, pois tem os que questionam as leis. E se não tivéssemos? O cenário seria ainda mais desolador. Vamos levar mais educação, porque nossas crianças precisam ter um olhar diferenciado. Em Douradina um homem tentou atear fogo na mulher e no filho adolescente de 15 anos”, lamentou. O caso teria ocorrido ontem, mas nem vítima nem o companheiro tiveram os nomes revelados.
Vítimas
No dia 12, a servidora pública de Eldorado, Vera Lucia da Silva, foi assassinada pelo ex-companheiro, Valdecir Caetano dos Santos, em frente à filha de 9 anos. Ele se suicidou na sequência.
No dia 13, a arquiteta Ely da Silva Quevedo, 53 anos, morreu ao cair da caminhonete após briga com o marido, empresário Donivan Valdez, que está sendo investigado por feminicídio. O caso foi em Campo Grande.
No mesmo dia, também na capital, o subtenente aposentado da Polícia Militar, Charles Cano da Mota, de 56 anos, atirou contra a esposa, que conseguiu fugir, e tentou tirar a própria vida. Ele está em coma. Ela não teve o nome revelado.
Denuncie
Em caso de flagrante violência ligue para a Polícia Militar: 190.
Disque Direitos Humanos para denúncias e orientações: 180
Em Campo Grande: Casa da Mulher Brasileira, na Rua Brasília, Lote A, Quadra 2 s/n - Jardim Ima (aberta 24 horas - telefone: (67) 2020-1300)
Interior: Delegacias da Mulher – endereços e telefones aqui.
Informações: www.naosecale.ms.gov.br
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