Política
Morre Lejeune Mirhan, sociólogo, professor e analista internacional, aos 69 anos
Natural de Corumbá, Lejeune Mirhan construiu uma trajetória marcada pela produção intelectual, pela militância política e pelo ativismo internacional.
Qui, 06 Agosto de 2026 | Fonte: DCM

O sociólogo, professor universitário, escritor e analista internacional Lejeune Mirhan morreu nesta quinta-feira (6), após uma longa batalha contra problemas de saúde. Internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora em Campinas, ele sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.
Natural de Corumbá (MS), Lejeune Mirhan construiu uma trajetória marcada pela produção intelectual, pela militância política e pelo ativismo internacional. Filho de Georgeta Mirhan e sobrinho do promotor de Justiça José Mirrha — um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul e candidato ao Senado em 1982 —, era filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Formado em Ciências Sociais, foi duas vezes presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar ao lado de nomes importantes da sociologia brasileira, entre eles Florestan Fernandes, que orientou sua pesquisa de mestrado sobre o movimento estudantil após 1968. Naquele período, quando atuava como dirigente estudantil na região de Campinas, era conhecido como “Lejeune Mato Grosso”.
Descendente de uma das famílias da comunidade suriana que se estabeleceu em Corumbá no início do século XX, Mirhan também dedicou parte de sua produção acadêmica à história da imigração suriana na região. Sua família teve forte presença na vida econômica, cultural e intelectual da cidade, deixando marcas no comércio, na literatura, na imprensa e nas artes.
Professor aposentado da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Lejeune passou a concentrar sua atuação na análise da política brasileira e internacional. Tornou-se presença frequente em debates, palestras e veículos de comunicação, especialmente em temas relacionados ao Oriente Médio, geopolítica, relações internacionais e imperialismo.
Durante décadas integrou delegações humanitárias à Palestina e à Síria e participou de iniciativas de solidariedade internacional voltadas às causas dos povos do Oriente Médio. Defensor do internacionalismo, produziu análises sobre os conflitos na região, as guerras no Iraque e na Síria, as sanções ao Irã e as transformações da ordem mundial.
Leitor incansável e escritor prolífico, publicou mais de uma dezena de livros sobre geopolítica, marxismo, relações internacionais, história árabe e imperialismo. Entre suas obras mais conhecidas está Atualidade da luta anti-imperialista, além de estudos dedicados à imigração suriana em Corumbá. Também criou a editora Apparte, pela qual passou a publicar parte de sua produção intelectual.
Mesmo após a aposentadoria, manteve intensa agenda de palestras, debates e lançamentos de livros em diferentes estados brasileiros. Sempre que retornava à cidade natal, participava de atividades acadêmicas e culturais, reafirmando sua ligação com Corumbá.
A morte de Lejeune Mirhan encerra a trajetória de um dos intelectuais mais ativos da esquerda brasileira no campo da geopolítica e das relações internacionais. Professor, pesquisador, militante e autor de extensa obra, deixa um legado de estudos, debates e reflexão crítica que influenciou gerações de estudantes, pesquisadores e ativistas.
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