Política
MS defende segurança pública brasileira com olhar regional e enfrentamento com forças integradas
Governador Eduardo Riedel foi um dos palestrantes do Fórum de Segurança Pública, em SP, neste fim de semana, onde a temática foi amplamente discutida por governadores e demais lideranças.
Dom, 26 Outubro de 2025 | Fonte: Nyelder Rodrigues/Agência de Notícias MS

Mato Grosso do Sul defende uma atuação conjunta e integrada entre os estados brasileiros, forças nacionais de segurança e países vizinhos no enfrentamento ao crime organizado. Essa foi a posição apresentada pelo governador Eduardo Riedel durante sua participação, como palestrante e debatedor, do Fórum de Segurança Pública - Elo Brasil SP, realizada no sábado (25) em São Paulo (SP).
Diante de um vasto público, Riedel discutiu soluções e propostas para encarar o desafio da segurança pública brasileira ao lado dos goverdores do Rio de Janeiro (Cláudio Castro), São Paulo (Tarcísio de Freitas) e Roraima (Antônio Denarium) em painel moderado pelo senador Ciro Nogueira. Também participaram as vice-governadoras do Acre e do Distrito Federal, Mailza Assis e Celina Leão, respectivamente.
"Como todos os estados, Mato Grosso do Sul tem particularidades. Estamos em uma posição geográfica de forte interação com cinco estados [SP, PR, MT, GO e MG], além de dois países [Paraguai e Bolívia]. Boa parte da fronteira é seca ou pelo rio Paraguai, regiões de baixa densidade demográfica. Essa nossa relação com países e estados vizinhos talvez seja a chave para contribuirmos para o Brasil", frisa Riedel.
Citando indicadores gerais sobre a segurança pública sul-mato-grossense que se refletem em uma percepção positiva da população nessa área, o governador não deixou de lembrar que o Estado é, por sua posição logística, rota do tráfico internacional de drogas. Esse é tratado com o principal desafio da gestão da segurança pública local, mas que só pode ser enfrentada de forma integrada.
"Nossa capacidade de enfrentamento vem aumentando cada vez mais. O problema é que grande parte do ônus desse enfrentamento fica conosco, o Estado, de modo que, por exemplo 35% da população carcerária é fruto desse enfrentamento ao tráfico internacional. É um custo alto, pois assim gastamos 35% a mais com presos que não seriam nossos. Isso nos coloca como o maior número de presos por 100 mil habitantes no Brasil. O ônus está conosco de todo esse enfrentamento", destaca.
Além da integração entre estados, Riedel reforça a importância do enfrentamento ser feito em colaboração com as forças de segurança pública federais e até com às forças armadas, envolvendo também os países vizinhos. Ele cita o Paraguai como um exemplo de relacionamento para realizar um trabalho nesse sentido.
"Um dos pontos que defendemos é o fortalecimento das Forças Armadas como agente de apoio e suporte às nossas ações de fronteira. Temos em Mato Grosso do Sul o CMO (Comando Militar do Oeste), e todas as forças já são parceiras nesse enfrentamento, mas há limitações ainda, inclusive de recurso. Ficam mais em uma posição de participação pontual do que em uma atuação contínua nas fronteiras", explica Riedel.
Olhar regional é fundamental
A defesa do governador sul-mato-grossense pela colaboração e integração de forças nacionais e estaduais no combate ao crime organizado é acompanhada ainda pela argumentação que o olhar regional é fundamental para que tais ações sejam efetivas e contemplem o máximo de metas e alcancem os melhores resultados.
"Existe uma discussão no Congresso pela constitucionalização da segurança e espero que ela não represente uma concentração das formças de segurança pública na União. Vejo isso com um retrocesso em um país de dimensões continentais. Tirar isso dos estados enfraquece o sistema", disse Riedel. "Só quem está no Rio [de Janeiro] sabe como fazer segurança lá, e só quem está em Mato Grosso do Sul sabe como fazer segurança lá. Cada local tem suas especificidades que precisam ser respeitadas", conclui.
Antes do fim de sua participação, o governador Riedel ainda destacou que os resultados obtidos pelas apreensões feitas por forças estaduais devem permanecer no respectivo estado, e que Mato Grosso do Sul atinge índices de crescimento econômico de 5%, 6% ao ano graças à confiança criada regionalmente sobre um ambiente seguro, juridicamente e também no campo da segurança pública.
"Aqui no Fórum, onde está o que há de mais moderno na segurança atualmente, tivemos uma discussão robusta sobre os maiores desafios do Brasil nesse setor. Não existe futuro, não há tranquilidade e não temos investimentos se a gente não criar um ambiente capaz de fazer o enfrentamento a altura dessa ameaçã ao crime organizado e a essas facções presente no País", opinou o governador ao final do evento.
Eduardo Riedel representou Mato Grosso do Sul no Fórum de Segurança Pública - Elo Brasil SP ao lado do secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, e da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina.
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