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Ahmad Schabib Hany

APOLOGIA OU INCITAÇÃO AO TERRORISMO

Ter, 24 Janeiro de 2023 | Fonte: Ahmad Schabib Hany


Simplesmente uma vergonha. É bem verdade que dos jornalões pode se esperar de tudo, mas que os vândalos que editam a Folha de S.Paulo atingiram o cúmulo da perversidade, do cinismo e da insensatez que bem caracteriza as elites financeiras instaladas na Faria Lima, endereço dos especuladores e parasitas que desde 2013 investem contra o Estado de Direito, para o qual, aliás, jamais contribuíram e sempre olharam com desdém.     

O acinte, a perversidade e o cinismo, ‘juntos e misturados’, escancaram o desejo não tão reprimido assim dos jagunços travestidos de editores dessa empresa que, na ânsia de se livrar dos vestígios do conluio de 2014-16 no golpe contra Dilma Rousseff e que deu no que deu, mudou sua consigna (slogan) durante os malditos anos do inominável para ‘Um jornal a serviço da democracia’ e que já voltou para aquela que o patriarca Octavio Frias de Oliveira adotara no início da década de 1960, quando as três ‘Folhas’ (Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite) se aglutinaram na desde então Folha de S.Paulo, que tinha três edições por dia e aos poucos deixou o velho Estadão para trás.     

Não é preciso dizer aos ‘profissionais’ (de quê, jacaré?) da Alameda Barão de Limeira, 425 (ou dos pretensos ‘Campos Elíseos’, toc, toc, toc!) que o momento requer sensatez, racionalidade, comedimento, ‘parcimônia’ (palavrinha que adoooram os provincianos da pauliceia desvairada), e não panfletagem. Aliás, o leitor se lembra do ocorrido com a Abril da Veja dos Civita (filho Roberto e os netos do fundador)? Investiram tanto contra o país que deu ao avô Victor Civita (como o Cesare Civita, irmão mais velho, da Editorial Abril argentina) uma oportunidade que a Itália de Benito Mussolini lhes privou. O império editorial ruiu antes mesmo de poder comemorar a farsa que eles plantaram...     

A famiglia Frias de Oliveira, como a Civita, já anda colhendo o que plantou: não foi vento, mas devastação, predação. Porque os anos nefastos do desgoverno do inominável têm consequências irreversíveis, não só para os biomas destruídos criminosamente, os povos originários abatidos impiedosamente, afrodescendentes vitimados/as impiamente e o patrimônio histórico e cultural material e imaterial profanado sistematicamente mas a Nação e o Estado brasileiro deteriorado deliberada e criteriosamente para retroceder um século no tempo e nos valores civilizatórios.    

A insólita imagem fala por si: a ilustração que acompanha a manchete (e que nada tem a ver com a notícia do alto da página da versão impressa do jornal ‘a serviço do Brasil’ que nos anos de chumbo se prestou a dar apoio logístico, por meio de sua frota de caminhões Ford recém adquirida com financiamento da Caixa Econômica Federal ligada à ditadura, a nefasta Operação Bandeirantes — OBAN —, um grupo paramilitar que cometeu um sem número de crimes com o respaldo dos mandarins de plantão.   

O facsímile da edição de 19 de janeiro da edição impressa da Folha de S.Paulo é, por si, a prova cabal deste non sense que acomete os quatrocentões, ou, melhor, descendentes dos ‘senhores de escravos’ e saudosos da casa grande (useiros e vezeiros da vergonhosa sociedade da senzala). De um lado temos as hordas ensandecidas ávidas por conspurcar e saciar seus instintos criminosos, em nome da ‘fé’, ‘moral e bons costumes’, ‘pátria’, e na verdade tudo isso é um eufemismo (nome bonito, jacu!) de privilégios: os da Faria Lima querem manter seu status de bon vivant às custas da exploração selvagem, sem os direitos trabalhistas conquistados com muita luta nos últimos 80 anos, enquanto os ‘de pijama’ (só eles?) querem manter suas ‘herdeiras’ como eternas pensionistas de um polpudo soldo para o qual nunca fizeram por merecer, parasitas que são.

Aqueles mesmos que, um século atrás, davam um jeito de procurar famílias europeias falidas para comprar seus títulos nobiliários e assim saciar sua vaidade provinciana de se passar por conde, duque, barão ou que fosse bobo da corte da Sardenha ou mesmo de Itararé, como bem ironizou o genial Aparício Torelli. O Barão de Itararé, fundador de A Manha (paródia de A Manhã, o principal matutino do Distrito Federal à época) e de uma série de criações únicas pelo Brasil de 100 anos atrás é, digamos, o avô de O Pasquim e pai do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País), do eterno e igualmente genial Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta), este pai da Turma da Editora Codecri (Comitê de Defesa do Crioléu), do semanário satírico que abalou a linha dura, a ‘linha mole’ e a linha dos ‘trocadores de faquinha’ do armário que sempre quiseram se passar por ‘patriotas’, e que por isso foi alvo da campanha terrorista desses mesmos canalhas covardes que explodiram bombas incendiárias nas bancas de jornais, ex-parceiros dos donos da FSP (como então a Folha se autodenominava) na OBAN...

Esse jornalão que hoje exala naftalina (além do formol dos cadáveres insepultos das vítimas sequestradas de seus lares nas ações da OBAN que até hoje estão desaparecidas, como o então líder estudantil Alexandre Vanucchi Leme e o deputado Rubens Paiva, líder do MDB na Câmara), num verdadeiro hiato de sua nefasta história, sob a digna equipe comandada pelo grande Jornalista Claudio Abramo, entre 1974 e 1977, produziu, sim, Jornalismo, e de vanguarda. Tanto que teve a redação ‘invadida’ pelo indizível coronel Antônio Erasmo Dias, então secretário de Segurança Pública de São Paulo, como forma de fazer o velho Frias tirar do comando da redação Claudio Abramo, e da então Folha Ilustrada Lourenço Diaféria, Tarso de Castro, Fortuna, Plínio Marcos, Sérgio Augusto e tantos outros brilhantes Jornalistas (alguns deles, como o saudoso Tarso, Fortuna e Sérgio Augusto, oriundos do Pasquim e criadores do genial Folhetim).

Em síntese, a edição impressa de 19 de janeiro de 2023 é, tal qual o ‘voto impresso’ das hordas fascistas que descambaram cinicamente para o terrorismo, a materialidade dessa quadrilha que durante décadas enganou a sociedade civil brasileira: a oligarquia da mídia ‘brasileira’, porta-voz do mercado que não se abalou com os crimes do inominável
— porque lucrou muuuuito com esse seu títere tresloucado —, tanto que dia 9, segunda-feira, o ‘day after’ (em inglês, que eles tanto gostam), sequer a bolsa de valores, o seu cínico termômetro, acusou qualquer anormalidade por conta do atentado terrorista do dia anterior. Mais uma prova de que não só generecos trocadores de faquinha estavam por trás, senão os canalhas engravatados cujos caixas vivem a tilintar, minuto a minuto, o fruto de sua avareza, usura, avidez, cobiça, sovinice, mesquinhez e rapinagem.
             
 

Correio de Corumbá

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