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Ahmad Schabib Hany

O DEBATE QUE EXPÔS O CARÁTER DO 'ZERO HUMMM'

Seg, 19 Outubro de 2026 | Fonte: Ahmad Schabib Hany


A Bandeirantes, desde 1989, pauta os debates sem qualquer ingerência, ao contrário da Globo. No domingo, dia 18, sem conceder proteção dos donos da emissora, o 'Zero hummm' mostrou por que o bolsonarismo o escolheu como sucessor do inominável.
 
Quem assistiu ao debate da Rede Bandeirantes, domingo, dia 18, teve chance de conhecer a verdadeira identidade de Flávio Bolsonaro, o primogênito do inominável que tentou, depois de um desgoverno genocida (em que  mais de 700 mil pessoas morreram de covid-19 sem ter despertado a compaixão não só da família, mas de todo o desgoverno de facínoras que negociavam por fora sem se importar com pessoas que perdiam a vida, inclusive por falta de oxigênio e leitos hospitalares), 'lacrar' seu oponente atropelando as regras que sua própria assessoria havia acordado.
 
O ataque é a melhor defesa de quem, na falta de propostas e de respostas às inevitáveis e desconfortáveis perguntas que não querem calar, como: Onde estão os 131 milhões pedidos a Daniel Vorcaro? Como conseguiu comprar mansão de 10 milhões com os proventos de parlamentar? Por que empregava familiares de milicianos em seu gabinete de deputado estadual? Por que deu dinheiro de emenda federal a um miliciano? Por que tinha em seu gabinete gente ligada ao Escritório do Crime, dos assassinos de Mariele Franco e Anderson Gomes?
 
Quem mora no Rio de Janeiro e conhece há décadas a 'dinastia' Bolsonaro, é unânime em afirmar que Tariflávio Bolsomaster é o pior, o mais perigoso, dos filhos do inominável. Depois de 2016, os Bolsonaro se tornaram dominadores sem oponentes da hegemonia política e institucional do estado que contém a segunda capital do Brasil e um dos mais bonitos cartões postais do mundo, cujas praias e prédios históricos mais representativos estão na cobiçada lista das privatizações bolsonaristas.
 
Arrogante, mal-educado, deselegante, mentiroso e desrespeitoso com seu oponente, além das evidências de ter tomado medicamentos (lembrava Collor com os olhos estatelados) para não repetir o vexame fétido dado em debate da emissora como candidato a prefeito do Rio que sofreu de incontinência súbita quando a candidata Jandira Feghali o inquiriu sobre pessoas de seu gabinete ligadas aos milicianos que executaram a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes em 2018.
 
Não por acaso, desde então, cariocas entoam esta consigna: "Flávio ...gão, aparece, seu fujão!"
 
VENTRÍLOQUO DE TRUMP
Bem ao estilo da Globo, em vez de propostas, fez, desde o primeiro minuto, perguntas para reforçar a teia de fakenews que seus marqueteiros produzem e os mercenários digitais da rede de Fernando Cerimedo reverberam o tempo todo, certo da impunidade ancestral que protege sua família.
 
Tariflávio não pode deixar de agradar seu principal padrinho, Donald Trump, e de cara se apresentou como o 'inimigo dos narcoterroristas', citando duas organizações criminosas com as quais seus principais aliados nos governos de São Paulo e Rio têm fortes ligações. Aliás, vínculos que chegam à Faria Lima, onde os 'parças' de Daniel Vorcaro se locupletam desde sempre, como ficou revelado nas operações da Polícia Federal há poucos meses e que não andou por conta de um pastor terrivelmente procrastinador e prevaricador.
 
Veterano, Lula tentou usar parte de seu tempo para apresentar realizações e propostas, afinal, campanhas eleitorais são feitas para debater programas de governo. Além de desqualificar as inegáveis entregas de Lula em todas as áreas (inclusive de seus aliados do agro, por ter multiplicado os investimentos para financiar as safras e tornar o Brasil potência granífera, em substituição à Ucrânia e EUA), não soube expor propostas sobre a saúde, reconhecendo que nessa área foi trágica a gestão de seu pai e líder.
 
Claro, apresentar e defender propostas é para quem tem programa. Como ele não só é destituído dessa relevante ferramenta democrática (se expusesse o que ele tem como paradigma, o desgoverno Milei da Argentina, por exemplo, não teria chance de se eleger), vale-se de mentiras para tentar amesquinhar os mandatos de Lula, que de longe promoveram relevantes transformações com programas sociais, de infraestrutura, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades regionais.
 
PARLAMENTAR SEM PROJETOS
Desde o tempo em que exerceu mandato parlamentar na esfera estadual (deputado estadual no Rio de Janeiro desde 2003), Tariflávio Bolsomaster nunca apresentou qualquer projeto de interesse social. Seu foco sempre foi a concessão de comendas ou homenagens a militares e policiais, sobretudo àqueles ligados às temidas milícias que fizeram reféns as comunidades de um estado que virou laboratório de domínio do bolsonarismo.
 
Senador desde 2018, não consegue sair da bolha em que o pai o colocou há décadas. Até porque não conhece, de fato, a complexa realidade social não só do Rio, mas de todo o Brasil. E se isso fosse pouco, como deixou claro no debate da Band, carece de conhecimento da estrutura e funcionamento do Estado brasileiro (isto é, das instituições, que ficou escancarado ao tratar da Segurança Pública e da Saúde, como que o governo federal pudesse passar por cima dos entes federativos, como estados e municípios).
 
Chega a ser risível a proposta de 'Ministério da Prosperidade', na verdade, um aceno aos seus apoiadores neopentecostais como Malafaia, Macedo e Valadão. Ao criticar Lula de manipulador eleitoral, usa os programas dele com outros nomes para ludibriar os incautos com promessas que jamais cumpriria, pois se comprometeu com o 'deus mercado' privatizar tudo, o que ameaça até o agro que, aliás, jamais contaria com juros subsidiados se o Banco do Brasil tivesse sido privatizado. Que banco privado daria empréstimo sem taxas de juros?
 
Pois é, quando o Jornalismo da Bandeirantes, 37 anos atrás, inaugurou a nova maneira de fazer debates entre candidatos à Presidência em democracia, sem ingerência dos donos da emissora, sabia por que o fazia. A poderosa Globo, beneficiária da ditadura, da qual era seu 'diário oficioso' (salvo honrosas exceções), jamais permitiria que um apaniguado seu se expusesse tão avassaladora e impunemente como neste emblemático debate.
 
O fato é que, exposto e sem filtro, Tariflávio Bolsomaster ficou tão pequeno, que até o pessoal de Renan Santos, Augusto Cury e Ronaldo Caiado prefere não correr o risco de colocar um indivíduo imprevisível e nada confiável no Planalto. Sérgio Moro e Daltan Dallagnol, que são anteriores ao bolsonarismo, hoje dependem de sua graça para atingir qualquer projeto político, inclusive um reles mandato. Isso é ofensa para políticos mais antigos, cuja altivez está acima de qualquer negociação.
 
Eis, sem filtro e sem maquiagem, o 'Zero hummm'...
 
Correio de Corumbá

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