20 ℃

Caio Bruno

O PSDB VAI SAIR DESSA?

Qui, 25 Abril de 2024 | Fonte: Caio Bruno


Fundado em 1988 de uma dissidência de centro-esquerda do PMDB em plena Assembleia Nacional Constituinte, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), atualmente de centro-direita, sai da janela partidária de março/abril menor do que entrou o que aprofunda o processo de encolhimento que se arrasta há anos.

O partido criado por, entre outros, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro protagonizou a cena política brasileira de 1994 a 2014, elegendo numerosas bancadas no Congresso, polarizando as eleições presidências com o PT e governando o Brasil por 8 anos com FHC (1995-2002).

Importante destacar que a sigla é a única a governar ao mesmo tempo o chamado “triângulo das bermudas”, formado pelos 3 estados mais importantes da nação. Em 1994 elegeu Eduardo Azeredo em Minas Gerais, Marcello Alencar no Rio de Janeiro e Covas em São Paulo.

Nas terras paulistas, aliás, é onde se nota o maior sintoma da decadência tucana. Após governar o Estado por 28 anos, o PSDB perdeu a eleição de 2022 para Tarcisio de Freitas (Republicanos) e foi totalmente esvaziado em sua antiga fortaleza. De 238 prefeitos filiados ao partido em 2021, atualmente restam somente 26. Não há mais vereadores na Capital e nem em importantes cidades como em algumas do Grande ABC, por exemplo.

Em plano nacional, a sigla toma ares de nanica com 13 deputados federais e apenas um senador. Governa 3 Estados (Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso do Sul), mas os filiados desses dois últimos parecem estar de malas prontas a qualquer momento. Raquel Lyra (PE) para algum partido aliado de Lula (PT) e Eduardo Riedel (MS) para as hostes bolsonaristas.

O declínio do PSDB, aliás, começa em 2014 quando da derrota presidencial de Aécio Neves para Dilma Rousseff (PT) e todo papel exercido posteriormente pela agremiação e alguns de seus líderes. Soma-se a isso, o fato de Jair Bolsonaro (PL), o vencedor do pleito de 2018 ter ocupado todo o espaço da centro-direita e direita tradicional desde então relegando essas siglas a simples adesão ao seu projeto ou ao ostracismo.

Naquela eleição, os tucanos tiveram seu pior resultado eleitoral da história com o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin amargando o 4º. Lugar (4,76%), em 2022 pela primeira vez sequer disputou a presidência, cedendo Mara Gabrilli (atualmente no PSD) como vice de Simone Tebet (MDB).

O retorno à relevância do PSDB e de outras siglas do campo da centro-direita democrático seria enriquecedor ao Brasil, ao debate de ideias e ao Estado Democrático de Direito, conflagrado pela ascensão e estabilização do fenômeno mundial de uma parcela ideológica agressiva e que mistura elementos de religiosidade, conservadorismo e autoritarismo. Só o tempo e os eleitores dirão se haverá espaço para os tucanos.

Correio de Corumbá

SIGA-NOS NO Correio de Corumbá no Google News

 
 
 

Veja Também

Militantes tucanos se mobilizam contra a extinção do PSDB

Filiados tucanos estão se mobilizando nacionalmente em favor da preservação do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) no cenário político nacional. E...

LULA NAS MÃOS DO CENTRÃO

Em 2005, quando eclodiu o escândalo do Mensalão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) então em seu primeiro mandato começou a sofrer risco de impeachme...

A PREFEITA E O MARKETING POLÍTICO

Nos últimos dias, a prefeita de Marituba (PA), Patrícia Alencar (MDB), ganhou os holofotes nacionais. Tudo isso depois de publicar um vídeo em que aparece de...

A REELEIÇÃO É BOA OU RUIM PARA O BRASIL?

Vira e mexe a discussão sobre o fim da reeleição para prefeitos, governadores e presidente volta à cena no Brasil. A discussão mais recente diz respeito à ap...

Últimas Notícias