Dilson Fonseca
O FIM DE UMA ERA
Seg, 12 Outubro de 2026 | Fonte: Dilson Fonseca

Corumbá é uma cidade bastante heterogênea, onde verificamos que várias personalidades que passam a fazer parte do DNA da cidade, aqui poderíamos citar várias. Até mesmo com locais que ao longo dos anos se tornaram verdadeiros pontos de encontros entre as pessoas, marcados pela diversidade de gosto de, de conversa, enfim, assim é a nossa cidade. Entre todas as "relíquias" corumbaenses vamos nos ater ao Santa Edwirges na rua Major Gama esquina com a General Osório, porém o bar era mais conhecido como o bar do Olairço, um comerciante tradicional que atuou no ramo do comércio por mais de 44 anos e que a 28 anos atuou no ramo de bar. Onde esse bar ficou conhecido como "o único bar que não tem mula". Ou seja, essa linguagem do termo "mula" não se refere ao animal ou a um drink, mas sim aquele tipo de frequentador inconveniente, que passa dos limites na bebida e fica perturbando os outros clientes no estabelecimento. A fama do bar do Olairço se deu justamente pelo ambiente sossegado e pelo controle em não permitir esse tipo de situação.
Olairço Pinho o proprietário como citamos além de ser comerciante também trabalhou nas Casas Buri, na SUCAM. Mas ele teve mesmo seu tempo mais de trabalho no comércio como vendedor ambulante, inclusive na antiga feirinha BRASBOL atrás do Cemitério Santa Cruz e nessas áreas comerciais incluindo como vendedor ambulante e dono de Bar mais de 44 anos de atividade. Mas ele buscou outro ramo que foi o bar e então foi para um ponto comercial na esquina da rua Ladário no coração da feira da tradicional feira de Domingo, e lá mesmo pelo grande fluxo de pessoas já começou a ganhar fama como "o bar que não tem mula". Porém por lá permaneceu por aproximadamente 5 anos, onde aos poucos foi conquistando o título do bar mais calmo do Brasil. Alguns fatores nesse local, mesmo com grande fluxo de pessoas, afastavam fregueses, ele sempre dizia que lá tinha que ficar um olho "na missa e outro no padre", pois tinha que estar atento para tentar evitar roubo no bar e até mesmo dos clientes, além da "galera" que se reunia na esquina da rua Delamare e chegando ao ponto de que algumas pessoas passavam e atiravam e atingiam muitas vezes a parede do bar. Mas o bom atendimento sem distinção o ajudou bastante, a amizade dele com os vizinhos era tão grande que os mesmos ajudavam a cuidar do bar. Um fato bastante pitoresco desse local foi o seguinte, irei omitir nomes, porém vamos contar o fato, uma pessoa foi presa na frente do bar, porém essa pessoa era muito conhecida de lá e tinha um "fã clube", e um dos membros desse fã clube queria por qualquer força ir preso junto no camburão, aí "sururu" formado que acabaram levando o mesmo também, isso sim é amizade o resto é conversa pra "boi dormir".
Depois ele resolveu ir para a Rua Major Gama esquina como a General Osório e por lá permaneceu por mais de 23 anos, nesse local que depois do "var" o título veio e passou a ser "O único bar que não tem mula", enfim mas mesmo nessa circunstância ainda tem a divisão do mulas, ou seja tem o mula de passagem, que já vinha subindo de outros bares e chegando lá queria tomar mais uma, automaticamente pela voz "imponente" de Olairço Pinho era impedido de lá permanecer, e assim só permanecia a "nata" da área. Mas também temos um fato bastante pitoresco, onde não se via mulheres no bar do Olairço, não pelo fato de ser um local que impedia essa presença ao contrário sempre as pessoas foram amáveis e cuidadosas no local. Mas segundo Olairço não ia mulheres lá pelo simples fato dos frequentadores impedirem a presença das mesmas, mistério.
É importante salientar que tanto no bar da rua Ladário, quanto da rua Major Gama a clientela era bastante diversificada, professores, contador, médico, policial, mecânico, jornalista, pedreiro, carpinteiro, empresário, cabeleireiro, CLTista em geral e muitos outros profissionais e trabalhadores em geral.
Mas como tudo nessa vida tem um início, meio e fim, essa era do Olairço Pinho no bar encerrou, e ele disse que ao longo desses 28 anos de bar nunca teve problema no bar com a presença de policial ou algo grave.
Ele disse que precisava descansar viver mais pra família, cuidar mais da esposa a Senhora Francisca e viver mais livre e tranquilo, sem preocupar com horário e viver a aposentadoria. Por outro lado ele me disse que agora está trabalhando muito mais na sua casa, mas enfim. Obviamente o comércio não pode parar e o bar continua agora sob nova direção.
Fim de uma era, Olairço Pinho o idealizador e dono do "Único bar que não tem mula".
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