Luiz Carlos Amorim
VAMOS LER MAIS?
Sáb, 01 Março de 2025 | Fonte: Luiz Carlos Amorim
No lançamento do meu segundo livro de contos, recebi vários cumprimentos - verbalmente, por telefone. por carta, por todos os meios disponíveis na época, de pessoas que fizeram questão de se pronunciar a respeito, dar a sua opinião. Excelente, pois o termômetro para medir a qualidade do nosso trabalho é o leitor. Passado algum tempo da euforia do lançamento, recebi outras duas ligações que se destacaram e me fizeram escrever esta crônica: a primeira, de uma pessoa que eu não conhecia e que, tendo comprado o livro, ligou para dizer que se identificou com a verossimilhança dos meus textos, que gostou da maneira como abordei a realidade do cotidiano das personagens - personagens que poderiam existir do lado de cá de fora dos livros. E um outro, de outra pessoa que eu também não conhecia, muito zangada, indignada até, porque num dos contos havia uma personagem com características e situações que guardavam semelhança com alguém de sua família.
O mais importante disso é a comprovação de que aquelas pessoas leram os livros. Talvez isso não esteja acontecendo, ainda, com a frequência que desejaríamos, mas já está acontecendo. Se o leitor entra em contato com a gente para comentar o obra, é porque realmente leu o livro.
Devagar, com bons livros, com boas aulas de leitura e literatura nas escolas, boas bibliotecas, boa literatura infantil - coisa que com certeza temos em nosso país - e, principalmente, colocando a criança em contato com livros desde muito cedo, vamos conseguindo atenuar aquela história de que brasileiro não lê. Poderia ler mais, se o preço do livro fosse menor, mas existem as bibliotecas municipais, de escolas, de associações, de clubes, existem os sebos e as feiras, onde ou não se paga nada para emprestar o livro ou se paga bem menos para adquiri-lo.
E se nós, autores, levarmos até o leitor uma literatura que se identifique com ele, que tenha mais em comum com ele, que divida com ele espaço, tempo e costumes, sem que com isso tenha que colocar de lado a criatividade e a imaginação, estaremos colocando e livro mais perto do público consumidor e o distanciando de pseudo-literaturas que grassam por aí.
E verdade que chegar até o leitor não é fácil, pois publicar um livro esbarra em diversos e enormes obstáculos. A edição própria é muito cara, pois papel e impressão são itens bastante caros e a distribuição é inexistente.
Resta a democracia da Internet, que tem possibilitado a publicação e projeção de muitos novos poetas e escritores. O meio eletrónico é barato e de fácil acesso. O e-book, livro eletrônico, também é uma boa opção. Há também a publicação de antologias pelo sistema de cooperativa, onde os autores se reúnem, dividem despesas, resultados e trabalho, fazendo lançamentos e colocando o livro debaixo do braço para oferecê-lo. O preço do custo do livro e dividido entre os autores que publicaram nele e o número de exemplares publicados, idem.
A divulgação dos autores novos ou regionais é muito pequena, os veículos de comunicação não dão a cobertura esperada para motivar o autor a continuar produzindo ou o leitor a procurar ler. Aos poucos, no entanto, esse cenário parece que vai mudar. A Internet, como já dissemos, está aproximando mais o autor e o leitor. As revistas e jornais literários alternativos sobrevivem, alguns a duras penas, e as edições impressas diminuíram muito - muitos deles têm apenas edição eletrônica ou virtual, o que já é alguma coisa. Mas o importante é que a publicação exista. Embora o virtual não substitua o papel impresso, obviamente.
Veja Também
O futuro está no digital, essa é uma previsão que a todo momento nos rodeia. Profissionais de diversas áreas estão vendo nas redes sociais uma oportunidade, ...
Acho que morar em Florianópolis ainda é um privilégio. Como dizem minhas filhas, “moro onde muita gente tira férias”. Uma mora em Nice, na França, e outra em...
Não pude ir à Feira do Livro de Florianópolis, que aconteceu de 25 de junho a 4 de julho, no Largo da Alfândega, centro histórico da capital catarinense. Tiv...
Acabo de receber o “Testamento de um Mendigo”, de autor não revelado. Quem quer que tenha escrito a poema, tenha sido ou não um mendigo, bateu fundo no coraç...
Últimas Notícias
- 21 de Julho de 2026 Homem suspeito de matar vítima a facadas em oficina de Corumbá é detido pela PM
- 21 de Julho de 2026 Prefeitura de Corumbá lança plataforma digital para divulgação do Carnaval 2027
- 20 de Julho de 2026 Eleições 2026: mais de 2 milhões de eleitores estão aptos a votar em MS
- 20 de Julho de 2026 Patrulha Maria da Penha prende homem em flagrante por descumprimento de medida protetiva contra a própria mãe em Corumbá
- 20 de Julho de 2026 Com nova lei, Anvisa prevê maior rapidez na aprovação de medicamentos
- 20 de Julho de 2026 Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção para CNH física ou digital aos condutores
- 20 de Julho de 2026 Curso forma profissionais para inclusão de migrantes e refugiados no ensino
- 20 de Julho de 2026 Bailarino do Moinho Cultural embarca para o Festival de Dança de Joinville
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura promove treinamento sobre nova plataforma de prestação de contas para OSCIPs
- 20 de Julho de 2026 Raízen vende Usina Caarapó à Adecoagro por R$ 760 milhões
- 20 de Julho de 2026 Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar nas Eleições 2026
- 20 de Julho de 2026 Joesley Batista pede valor bilionário para vender mina à Vale
- 20 de Julho de 2026 Sul-mato-grossenses aceleram doação de imóveis antes de alta do imposto com a Reforma Tributária
- 20 de Julho de 2026 Votorantim Cimentos abre inscrições em Corumbá para curso de Mecânica Industrial
- 20 de Julho de 2026 Sondagem industrial aponta estabilidade da produção em MS em junho, indica Observatório da Fiems