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Rosildo Barcellos

A VOZ DO PANTANAL

Dom, 26 Fevereiro de 2023 | Fonte: Rosildo Barcellos


Os homens passam às gerações seguintes aquilo que criaram e assim sucessivamente, com isso diferenciam-se dos animais que não guardam seus instrumentos e não os transmite para outras gerações, reverberam instintos. Portanto, o desenvolvimento da humanidade só é possível com a transmissão, às novas gerações, das aquisições da cultura humana, através da educação. No nosso caso, ser pantaneiro é sentir o cheiro da fruta, nadar em águas barrentas, remar em águas correntes. Ser pantaneiro é a fuga da morte, é a busca da vida... (Ciranda Pantaneira). Esses versos, evocam que a imagem do homem pantaneiro que predomina nas músicas é de alguém que se orgulha de ser de onde é, que se reconhece como caipira ou caboclo, que tem características de herói que protege a mulher, e, acima de tudo, alguém que conhece a linguagem das plantas e dos animais e os respeita. É o Grupo Acaba, grupo de músicos que se apresentaram no primeiro evento de Mato Grosso do Sul em Brasília. Em 1978 na praça dos Poderes. Durante o hasteamento da nossa bandeira foi cantado, lógico: “Ciranda Pantaneira”.    

O Grupo Acaba foi criado em 1966 por iniciativa dos irmãos Chico e Moacir Lacerda. Os dois nasceram em Corumbá, em Albuquerque e Porto Esperança. O nome Acaba é uma abreviação de Associação dos Compositores Autônomos do Bairro Amambaí. Defensores da fauna e flora de Mato Grosso do Sul, principalmente do Pantanal, o grupo acabou atuando de forma ativa e como protagonista em diversos eventos históricos pela defesa do meio ambiente como: SOS Pantanal 1980, contra as instalações de usinas de álcool na bacia pantaneira, mobilização de estudantes e da população de Campo Grande em 1985 contra a mortandade de peixes no Rio Miranda, representando o Estado de MS no Fórum Global da Conferencia Mundial de Meio Ambiente, Rio 92.  

O Grupo Acaba, representa o belo com competência. São mais de 50 anos de amizade e exemplo. Como eu tenho dois ex-professores nesse grupo, e posso discretear mais acerca da grandeza, pormenorizada de cada um, afinal, cada um tem um belo exemplo para nos dar de fraternidade, irmandade, inteligência intimorata. Ademais tenho a honra de carregar, pra sempre, um momento de inigualável emoção quando recebemos no mesmo evento, o troféu Marçal de Souza Tupa-Y. Eu pelas minhas atividades como negociador em bloqueios e conflitos indígenas e de artigos que  escrevi, sendo traduzido para a língua Terena pela Doutora em Antropologia pela PUC/SP Lindomar Sebastião, também publicados aqui no Jornal Correio de Corumbá e no livro Crianças do Amanhã pela SF Editorial, como membro do GETRAN/MS, em forma bilíngue, dentre dos meus 1555 artigos, provavelmente o primeiro Jornal Impresso do estado a fazer isso.  

Mormente, neste artigo especificamente, quero exaltar, quem cativado pela música, aos 4 anos de idade ganhou seu primeiro instrumento: um cavaquinho, e aprendeu suas primeiras notas com seu avô. Apesar de ser formado em contabilidade e atuar também como corretor de imóveis a música é sua paixão, que vai transmitido geneticamente pois seus quatro filhos tem de alguma forma acesso e envolvimento musical. A música é a vitória do sentimento sobre o conhecimento”. A palavra música, do grego “mousikê”, significando “arte das musas”, fazendo-se uma referência à mitologia grega. Eu ousaria dizer que a “Música” é a arte de combinar os sons e o silêncio. O som vem do cantar dos pássaros, da voz de seu filho, do pulsar do coração quando toca os lábios da mulher amada. Já o silêncio, grita poesia...pulula o poema que dá lugar a inquietude, ao desconhecido além da escuridão que olhos e ouvidos não sentem! E Vandir Barreto, traz isso no tom de sua voz, quando entoa “Sua asa tão linda, abraçou o espaço, desenhou meu retrato, pra ficar nessa terra! “
*Articulista

Correio de Corumbá

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