Rosildo Barcellos
LIXO PARA ONDE VAIS?
Dom, 24 Março de 2024 | Fonte: Rosildo Barcellos
Dos 383 kg de ”lixo” que cada brasileiro produz ( em média anual) apenas 5% é recolhida como reciclável. Por outro lado temos notório conhecimento que a cultura da reciclagem do alumínio no Brasil conta com uma estrutura considerável. Entretanto o poliestireno expandido ainda não gera interesse em sua coleta em função de suas dimensões, sempre amplas,tanto quanto por sua leveza. Para termos uma ideia mais precisa as pérolas de isopor expandidas apresentam até 97% de ar e apenas 3% de plástico. Esta situação poderia começar a mudar se a Política Nacional de Resíduos Sólidos fosse realmente colocada em prática e como preconiza a lei: fosse possível a extinção dos “lixões” até agosto de 2014; fato que NÃO aconteceu, passados exatamente dez anos.
Temos uma imperiosa necessidade de se estruturar em todas as cidades um plano de gestão de resíduos sólidos para que se possa ter uma sequência mais efetiva de destinação dos materiais recicláveis. O processo de reciclagem do isopor, por exemplo é aparentemente simples: primeiro é feita a coleta do material enviado as cooperativas de reciclagem para posterior início de processo de trituração em máquinas de compactação aonde se retira o ar do produto que representa a maioria esmagadora de seu volume.
Estando com o volume reduzido é encaminhado para as fábricas de processamento aonde a massa é compactada e moída passando depois por um filtro aonde ela os transforma em fios finos e picotados. Ao final os grãos são derretidos e transformados em novos produtos, atualmente com foco na sustentabilidade, direcionando os produtos para a construção civil, arquitetura e decoração de ambientes onde a madeira cede espaço para o “plástico reciclado”.
Um terço da produção brasileira de isopor vem de Joinville, Santa Catarina aonde se produz 18 mil toneladas por ano, mas se recicla apenas 5 mil, aonde foram aproveitadas ideias da Coréia do Sul, país que está avançando muito na área do poliestireno expandido reciclado. Não obstante, das sete famílias de plástico o polietileno tereftalato (PET) tem evoluído no mercado de reciclados, em função da grande oferta, afinal foram produzidas 505 mil toneladas no ano passado. Mas tenho certeza que o nosso futuro está muito mais ligado com o que faremos de nossos resíduos, haja vista, a importância que um meio ambiente saudável tem em nossa qualidade de vida. E neste ponto vem o grande dilema. As pessoas querem receber o lucro desmedido, mas não querem dar a sua parcela de contribuição. Querem usar e usufruir mas querem que os outros tenham cuidado e cautela ou custos. Esquecem que o uso das vias, a população e geração de resíduos sólidos urbanos está crescendo e que a possibilidade de recuperação, por exemplo, do meio ambiente está cada vez mais delicada.Entretanto cada um de nós pode buscar melhorias para o meio e as situações em que vive e assim reduzir os grandes problemas futuros ou deixar que as tragédias nos façam pensar porque não o fizemos e nesta hora poderemos apenas ou tão somente, lamentar as ondas de calor ( a segunda de 2024 ) com a umidade do ar chegando perto de 15% e Mato Grosso do Sul tendo três cidades entre as mais quentes do país.
*Articulista
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