Cultura
“Pantanal Negro” reposiciona o olhar sobre o território e tem pré-estreia em evento internacional de turismo
Com direção artística e produção executiva de Thayná Cambará, idealizadora e diretora da Bela Oyá Pantanal.
Qui, 07 Maio de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa

Entre rios que guardam histórias e territórios atravessados por memórias silenciadas, nasce Pantanal Negro, documentário que propõe um deslocamento urgente: sair da paisagem e olhar para as pessoas. Com direção artística e produção executiva de Thayná Cambará, idealizadora e diretora da Bela Oyá Pantanal, o filme será lançado em um dos maiores eventos de turismo da América Latina, a 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), na quinta-feira (7), marcando um encontro potente entre mercado, ancestralidade e identidade.
A pré-estreia se afirma como gesto político. Em um espaço historicamente voltado à comercialização de destinos, Pantanal Negro insere uma narrativa que tensiona essa lógica e amplia o entendimento sobre o território. “É ocupar um espaço voltado ao mercado e inserir ali uma narrativa que fala de memória, de ancestralidade e de pertencimento. Não existe destino sem história, não existe experiência sem cultura, e não existe desenvolvimento sem reconhecer quem são os sujeitos daquele território”, afirma Thayná.
O filme nasce das mesmas raízes que sustentam a atuação da Bela Oyá Pantanal, primeira agência de afroturismo do Mato Grosso do Sul. Se no turismo a experiência se constrói no encontro com o território, no audiovisual essa vivência ganha permanência, alcance e profundidade. “O filme não é um produto isolado, é parte de uma trajetória. Ele nasce das relações construídas com as comunidades ao longo dos anos e se torna uma ferramenta de educação, sensibilização e posicionamento”, explica a diretora.
Ao longo da narrativa, Pantanal Negro revela uma camada historicamente invisibilizada: a presença negra no Pantanal, os povos de terreiro, as comunidades quilombolas e os saberes que sustentam a vida na região. “Durante muito tempo, o Pantanal foi apresentado como um território vazio, sem gente, sem história. Mas o Pantanal é habitado, é vivido, é construído por pessoas”, diz Thayná. Para ela, o filme também atravessa uma dimensão pessoal, marcada por sua reconexão com a espiritualidade e com as tradições afro-brasileiras. “Quando falamos de pertencimento, é impossível não olhar para o quanto essa cultura nos atravessa enquanto comunidade”, completa.

Esse movimento de reconhecimento ganha ainda mais força em um momento de visibilidade institucional. Recentemente premiada na primeira edição do Prêmio Rotas Negras, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial, Thayná vê o lançamento do filme em um palco internacional como parte de um processo coletivo. “O afroturismo, para nós, não é apenas um segmento, é uma estratégia de desenvolvimento territorial. E esse reconhecimento mostra que esse caminho começa a ganhar escala, sem perder sua essência, que é o território, as pessoas e a ancestralidade”.
Mais do que dar visibilidade, Pantanal Negro propõe reconexão. O filme convida o público a reconhecer um Pantanal que pulsa para além da paisagem, um território afro-pantaneiro, onde fé, cultura e cotidiano se entrelaçam. “Esperamos que as pessoas entendam que existe um Pantanal que talvez nunca tenha sido apresentado a elas: um Pantanal negro, ancestral, espiritual e profundamente humano”, afirma.

Ao trazer para a tela manifestações como o Arraial do Banho de São João de Corumbá — reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil — e evidenciar a força das comunidades de terreiro, o documentário também se apresenta como uma experiência viva de afroturismo. Uma travessia entre memória e presente, entre espiritualidade e território. “Mais do que dar visibilidade, é reconhecer o quanto essa cultura nos forma, nos atravessa e nos constitui”, conclui Thayná.
Pantanal Negro conta com investimento da LPG (Lei Paulo Gustavo), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul), e tem apoio da Pantanal Film Comission.


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