Meio Ambiente
Cooperação entre Brasil e Bolívia pode contribuir para prevenir incêndios no Pantanal
A proposta visa a criação de ações conjuntas de combate a incêndios florestais, inspiradas em protocolos internacionais de sucesso, como o firmado entre Espanha e Portugal.
Sex, 10 Abril de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa IHP

Em um movimento estratégico para atuar na prevenção de incêndios no Pantanal, o presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Angelo Rabelo, solicitou formalmente ao Governo Federal o estabelecimento de uma cooperação institucionalizada entre o Brasil e a Bolívia. A proposta visa a criação de ações conjuntas de combate a incêndios florestais, inspiradas em protocolos internacionais de sucesso, como o firmado entre Espanha e Portugal.
A iniciativa ganhou o apoio oficial do Senador Nelsinho Trad (PSD-MS), Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, que encaminhou ofícios aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima) nesta terça-feira (07/04/2026).
“Proteger o Pantanal é proteger vidas, culturas e o futuro das próximas gerações. Não podemos agir de forma isolada diante de um problema que é comum. A união entre Brasil e Bolívia é um passo fundamental nessa missão”, assegurou o senador Nelsinho Trad.

O Fogo Sem Fronteiras
O alerta do IHP fundamenta-se no aumento da frequência de grandes incêndios, registrados principalmente entre 2020 e 2024. Entre os fatores para esses registros há a questão das mudanças climáticas, redução de volume de chuvas, perda de lâmina d’água no Pantanal. Condições que afetam tanto o território brasileiro, como o boliviano. Em casos já registrados, houve incêndios iniciados em ambos os lados que adentraram o Brasil e a Bolívia, principalmente na região da Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul, afetando diretamente a biodiversidade pantaneira e também no Parque Nacional boliviano San Matias (Província de Santa Cruz), área vizinha ao município de Corumbá (MS).
De acordo com Angelo Rabelo, San Matias é uma zona protegida, porém pouco povoada e de acesso extremamente difícil para as autoridades de ambos os países. Do lado brasileiro, existe a Rede Amolar, um corredor de biodiversidade que abriga ao menos 200 espécies de animais, sendo que 10 delas apresentam algum grau de ameaça, conforme a IUCN, além de também haver comunidades tradicionais ao longo do rio Paraguai.
“Para além dos impactos imediatos na fauna e flora, o comprometimento da biodiversidade pantaneira em médio e longo prazo, afetando inclusive as migrações de espécies, exige uma resposta diplomática e operacional coordenada”, alerta o presidente do IHP.
Resultados da COP15
A demanda foi articulada durante a 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), realizada em Campo Grande, no mês de março. O evento evidenciou que os diferentes sistemas nacionais de controle migratório e combate ao fogo são barreiras que precisam ser superadas por meio de atos internacionais formais. Além disso, foi evidenciada a importância de garantir habitats conservados para efetivar iniciativas de proteção à fauna.
O estabelecimento desta cooperação busca viabilizar:
Integração de esforços entre as brigadas e outras instituições dos dois países.
Acesso Facilitado: Redução da burocracia para que forças de combate possam atuar em zonas de fronteira crítica.
Proteção da Biodiversidade: Foco especial na conservação de rotas migratórias e espécies ameaçadas.
IHP já atua com país vizinho

O trabalho conjunto entre o IHP e instituições que atuam na Bolívia já existe. Além de intercâmbio, a Brigada Alto Pantanal, mantida pelo Instituto, também compartilha informações e alertas para permitir um trabalho conjunto.
Em julho de 2025, equipe do IHP participou do Programa de Acampamento Especializado para Formação de Brigadistas Florestais, que foi promovido em Santiago de Chiquitos, na Bolívia, pela Fundación Organización de Apoyo Legal y Social (ORE), Fundación Centro de Estudios Rurales y Agrícola Internacional (CERAI Fundação CERAI) e Governo Autonomo Departamental Santa Cruz. A iniciativa envolveu ações de intercâmbio para o IHP apresentar o uso de tecnologias e técnicas usadas para realizar ações de prevenção aos incêndios florestais em áreas remotas, bem como conhecimento ligado ao combate direto de fogo.
Já em 2024, o Instituto e a Fundación Centro de Estudios Rurales y de Agricultura Internacional (CERAI) na Bolívia fecharam um termo de parceria para haver trabalho conjunto no combate a incêndios florestais em território boliviano, na região da Área Natural de Manejo Integrado San Matías, bem como haver apoio para desenvolvimento de estudos científicos voltados para a conservação da biodiversidade e ações socioambientais que favoreçam comunidades. Essa região boliviana está localizada entre o bosque seco chiquitano, savanas inundáveis e o Cerrado, fazendo fronteira com o Brasil, em Mato Grosso do Sul, na região norte de Corumbá.
Também no ano retrasado, a Brigada Alto Pantanal trabalhou em conjunto com o Exército Boliviano e o Prevfogo/Ibama para combater incêndio na região da Laguna Mandioré, que faz divisa entre países.
SOBRE O IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
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