Meio Ambiente
Onça-pintada capturada ganha nome para homenagear Corumbá e passa a ser monitorada na Rede Amolar
A fêmea capturada recebeu o nome de Corumbella, que significa “A Bela de Corumbá”.
Seg, 04 Maio de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa

A onça-pintada fêmea capturada na Capital do Pantanal, entre os dias 2 e 3 de maio de 2026, recebeu o nome de Corumbella, que significa “A Bela de Corumbá”, e depois de ser levada da região urbana, foi translocada para um corredor de biodiversidade formado pela Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar). O nome dado a ela faz alusão a espécie fóssil Corumbella werneri, cnidário Ediacarano com cerca de 553 milhões de anos, considerado um dos primeiros animais pluricelulares da Terra. Esse fóssil foi descoberto na região de Corumbá, sendo considerado um dos mais importantes do Brasil nesse período.
Com o trabalho de translocação inédita feita no Pantanal, a proposta do Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário é desenvolver uma série de pesquisas científicas para compreender melhor o comportamento da espécie. Para isso, o monitoramento da Corumbella a partir de agora vai ser feito por meio de colar GPS/VHF, que permitirá o acompanhamento pós-soltura, além do uso de armadilhas fotográficas instaladas na região da Rede Amolar, na Serra do Amolar.
O tempo que o colar GPS permanece no animal pode mudar conforme o objetivo do estudo. Esse tempo geralmente varia entre 6 meses e 2 anos, dependendo da configuração do equipamento. Esperamos monitorar essa onça-pintada por pelo menos 1 ano. Esse equipamento tecnológico tem custo de cerca de R$ 70 mil reais, sem a inclusão dos custos com o servidor da empresa fornecedora do equipamento.
Esse monitoramento contínuo vai ser desenvolvido por pesquisadores do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que integra o GT Onças Urbanas Corumbá-Ladário. Os detalhes sobre a captura, translocação e o monitoramento pós-soltura foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada na sede do Ibama, em Corumbá. Participaram da coletiva o diretor-presidente do IHP, Ângelo Rabelo; Jussara Barbosa da Fonseca Alves, chefe da Unidade Técnica do Ibama Corumbá; Rafael Novaes da Conceição, General de Brigada, comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal; Cristina Fleming, diretora-presidente Fundação de Meio Ambiente do Pantanal (Prefeitura de Corumbá); e Diego Viana, pesquisador Jaguarte.

“Essa foi uma operação que destaca a importância de trabalho conjunto e coordenado para favorecer a conservação do Pantanal. Agora, com o uso de colar GPS/VHF será possível acompanhar os deslocamentos do animal, identificando áreas de uso, rotas de movimentação e padrões de comportamento ao longo do tempo. Esses dados ajudam a entender melhor como a espécie utiliza o ambiente, quais são seus territórios e como responde a pressões como presença humana ou mudanças no habitat. Além disso, o monitoramento contínuo permite avaliar a saúde e a adaptação do indivíduo após a captura”, detalhou Ângelo Rabelo.
Sobre a captura
O planejamento da operação levou cerca de 4 meses e os últimos detalhes foram ajustados há cerca de 15 dias antes da captura da onça-pintada. Ela envolveu ao menos 10 instituições diretamente, através da participação de médicos veterinários, biólogos, técnicos e agentes públicos. A operação de translocação do animal contou com o apoio do Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar do Oeste.
Para realizar a captura, duas armadilhas foram usadas, sendo 1 para captura e 1 para transporte, ambas foram cedidas pelo Instituto Reprocon, através da Polícia Militar Ambiental de Corumbá.
A onça-pintada Corumbella, quando capturada, estava com 72 quilos, teve idade estimada em 4 anos.

Rodolfo César/GT Onças Urbanas Corumbá-Ladário/IHP
Sobre o Grupo Técnico
O Grupo Técnico Onças urbanas Corumbá/Ladário possui atualmente 26 membros das seguintes instituições: IBAMA Superintendência MS, PrevFogo/IBAMA, ICMBio/CENAP, Polícia Militar Ambiental de Corumbá, Prefeitura Municipal de Corumbá através da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal e Defesa Civil, Jaguarte e Instituto Homem Pantaneiro. Ainda, a operação contou com o apoio do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul – (IMASUL), que colocou uma equipe e recinto à disposição no caso de necessidade de tratamento clínico do animal.
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