Meio Ambiente
Pantanal pode acabar antes do que Marina disse, afirma ambientalista da USP
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou na última quarta-feira (4) que o Pantanal pode desaparecer até o final do século.
Seg, 09 Setembro de 2024 | Fonte: DCM

Durante sessão da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, Marina destacou que o desmatamento e as queimadas têm reduzido a cobertura vegetal da região, o que afeta gravemente a bacia hidrográfica local. Segundo a ministra, é necessário aumentar os esforços e recursos para lidar com as consequências das mudanças climáticas.
No entanto, um professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) apontou que a situação é ainda mais grave, e que o Pantanal pode desaparecer muito antes.
“Os indicadores são cada vez mais evidentes de que uma crise muito séria já se estabeleceu no Pantanal. Nós estamos perdendo realmente o Pantanal a olhos vistos”, disse Pedro Luiz Côrtes.
“Baseado em um levantamento do MapBiomas, que mostra a redução da superfície de água no Pantanal, desde 1985 até o ano passado, eu digo que a ministra foi comedida nas suas observações. Porque, pelo avanço da degradação, da redução da quantidade de água no Pantanal, eu digo que na metade deste século ou por volta de 2060, já não tenhamos mais o Pantanal como um bioma”, afirmou.
O Pantanal é conhecido como a maior planície alagada do mundo. Mesmo nos períodos de seca, o bioma ainda mantém seus espelhos d’água, embora estejam diminuindo rapidamente. “A redução da quantidade de água é muito significativa nos últimos 40 anos e se acentuou neste século”, alertou o professor.
Côrtes explicou que essa diminuição está ligada ao desmatamento da Amazônia e do Cerrado, que afeta o ciclo das chuvas e o abastecimento de rios importantes para o Pantanal. A redução das florestas amazônicas interfere no fenômeno dos “rios voadores”, que transportam umidade do Norte para outras regiões do Brasil. Com menos área florestada, porém, diminui também o potencial desse ciclo hídrico.
Já o Cerrado é ainda mais preocupante. “No Cerrado tem vários rios importantes que irrigam bacias do Nordeste, do Norte, do Sudeste e essas nascentes estão ficando comprometidas, ou seja, o rio no seu nascedouro já nasce com pouca água, com uma redução do volume de água, e isso vai impactar as bacias que são abastecidas por esses rios. Então, nós temos esse desmatamento do Cerrado repercutindo em outras bacias, repercutindo no Pantanal, e isso é evidente pelo levantamento do MapBiomas. Nós precisamos não só zerar o desmatamento, mas começar a recuperação de áreas degradadas”, disse o professor.
Para reverter essa tendência, será necessária uma ação humana clara e efetiva. “Eu não acredito que o Pantanal atualmente tenha condições de se recuperar por conta própria. Nós precisamos não só zerar o desmatamento, mas precisamos começar a recuperar as áreas degradadas na Amazônia”, destacou Côrtes, acrescentando que o mesmo vale para o Cerrado.
Uma das medidas propostas é a regulamentação do mercado de crédito de carbono, que permitiria a compensação das emissões de carbono por meio da recuperação de áreas degradadas. Entretanto, o avanço dessa iniciativa no Congresso tem sido lento.
“O mercado certificado está na boca de caixa do Congresso para a aprovação da lei que regula o mercado de crédito de carbono. Isso está para ser votado desde o ano passado, era para ser entregue isso para a COP 30. Nós vamos entrar numa nova COP e esse mercado não foi regulado. Isso permitiria que investimentos fossem realizados de maneira certificada, de maneira auditada, para permitir a recuperação de áreas degradadas, e isso consequentemente retiraria carbono da atmosfera. Mas nunca entra na pauta para aprovação [pelo Congresso]”, declarou.
Veja Também
O governo brasileiro decidiu enviar missão humanitária para combater, em coordenação com as autoridades bolivianas, os incêndios florestais ora em curso na f...
Últimas Notícias
- 20 de Julho de 2026 Eleições 2026: mais de 2 milhões de eleitores estão aptos a votar em MS
- 20 de Julho de 2026 Patrulha Maria da Penha prende homem em flagrante por descumprimento de medida protetiva contra a própria mãe em Corumbá
- 20 de Julho de 2026 Com nova lei, Anvisa prevê maior rapidez na aprovação de medicamentos
- 20 de Julho de 2026 Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção para CNH física ou digital aos condutores
- 20 de Julho de 2026 Curso forma profissionais para inclusão de migrantes e refugiados no ensino
- 20 de Julho de 2026 Bailarino do Moinho Cultural embarca para o Festival de Dança de Joinville
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura promove treinamento sobre nova plataforma de prestação de contas para OSCIPs
- 20 de Julho de 2026 Raízen vende Usina Caarapó à Adecoagro por R$ 760 milhões
- 20 de Julho de 2026 Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar nas Eleições 2026
- 20 de Julho de 2026 Joesley Batista pede valor bilionário para vender mina à Vale
- 20 de Julho de 2026 Sul-mato-grossenses aceleram doação de imóveis antes de alta do imposto com a Reforma Tributária
- 20 de Julho de 2026 Votorantim Cimentos abre inscrições em Corumbá para curso de Mecânica Industrial
- 20 de Julho de 2026 Sondagem industrial aponta estabilidade da produção em MS em junho, indica Observatório da Fiems
- 20 de Julho de 2026 Mercado reduz expectativa de inflação para 5,15% em 2026. Projeções para PIB, dólar e Selic permanecem estáveis
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura realiza mutirão de limpeza e dedetização nas escolas da REME durante recesso