Meio Ambiente
Polícia Militar Ambiental lembra que animal silvestre não é pet e esclarece quando deve ser capturado
Muitos animais silvestres convivem diariamente com as pessoas na área urbana.
Seg, 28 Julho de 2025 | Fonte: Leonardo Rocha/Agência de Notícias MS

Era por volta das 6h da manhã, quando a funcionária da limpeza de um salão de beleza foi cumprir sua rotina normal. Ao recolher o lixo encontrou um animal peludo, narigudo, que parecia preso dentro do balde ou tirando um cochilo da noite anterior. Ela se assustou, aos gritos, começou a passar mal. Todos correram para área de serviço e se depararam com um gambá. Ele não estava machucado, porém não saia do local. Sem saber o que fazer, ligaram para o Corpo de Bombeiros e depois PMA (Polícia Militar Ambiental).
Apesar da cena inusitada, ela é mais comum do que se imagina. Muitos animais silvestres convivem diariamente com as pessoas na área urbana. Há muitos dúvidas sobre o que fazer quando encontra um pelas ruas, nas repartições comerciais ou até dentro das residências.
A PMA orienta a população a entrar em contato com a instituição, porque nem sempre o procedimento adequado será a captura. Muitas vezes a melhor opção é deixar que o animal siga seu caminho, sem qualquer interferência na sua rotina. Eles saem atrás de alimento e em alguns casos levam também para seus filhotes, em ninhos que podem estar por perto.
O envio de equipe (PMA) para captura ocorre na maioria dos casos quando o animal estiver machucado, precisando de tratamento. Ou se oferece riscos às pessoas ou até a ele próprio, por esta preso em algum local, gerando pânico nas pessoas. No caso do gambá em um salão de beleza na área central de Campo Grande, os policiais optaram pelo recolhimento, já que não conseguia sair do espaço por conta própria e o local estava cheio, podendo haver uma locomoção inadequada.
“Ele deve ter chegado de noite e não conseguiu sair. Como é algo diferente as meninas se assustaram, a moça quase passou mal. Então ligamos primeiro para os bombeiros e eles nos informaram que deveríamos entrar em contato com a PMA. Fizemos a foto do animal, mandamos e depois a equipe veio fazer a captura. Agora já sabemos como funciona o procedimento, caso aconteça novamente”, contou Leonardo Martinez, cabeleireiro do salão.

Quem coordenou a ocorrência foi sargento da PMA Wagner da Silva Azevedo. “Ao encontrar o animal silvestre nossa recomendação é ligar para PMA. Já orientamos a não mexer no animal. Após pegar as informações, definimos como vamos proceder. Neste caso específico viemos buscar o gambá porque estava preso, em um ambiente comercial cheio, as pessoas se assustam e têm medo de ataque. Nós vamos fazer a reintrodução ao seu habitat. Eles (gambás) tem hábitos noturnos, saem atrás de comida a noite. Não são agressivos, mas se alguém quiser pegar ele, pode morder por um instinto de defesa”.
Se estiver ferido, a PMA encaminha o animal até o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) para o devido tratamento. Muitas vezes a captura não é a melhor alternativa, até porque o procedimento pode machucar e ferir o animal, sendo melhor deixar ele seguir pela cidade.
De janeiro até 30 de junho, a PMA atendeu 1.513 ocorrências envolvendo fauna silvestre na Bacia do Paraguai. Desse total, 277 animais estavam saudáveis e 158 apresentavam ferimentos. As aves lideraram os resgates, representando 53% dos atendimentos. Em Campo Grande, foram registradas 559 ocorrências, com 176 animais resgatados em boas condições e 131 feridos. As aves também foram maioria, correspondendo a 59% dos casos, seguidas por mamíferos (24%) e répteis (17%). Segundo a PMA, em cerca de 20% dos casos, os animais não precisaram de captura.
Animal silvestre não é PET
Cada vez mais as pessoas estão apegadas aos seus animais domésticos, que são cuidados com todo carinho e atenção. No entanto a PMA esclarece que os animais silvestre não podem ser tratados como PET. Muitas vezes ao encontrá-los nas ruas ou vê-los feridos, as pessoas querem pegar e até fazer carinho. Não pode. O ato de dar comida inclusive é considerado crime.
O aparecimento de animais silvestres é algo comum, principalmente perto de reservas florestais, rios e córregos. Muitos tem uma convivência harmônica com os seres humanos. As faunas vivem em área urbana e os animais estão adaptados, como é o caso dos próprios gambás, capivaras e quatis.
Caso tenha uma residência perto destes locais, a recomendação é evitar deixar rações espalhadas ou comida pelo quintal, que podem atrair estes animais. Evita inclusive incidente com os pets (gatos e cachorros), que ao encontrá-los pode gerar um confronto.
A população também deve saber que existem períodos sazonais, como a reprodução de aves a partir de setembro, em que filhotes se machucam quando estão aprendendo a voar. Algumas vezes não é necessário interferir neste processo, por isso cada caso será avaliado (captura) pela PMA.
Casos inusitados
Algumas ocorrências tem suas particularidades. Em abril foi encontrada em Campo Grande uma serpente embaixo de um veículo no bairro Parque Novo Século. Era um filhote de sucuri de aproximadamente 50 centímetros, que se abrigou no filtro de ar do carro. O dono do veículo estava retornando da chácara na área rural e acredita que o animal “pegou uma carona” até cidade. A cobra foi resgatada sem ferimentos.
Já em uma loja de utilidades na Avenida Costa e Silva foi encontrada uma filhote de cascavel, de 80 centímetros. Ela estava dentro do estabelecimento e assustou os funcionários e clientes. Também foi capturada com segurança.
Uma jiboia também deu o “ar da graça” no Residencial Búzios. Com dois metros estava escondida no quintal entre as folhagens, quando a equipe fez o resgate com sucesso.
Já foram encontrados animais silvestres em locais de difícil acesso, como telhados, forros de imóveis ou comércio. É importante esclarecer que os policiais ambientais estarão no local, com o devido equipamento para fazer a captura, mas não são responsáveis por destelhamento, abertura de forro, ou qualquer ação deste tipo. O proprietário terá que contratar profissionais para realizar este procedimento.
Caso encontre um animal silvestre morto, o contato já não será com a PMA. Em Campo Grande é preciso acionar a Solurb, empresa responsável por este serviço. Já no interior do Estado cada município vai indicar o serviço específico para atender a ocorrência.
Veja Também
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Núcleo Ambiental, tem intensificado as ações do Programa Pantanal em Alerta ocorridas no ano d...
Últimas Notícias
- 19 de Outubro de 2026 Deputado estadual Paulo Duarte recebe alta hospitalar após procedimento cirúrgico
- 19 de Outubro de 2026 TRE-MS informa que não houve alteração nos locais de votação entre os turnos em MS
- 19 de Outubro de 2026 Pantanal goleia Taveirópolis e conquista o bicampeonato no Estadual Feminino
- 19 de Outubro de 2026 Economia cresce 0,5% em agosto após dois meses de recuo, estima FGV
- 19 de Outubro de 2026 O DEBATE QUE EXPÔS O CARÁTER DO 'ZERO HUMMM'
- 19 de Outubro de 2026 MPF consegue retomada de ação sobre demissões na saúde indígena de Mato Grosso do Sul durante a pandemia
- 19 de Outubro de 2026 Homem agride esposa após ela se negar a dar dinheiro para bebida em Corumbá
- 19 de Outubro de 2026 Corumbá recebe Workshop Turismo de Pesca Esportiva em Mato Grosso do Sul em novembro
- 19 de Outubro de 2026 Pagamentos de outubro do Bolsa Família começam nesta segunda
- 18 de Outubro de 2026 Samba perde Benito di Paula, compositor de “Retalhos de Cetim”, aos 84 anos
- 18 de Outubro de 2026 Escolas têm até o dia 31 de outubro para selecionar livros da Educação Infantil para o triênio 2026-2029
- 18 de Outubro de 2026 Pantanal, Operário, Colorado e Náutico avançam para semifinal do Estadual Sub-17
- 18 de Outubro de 2026 BNDES já aprovou R$ 244,1 milhões do Brasil Soberano para apoiar setor produtivo de Mato Grosso do Sul
- 18 de Outubro de 2026 Bacia do rio Paraguai apresenta níveis dentro da normalidade na maior parte dos pontos monitorados
- 18 de Outubro de 2026 Funtrab oferece mais de 2,2 mil vagas de emprego em Mato Grosso do Sul

