Política
Audiência da Câmara de Campo Grande é ponto de partida para recuperação da ferrovia Malha Oeste
Audiência Pública foi realizada na manhã de sexta-feira, 15 de agosto, na Câmara Municipal de Campo Grande.
Sáb, 16 Agosto de 2025 | Fonte: Assessoria de Imprensa

Audiência Pública, promovida na manhã de sexta-feira, dia 15, pela Câmara Municipal de Campo Grande, foi considerada um ponto de partida fundamental para avançar na recuperação da ferrovia Malha Oeste. Essa nova conexão é importante para avanços no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, para otimizar o escoamento da produção do Estado, reduzindo custos logísticos, além de ser estratégica para a Rota Bioceânica, ligando o Brasil aos portos do Pacífico. O debate foi proposto pela vereadora Luiza Ribeiro.
Vereadores receberam para o debate especialistas no setor de logística e ferrovia, ministros, deputados federais e estaduais, secretários estaduais, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul, que solicitou a Audiência, além de vereadores de municípios do interior de Mato Grosso do Sul e de Bauru (SP). Representante do Consulado da Bolívia também esteve presente.

“Foi um ponto de partida muito importante, porque nós estávamos aguardando uma decisão do Tribunal de Contas da União. A decisão veio favorável ao pensamento que esse grupo que está aqui tem, que é de fazer a reativação imediatamente, uma reativação que seja capaz de atender todo o setor produtivo”, afirmou a vereadora Luiza Ribeiro. Ela acrescentou que novas discussões já estão agendadas para agilizar a retomada da ferrovia. “Já saímos daqui com o compromisso de fazermos um seminário que envolva todas as câmaras, prefeitos e prefeitas, vereadoras e vereadores de todo Mato Grosso do Sul e do interior de São Paulo, para que a gente possa reunir mais força pela imediata reativação da Malha Oeste”, acrescentou a vereadora, citando que é inaceitável deixar essa ferrovia parada.
O vereador Epaminondas Neto, o Papy, presidente da Câmara Municipal, ressaltou o compromisso da Câmara em ter protagonismo nos grandes debates da cidade. “Você só consegue esse protagonismo quando coloca em discussão grandes assuntos, esclarecendo para a população”, afirmou o vereador, que enfatizou ainda o papel dos vereadores e vereadoras como interlocutores com outros setores e poderes. Ele ressaltou ainda o papel fundamental da Ferrovia Malha Oeste para o desenvolvimento de todo o Estado e da Capital.

“Minha expectativa é que Campo Grande seja ponto de partida para nossa luta”, afirmou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ele enfatizou a importância da integração com novos mercados, principalmente asiáticos, que concentra maior parte da população mundial. “Temos que mobilizar todas as câmaras da Malha Oeste, ferroviários, cidadãos e mostrar a necessidade dessa integração”, pontuou. Na Audiência, ele fez um amplo resgate histórico do papel da ferrovia no desenvolvimento e falou das perspectivas para essa reativação.
Ferrovia – A Malha Oeste é uma ferrovia de 1.973 km que conecta Mairinque (SP) a Corumbá (MS). Conforme a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a infraestrutura da Malha Oeste, incluindo sua via permanente, encontra-se depreciada. Durante anos, a atual concessionária realizou investimentos em patamares insuficientes para a sua manutenção, o que acarretou perda da capacidade de transporte. O Tribunal de Contas da União não aceitou a repactuação, proposta pela empresa Rumo, que está responsável pela concessão atualmente. Desta forma, abre-se caminho para a ferrovia ser relicitada.
O ministro da carreira diplomática e coordenador nacional dos Corredores Rodoviário e Ferroviário Bioceânicos, João Carlos Parkinson de Castro, citou a problemática da queda da utilização de ferrovias no País. “A movimentação de carga é atualmente negligenciada. Houve sensível depreciação dos ativos ferroviários. Não faz sentido deixar de explorar esse potencial que a Malha Oeste nos oferece. Temos que integrar nossa ferrovia e explorar em bitola métrica com Bolívia, Argentina e o Chile”, afirmou.
O deputado federal Vander Loubet defendeu que a é preciso que o investimento ocorra em toda ferrovia, alertando que setores estratégicos querem dividir os trechos para recuperação, iniciando por Campo Grande a Três Lagoas. ”Esse é maior erro, se deixarmos acontecer. Temos que discutir o todo”, ressaltando que a discussão sobre bitola já foi superada. “Acho que temos que fazer toda a movimentação da bancada federal para discutir essa questão no todo da ferrovia, pois ela é extremamente viável”. Ele enfatizou ainda que se modernizada e integrada a ferrovia pode se transformar no grande corredor logístico do Centro-Oeste.
Representando a Assembleia Legislativa, o deputado estadual Zeca do PT também criticou a possibilidade de “fatiar” a ferrovia, acrescentando que há carga e potencial para que seja utilizada em todos os trechos. “É preciso relembrar o papel estratégico e histórico da ferrovia para nossa região”.

Custos – Pelo Sindicato dos Ferroviários da Noroeste do Brasil, Roberval Duarte Placce, explicou hoje que apenas 70 km da ferrovia Malha Oeste vem sendo operado atualmente, com menos de 150 ferroviários atuando. “Nosso ramal está abandonado desde o começo da privatização, mas gostaria de focar no futuro. Esse modelo e nova remodelagem precisam de um amplo processo de mobilização de todas as forças políticas. A ferrovia pode ter custo para entrar em operação, mas quanto custa ela estar parada hoje? Tem o custo de mortes e encarecimento dos produtos. Então, é urgente a gente estar com um projeto amplo, e precisamos de uma grande unidade nacional para levar isso a frente”.

José Augusto Valente, ex-secretário de Política Nacional de Transportes, também levantou a discussão sobre quanto custa a ferrovia abandonada como está atualmente. “Tem um custo muito elevado à sociedade sul-mato-grossense, paulista e para todo o Brasil, além dos países próximos”, afirmou, citando problemas como poluição, frete alto e acidentes. “A questão fundamental é que existe um ativo muito importante, que é a Malha Oeste. Esse ativo está jogado às traças. Não tem utilidade e por não estar sendo utilizado tem um custo elevado”, afirmou. Ele citou o trabalho da Infra S.A., empresa pública federal, que já faz a integração de outras ferrovias. Luiz Antônio Sola, representante da Infra, também participou do debate, falando sobre a viabilidade de reconstrução da Malha Oeste.
O engenheiro ferroviário Afonso Carneiro Filho fez uma apresentação técnica durante a Audiência, esclarecendo ainda sobre o papel do corredor ferroviário bioceânico Brasil-Peru, conectando Atlântico e Pacífico. A meta é reduzir em até dez dias transporte para a Ásia e reduzir em 20% os custos logísticos, o que mostra a viabilidade para o desenvolvimento econômico. A inauguração do Porto de Chancay, no Peru, também é vista como estratégica na integração.
O secretário estadual da Casa Civil, Eduardo Rocha, falou da expectativa de crescimento de 6% para Mato Grosso do Sul, citando a industrialização e o pleno emprego, além da expectativa com a Rota Bioceânica. Ele informou que o governador Eduardo Riedel está na Ásia buscando novos investimentos para MS. “O Governo tem interesse nessa discussão. Essa ferrovia tem que voltar, essa luta é do Governo Federal, do Governo do Estado e das prefeituras”, pontuou, citando os investimentos com as grandes fábricas de celulose, na região de Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Inocência (em construção), além da exportação de minério, de Corumbá.
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