Política
Casos de feminicídio recuam 11,45% nos primeiros meses do Pacto Brasil Contra o Feminicídio
Dados mostram redução em comparação com o mesmo período de 2025. O país passou de 262 vítimas nos dois meses de 2025 para 232 em 2026: 30 mulheres a menos assassinadas.
Qui, 18 Junho de 2026 | Fonte: Secom
Levantamento consolidado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontou uma redução de 11,45% nos casos de feminicídio registrados nos meses de abril e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados mostram que o país passou de 262 vítimas nos dois meses de 2025 para 232 em 2026, o que representa 30 mulheres a menos assassinadas em razão da condição de gênero no período analisado.
A redução foi ainda mais expressiva em abril. O número de vítimas caiu de 142 para 108 casos, uma diminuição de 23,94% em relação ao mesmo mês de 2025. Em maio, foram registrados 124 feminicídios, frente aos 120 contabilizados no mesmo período do ano anterior.
O resultado é observado nos primeiros meses de implementação do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo Governo do Brasil em fevereiro deste ano, e durante a ampliação das ações integradas de prevenção e repressão à violência contra a mulher conduzidas pelo MJSP.
Para o ministro Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), os dados reforçam a importância da atuação articulada entre os diversos órgãos envolvidos na proteção das mulheres. “Cada feminicídio representa uma tragédia irreparável para famílias, comunidades e para toda a sociedade brasileira. Por isso, o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade permanente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A redução registrada nesse período demonstra que a integração entre União, estados, municípios e sistema de Justiça pode produzir resultados concretos quando colocamos a proteção das mulheres no centro das políticas públicas”, comentou.
OPERAÇÃO MULHER SEGURA — Uma das principais iniciativas em curso é a segunda edição da Operação Mulher Segura, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e realizada em parceria com o Ministério das Mulheres, a Polícia Rodoviária Federal, as secretarias estaduais de segurança pública, polícias civis, militares, penais, corpos de bombeiros e guardas municipais.
Lançada em 1º de junho, a operação seguirá até dezembro de 2026 e tem como foco o enfrentamento à violência contra a mulher e a prevenção ao feminicídio.
Nos primeiros 15 dias desta nova fase, a operação já contabilizou:
- 630 prisões relacionadas à violência contra a mulher;
- 218 ações educativas presenciais;
- 95 ações educativas em mídias sociais;
- 12.452 pessoas alcançadas em atividades presenciais de prevenção;
- mais de 2 mil mulheres atendidas pelas redes de proteção e acolhimento.
A atual edição sucede a primeira Operação Mulher Segura, realizada entre fevereiro e março deste ano, que resultou na prisão de mais de seis mil agressores em todo o país e consolidou um modelo de atuação integrada voltado à proteção das mulheres.
MOBILIZAÇÃO — O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio reúne Executivo, Legislativo e Judiciário para fortalecer ações de prevenção, proteção, responsabilização de agressores e assistência às vítimas. A estratégia busca ampliar a integração entre instituições, fortalecer políticas públicas voltadas às mulheres e promover ações coordenadas para reduzir os índices de violência de gênero em todo o país.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou que o enfrentamento à violência de gênero exige atuação permanente e integrada em todo o território nacional. “A redução observada em abril e maio é um sinal importante de que estamos avançando, mas o desafio continua sendo enorme. O feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo de violência que precisa ser interrompido antes que a tragédia aconteça. Por isso, estamos fortalecendo a integração entre as forças de segurança, ampliando ações preventivas, qualificando investigações e reforçando a proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade. Salvar vidas exige presença do Estado, coordenação e ação contínua”, afirma.
Para Chico Lucas, os resultados observados nos meses de abril e maio reforçam a importância de manter e ampliar os esforços conjuntos de prevenção, proteção e responsabilização, garantindo que a redução registrada se consolide ao longo do ano e contribua para salvar ainda mais vidas.
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