Política
Símbolo da história do Brasil e de MS, Forte Coimbra completa 250 anos e será restaurado
A construção data de 1775 – na margem direita do Rio Paraguai, próximo à tríplice fronteira com a Bolívia e o Paraguai – e foi tombada pelo Iphan em 1974.
Dom, 21 Setembro de 2025 | Fonte: Natalia Yahn/Agência de Notícias MS

Um dos símbolos históricos de Mato Grosso do Sul, o Forte Coimbra, localizado no Pantanal, completou 250 anos e vai ser totalmente restaurado, com apoio do Governo do Estado.
Para preservar a história e a memória da construção, durante a celebração realizada neste sábado (20) foi lançada a pedra fundamental da obra de restauração do monumento, orçada em R$ 19 milhões.
O governador Eduardo Riedel e o ministro da Defesa, José Múcio, além do comandante do Exército, general Tomás Paiva e o comandante do CMO (Comando Militar do Oeste), general Alcides de Faria, participaram da solenidade militar organizada pelo CMO, na base localizada no Pantanal – na região do Nabileque, em Corumbá.

“Eu estive no Forte Coimbra para conhecer um pouco de toda a história, a gente não pode esquecer, em momento algum da nossa origem, formação, de onde viemos. A gente vive um Estado em pleno desenvolvimento, com talvez os menores índices de desocupação do país, com crescimento de PIB acelerado, e empresas que estão vindo para o Mato Grosso do Sul. Passamos por uma transformação, no eixo de segurança alimentar e de transição energética, e temos na sustentabilidade o grande ativo dessa transformação. E quando associamos sustentabilidade com a nossa história, que é um ativo imaterial, eu não tenho dúvida nenhuma que aqui tem um ativo com potencial fantástico”, disse Riedel.
Importante para a história do Brasil, o Forte de Coimbra – marco da engenharia militar brasileira – desempenhou papel estratégico na defesa do território durante a definição de limites entre Portugal e Espanha.



"A melhor forma de nós projetarmos o futuro é conhecermos a nossa história, respeitarmos os nossos heróis, ter conhecimento de quanto foi difícil a luta por eles. Hoje é difícil chegar aqui, imagine naquela época cuidar das nossas fronteiras . Eu estou assim, extremamente orgulhoso. Eu parabenizo as Forças Armadas por cuidarem das nossas fronteiras, nós temos muito que lutar por uma sociedade melhor, por um país mais justo, para que nossos filhos possam viver com mais dignidade. Eu conversei com o governador (Eduardo Riedel) e ele está entusiasmado em participar, e tem o acesso que também vai continuar pelo Pantanal, que está com metade pronta. Mas o importante é que cada um cuide da sua parte para que nós possamos fazer um projeto único que sirva o povo do Mato Grosso do Sul, que sirva o país e que sirva as futuras gerações", disse José Múcio, ministro da Defesa.


A construção data de 1775 – na margem direita do Rio Paraguai, próximo à tríplice fronteira com a Bolívia e o Paraguai – e foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1974.
“Com esta celebração dos 250 anos do Forte, damos um exemplo para o Brasil de como a gente integra a sociedade, com o Estado e o Exército Brasileiro. Com respeito, continuidade e comprometimento, para preservar esse patrimônio, valorizar a cultura para que as pessoas possam visitar e ver o que aconteceu no passado e como isso foi importante para a integração no Brasil. É uma aula de história e cidadania, com tolerância, respeito, integração”, disse o general Tomás Paiva, comandante do Exército.
Ao longo de sua trajetória, a fortaleza testemunhou diversos conflitos, como a Guerra da Tríplice Aliança, em 1864, e se consolidou como base de apoio em operações das Forças Armadas no combate a ilícitos fronteiriços e na proteção do Pantanal, incluindo ações de prevenção e controle de incêndios florestais.
A propriedade da construção é do Exército, que mantém uma guarnição na área, que tem uma vila de moradores devotos à Nossa Senhora do Carmo, padroeira do local, onde anualmente se comemora sua festa religiosa (16 de julho), uma das mais antigas do Estado.
Com a reforma ampla, o Forte estará apto a pleitear o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), fortalecendo sua relevância histórica, cultural e estratégica.
“Estamos com o Governo do Estado nos apoiando. A intenção é que o Forte se torne efetivamente um patrimônio mundial”, disse o general e comandante do CMO, Alcides de Faria Júnior.
Também participaram da solenidade o vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha) e os secretários Antonio Carlos Videira (Sejusp), Jaime Verruck (Semadesc) e Marcelo Miranda (Setesc), além do presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de MS), desembargador Dorival Pavan e o presidente da ALEMS (Assembleia Legislativa de MS), deputado estadual Gerson Claro, e outras autoridades militares do país.


A comemoração teve início na sexta-feira (19), em Corumbá, com um concerto da banda do CMO, realizado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E no sábado (20) uma cerimônia militar encerrou o evento, com show do cantor sul-mato-grossense Almir Sater, realizado às margens do Rio Paraguai.



Restauração
O Governo do Estado é parceiro da iniciativa garantindo o acesso terrestre ao monumento, por meio da implantação da MS-454, obra de R$ 40 milhões que visa fomentar o potencial turístico sustentável do Forte de Coimbra, promovendo a preservação histórica e cultural, a educação patrimonial, reforçando a imagem de Mato Grosso do Sul e do Brasil no cenário internacional.
“Nós, enquanto poderes constituídos e responsáveis pela condução do Estado, temos obrigação de viabilizar, restaurar o Forte e potencializar para o Brasil e o mundo. A nossa história é importante para o país e para o Mato Grosso do Sul. Fico muito emocionado de estar no Pantanal, e por toda a celebração pelos 250 anos de Forte Coimbra, e a revitalização. E convido a iniciativa privada a participar desse processo, porque é um monumento que certamente vai ser reconhecido pela Unesco, o processo já está avançado, é uma referência global para a história da América do Sul. O Exército Brasileiro tem sido um grande parceiro, no processo como um todo de elaboração do projeto, da empresa que está assessorando, que fez o projeto de revitalização e restauração. Então, é um patrimônio do Brasil que o Exército tem um carinho enorme por ele e nós também. A parceria é mais do que natural e nós seguimos firmes para viabilizar essa restauração e a valorização desse ativo histórico que o Mato Grosso do Sul detém", disse Riedel.
A restauração foi contratada pelo Iphan e viabilizada por meio de um acordo entre CMO e a APPA (Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes), que fará a captação de recursos por meio da pela Lei de Incentivos.

História
A fundação do Forte começou em 1775, quando o capitão Matias Ribeiro da Costa foi designado pelo Capitão-General da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, para erguer uma fortificação estratégica que assegurasse a presença portuguesa e mantivesse os espanhóis afastados.
Inicialmente, o Forte, era modesto, com uma paliçada de troncos de carandá e construções cobertas de palha. Em 1797, o tenente-coronel Ricardo Franco de Almeida Serra assumiu o comando do Forte e projetou uma nova estrutura em pedra e cal, de forma inovadora e estratégica, adaptando a construção às curvas da colina à beira do rio Paraguai.
Em 1801, durante a guerra entre Portugal e Espanha, Ricardo Franco reorganizou as defesas com aproximadamente 50 soldados e 60 civis, enfrentando quatro navios espanhóis com cerca de 900 combatentes. Após nove dias de cerco, o Forte resistiu, consolidando sua importância estratégica.
Décadas depois, em 1864, o Forte voltou a ser atacado por forças paraguaias na Guerra da Tríplice Aliança. Com cerca de 150 militares, 20 indígenas aliados e famílias residentes, a resistência contribuiu para a sobrevivência de todos.
A imagem de Nossa Senhora do Carmo, erguida pelo corneteiro Verdeixas, surpreendeu os atacantes e a desistência do ataque foi atribuída à proteção divina. O Forte permaneceu sob domínio paraguaio por quatro anos e foi reconstruído em 1868 pelos brasileiros, nos moldes no qual se encontra atualmente.


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