27 ℃

Rosildo Barcellos

A ABJEÇÃO DO OPRÓBRIO

Sáb, 18 Julho de 2026 | Fonte: Rosildo Barcellos


A ABJEÇÃO DO OPRÓBRIO
Encontro das águas

Um dos momentos divinos do norte do país é quando nossos olhos chegam perto do encontro das águas. Lá a presença de Deus é evidente. Os rios Negro e Solimões não se misturam, apesar de caminharem juntos, a harmonia da natureza transcende em decorrência das diferentes temperatura e velocidade, de uma e de outra. O Rio Negro é mais quente, menos denso e mais ácido, porque ele corre em uma área de formação geológica mais antiga. Ao seu lado, Solimões majestoso flui com ternura fraterna. E um dos assuntos que são recorrentes na pauta das discussões, que é o sistema de cotas. É um caminho visto por alguns como a redução da exclusão e visto por outros como uma segunda forma que discriminação. Em verdade o conceito mais usado é que a suposição de que cotas para egressos de escolas públicas vá democratizar a sociedade. Penso, entretanto, que a solução aponta para a melhoria da qualidade da escola pública e não a derrubada do nível de exigência da universidade. Em termos de legislação, tivemos  a lei estadual n°3.594/08  de autoria do deputado Amarildo Cruz que previa que 10% e 3% das vagas nos concursos na Administração Direta e Indireta do Poder Executivo Estadual sejam destinadas a negros e indígenas, respectivamente. 

Acontece que concurso vestibular, não mede a capacidade de alguém em frequentar um curso superior, restringindo-se a ser portador da definição de ingresso em função das vagas oferecidas. E eu posso dizer isso com propriedade pois fiz e passei em treze vestibulares, ressalto que em alguns, com a primeira colocação, e dez concursos também com o primeiro lugar geral e sem cotas, inclusive como taquígrafo. Todavia “o passar ou na passar ”precisa ser considerada a razão das circunstâncias especiais que o envolve, capazes de provocar o nervosismo do candidato, que afeta o desempenho dos postulantes a vaga, no momento do exame, entre diversos outros fatores de instante. Ressalto também os exemplos históricos. No Congo do século XIX, Hutus e Tutsis se misturavam e tendiam a se tornar um único povo, quando de repente o colonizador belga resolveu impor cotas em empregos e na educação. Foram concedidos documentos raciais diferentes para os dois povos, que começaram a desenvolver processos de afirmação étnica por oposição entre si. 

Passou o tempo e Ruanda, que era um dos menores e mais pobres países do mundo, transformou-se no terceiro país africano que mais importava armas. Entre janeiro de 1993 e março de 1994, graças ao financiamento francês, o país conseguiu da China mais de 580 mil machetes a preço de liquidação. Sedimentou-se assim um dos episódios mais bárbaros da história da humanidade culminando em 1994, quando em apenas três meses mais de 800 mil pessoas foram chacinadas em sua maioria a golpes daqueles machetes adquiridos. Do processo de independência de Ruanda até o genocídio, os conflitos étnicos foram frutos da disputa política dentro do país e resultaram no produto das decisões de se diferenciar as pessoas. 

Evidentemente este assunto traz em seu bojo a complexidade que lhe é peculiar, e advogo que este assunto não se esgotará facilmente, o que, sem dúvida, trará ainda muito calor à discussão. E continuemos na luta !

*Articulista

 

Correio de Corumbá

SIGA-NOS NO Correio de Corumbá no Google News

 
 
 

Veja Também

FÍGADO, UM ALIADO NO NOSSO BEM ESTAR

O Julho Amarelo é uma campanha nacional voltada para a conscientização e combate às hepatites virais. A campanha traz em seu bojo um alerta a população sobre...

MI ALMA SENTIMENTAL

Particularmente posso afirmar que a música é verdadeiramente a raiz da cultura.Tenho certeza que seria uma outra pessoa, se não houvesse crescido entre os ac...

UMA HISTÓRIA DE SUCESSO

Por trás de cada olhar, certamente existe uma história que ninguém conhece … mas que a maioria se acha capaz de julgar. Por isso somos pássaros cativos numa ...

A RETOMADA DE CORUMBÁ

Indubitavelmente, torna-se difícil entender a história de Mato Grosso do Sul sem prescrutar as nuances da “Guerra do Paraguai”. As repercussões culturais que...