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Agronegócio

Tarifas de Trump atingem agro e afetam mais o Irã do que o Brasil, avaliam associações

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, o setor será impactado mais a curto prazo, caso o Brasil decida não exportar mais para lá.

Ter, 13 Janeiro de 2026 | Fonte: Brasil 247


Associações de produtores de milho e soja, que representaram 87,2% das exportações brasileiras ao Irã no ano passado, demonstraram preocupação com as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos contra o país asiático. Mas, conforme essas entidades, o povo iraniano sentirá mais o impacto em comparação com o Brasil.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o setor será impactado mais a curto prazo, caso o Brasil decida não exportar mais para lá. Os relatos foram publicados no jornal O Globo.

“Existem contratos andando, tem a programação de navios para os embarques que vão para lá. Se, de uma hora para outra, o Brasil decide não exportar mais para o Irã sob ameaça dos Estados Unidos, isso vai afetar no curto prazo tudo isso que está contratado. No médio prazo isso se ajeita, mas no curto prazo há um impacto”.

O milho representou 67,9% das exportações brasileiras ao Irã em 2025, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão. A soja correspondeu a 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.

O Irã fica em 11º lugar entre os principais parceiros comerciais do agronegócio do Brasil. “O Irã tem sido um grande consumidor de milho brasileiro, um consumidor estável, ele vinha na faixa de 3 a 4 milhões de toneladas de compras desde 2020, e o ano passado surpreendeu, porque o consumidor comprou mais de 7 milhões de toneladas. Então é um mercado relevante de quase 2 bilhões de dólares, no caso de milho”, disse o presidente da associação.

Mas, segundo Bertolini, o maior impactado pela medida poderá ser o próprio Irã, já que o país é dependente da produção brasileira. Segundo ele, a produção mundial de milho é dividida principalmente entre três países: Estados Unidos, Argentina e Brasil, que, juntos, representariam a maior parte do comércio internacional de milho.

“O Irã fica muito sem alternativa de onde suprir o seu mercado. Outro país que teria condições de exportar milho é a Ucrânia, só que está em guerra”, afirmou. “Então, nós estamos imaginando que as tarifas sejam para outros tipos de produtos e que não incorram sobre alimentos, porque não teria de onde o Irã suprir o mercado de uma forma direta. Talvez, indiretamente, poderia suprir o seu mercado um outro país pegando, comprando milho e aí transportando para o Irã, mas de uma forma direta não teria de onde o milho sair. O Trump condenaria toda uma população do Irã à fome”.

Correio de Corumbá

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