Ahmad Schabib Hany
MARCHA DO SILÊNCIO
Dom, 21 Junho de 2026 | Fonte: Ahmad Schabib Hany
"Te abracé en la noche / Era un abrazo de despedida / Te ibas de mi Vida / Te atrapó la noche / La oscuridad traga y no convida / Quedé a la deriva / Tal vez fue un derroche / Los sentimientos más bendecidos / Flotan como idos // Te besé en la noche / Con un sabor desaparecido / que se fue contigo..." (Fernando Cabrera, Te abracé en la noche, 2002)
A composição em destaque, um hino de rara sensibilidade, é de autoria do poeta Fernando Cabrera em homenagem às incontáveis vítimas das ditaduras latino-americanas, em sua maioria desaparecidas, retiradas de seus lares no meio da noite para nunca mais serem vistos com vida. No Uruguai a Marcha do Silêncio, em homenagem aos mortos e desaparecidos, acontece em 20 de maio.
Sei que há muitos/as 'bons moços/as' que dirão: "E eu com isso?" Pobres diabos. Quem não conhece a história não passa de um/a reles teleguiado/a. Sem alma.
Embora não justifique, compreendo o cafajeste enrustido, recalcado, que por trás dessa máscara de 'bom moço', 'bom cristão' -- boa moça, 'boa cristã' --, há: um monstro, horrível, fétido, sórdido, desprezível.
Mas não consigo odiá-lo/a. Nem desprezá-lo/a. Só sinto pena. Porque -- aprendi com meus sábios Pais, de saudosa memória -- que em nossos corações não pode haver espaço para peçonha, insolência, inveja, soberba, desídia. Enfim, para a pusilanimidade e tudo que pode conter a falta de caráter e de empatia.
A vida, tão breve, efêmera, nos impede de carregar maus sentimentos, sob risco de nos tornarmos igualmente pusilânimes. Como não há tempo a perder, temos que focar na interminável construção de uma sociedade melhor, não para nós, mas para quem vier depois.
Desculpe o/a estimado/a leitor/a. Mas não há como não tocar nesse tema, que infesta estes tempos mesquinhos, e por isso desafiadores.
Na Casa Branca um cínico pedófilo ousa se passar por Cristo e se dá o direito de invadir nações que sequer sabe onde ficam e qual a sua contribuição para a humanidade. Na Argentina, um recalcado fantoche destrói acintosamente tudo o que consumiu décadas e vidas para se construir. Na Bolívia, um mau-caráter covarde entrega tudo o que ainda resta do patrimônio público e das riquezas naturais e acirra ainda mais a animosidade.
No Brasil o filho mais sórdido do canhestro genocida (jamais vamos esquecer as mais de 500 mil vítimas da Covid-19, inclusive em Corumbá os saudosos Padre Pasquale Forin, Andrés Corrales Menacho, Dom Segismundo Martínez Álvarez e Pastor Altair Ribeiro da Silva), o 'Zero-Hum', seguindo roteiro de marqueteiros pagos com dinheiro mal-havido do Master, da Arábia Saudita et caterva, causa prejuízos ao Brasil e à soberania nacional ao pedir ao pedófilo da Casa Branca para interferir nas questões internas do país, um ato de lesa-pátria que precisa ser punido exemplarmente.
Nem Corumbá está imune às investidas dessas hordas peçonhentas. Dias atrás, em que houve uma Audiência Pública da Assembleia Legislativa por iniciativa do Deputado Pedro Kemp, certa figurinha carimbada tentou 'roubar a cena' e 'pisou no tomate', sem qualquer constrangimento. A esperteza é como casca de banana, e ao querer dar uma de esperto demais, acabou expondo sua santa ignorância. Mais: seu negacionismo ancestral o traiu diversas vezes. Que dó!
Depois não sabem por que Corumbá vive a desandar, em compasso de espera desde que Mato Grosso do Sul foi criado, há quase 50 anos. Lamentavelmente, a fuga recorrente de cérebros faz com que a mediocridade reine sobejamente entre as rapinas que assediam o rico patrimônio pantaneiro, cujo povo é o mais valioso, mas curiosamente preterido.
Se essa demagogia não fosse tão desbotada, caberiam estas perguntas: há um vazio assistencial do SUS no Pantanal, por que, então, não colocar logo as UBSs e Ambulanchas no Pantanal? A vida do pantaneiro vale menos? Ou os velhos esquemas são mais importantes? Afinal, por que falar 'em nome do povo' e não ouvi-lo, consultá-lo?
Aliás, em cidades com as características do outrora centro cosmopolita cujo último representante foi o querido Senhor Jorge Katurchi, de saudosa memória, é muito difícil manter conchavos em segredo por muito tempo. Um Amigo (com letra maiúscula) comum com a tal 'figurinha carimbada' que quis roubar a cena acabou, involuntariamente, por revelar a estratégia para tal proeza, que pelo visto ficou aquém do combinado. Mais neurônio e menos vaidade, senão a fonte também vai ter períodos de seca...
Agora, cá prá nós. Em vez de recorrer ao velho prato requentado de 'polo disso' e 'polo daquilo', não cair na real: com muito menos verbas de investimento e maior retorno imediato (e, para os que gostam, grandes impactos eleitorais) é possível transformar Corumbá e todo o Pantanal naquilo que a vocação natural a história já provou, basta ter humildade e bom senso. Comércio, educação de nível (agora superior, obviamente), saúde de qualidade, turismo sustentável. É uma questão de opção, porque não é preciso recorrer a pirotecnias, basta ter humildade e enxergar a realidade com base na ciência, na história e, inclusive, nos saberes ancestrais dos verdadeiros donos do Pantanal, gostem ou não.
Eis a Marcha do silêncio. Que marca prudência, com decência. E, para quem gosta de refletir, mesmo em tempos de volúpia e compulsão, do iluminado mas mal-amado Sócrates, o filósofo (embora o jogador e médico também fosse iluminado e muitas vezes mal-amado, sobretudo por sua "Democracia Corintiana"), condenado à morte por "desencaminhar" os jovens (difamar quem ensina não tem qualquer originalidade, nem nisso são originais): "A verdadeira sabedoria chega a cada um de nós quando percebemos o quão pouco entendemos da vida."
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