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Gregório José

UM GUIA PARA VIVER MELHOR ENTRE SAPATOS VELHOS E NOVOS HÁBITOS

Dom, 21 Junho de 2026 | Fonte: Gregório José


Ah, a vida, esse espetáculo tragicômico onde todos querem o papel principal, mas ninguém sabe direito o roteiro! Sim, sim, seja sempre grato pelo que você tem. Afinal, o seu sapato velho e furado, que mais parece uma arca de Noé particular para suas meias, é o sonho de quem anda descalço, batendo os pés nas pedras da existência. Não ria, é sério. Para alguém, aquele seu sapato que já deveria estar num museu de tão desgastado, é um tesouro.

E veja bem, aquele prato de arroz com feijão que você olha com desprezo como se estivesse encarando um grande inimigo, é o banquete imaginário de quem dorme com fome. Ah, a fome, essa inconveniente que nunca pede licença para entrar! Mas nós, claro, estamos ocupados demais reclamando das calorias extras.

Agora, sobre a sua casa, aquela que você considera pequena e velha, mais caindo aos pedaços do que habitável... bem, tem gente que sonha com esse seu palacete. Paga aluguel e mal sobra para o jantar. E quando paga, deixa de comprar o pão. Ah, como é dura a matemática da sobrevivência! E você, claro, está lá, resmungando do azulejo que saiu da parede como se fosse um grande escândalo.

E o trabalho? Ah, o trabalho! Aquele fardo pesado, com chefe chato e salário curto. Aquele que você jura que é uma tortura medieval moderna. Pois bem, tem gente que daria o braço — literalmente, se preciso fosse — para estar no seu lugar. Ah, mas claro, isso não muda o fato de que você acha que está vivendo uma versão mais longa e menos glamorosa de "Os Miseráveis".

E o seu filho, essa pequena máquina de caos e desordem, que te faz questionar a sanidade e o sentido da paternidade? Bem, ele é o sonho inalcançável de quem não pode ter filhos. Sim, é, o mesmo que te faz pensar que, talvez, só talvez, existisse uma cláusula invisível no contrato da vida que te isentaria dessa parte.

Agora, vamos ao ponto que todos tentam ignorar: as pessoas. Ah, como são carinhosas, generosas, interessadas... em você? Não, claro que não! No que você pode fazer por elas. Faça um teste: pare de ser útil, de ser a fonte dos favores, dos préstimos, e veja quantos sobram para te dar bom dia. Sim, meus caros, a vida é um jogo de interesse, e não adianta fazer cara de ofendido.

Com o tempo, meus amigos, você perceberá que quanto mais envelhece, menos amigos tem. A boa notícia? Os que sobram serão os melhores ouvintes que você terá, não porque amam o som da sua voz, mas porque, provavelmente, já perderam parte da audição.

A vida é uma competição desde que saímos do útero. Nada de esperar o segundo lugar, não é? Não fomos criados para aceitar a derrota, embora seja um velho e fiel companheiro de todos. Queremos mais, mais, e sempre mais. O tempo todo. Nunca satisfeitos. E aí, por que será que o mundo está sempre à beira da guerra? Claro, estamos todos buscando conquistar algo, mesmo que não saibamos bem o que.

Então, meu amigo, aproveite. Durma bem, coma o que der na telha (quem sabe um pouco de brócolis aqui e ali), ame-se antes de tudo, e quando resolver fazer algo, faça bem feito. Deixe sua marca, mas sem exageros. Ah, e não esqueça de planejar o dia. Tenha metas. Ou não tenha, porque às vezes o inesperado é o que salva.

Invista no futuro — afinal, quem sabe o que o amanhã trará? E ensine, sim, ensine aos outros, delegue. A vida é um grande palco, e a peça que estamos encenando é, ao mesmo tempo, uma tragédia e uma comédia. Só depende de como você vê o show. Boa sorte, e lembre-se: o último a sair, apague a luz.

Correio de Corumbá

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