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Gregório José

A INDÚSTRIA DOS PARTIDOS E O CUSTO DA DISTORÇÃO DEMOCRÁTICA

Ter, 09 Junho de 2026 | Fonte: Gregório José


Continuo indignado com os valores “dado” aos partidos políticos para financiar campanhas e o luxo de poucos em detrimento de milhares de cidadãos. O argumento utilizado para defender o Fundo Eleitoral é conhecido.Afirma-se que o financiamento público reduz a influência econômica privada sobre as eleições.

É uma discussão legítima.

Mas uma discussão legítima não elimina uma pergunta inevitável.

Até que ponto o remédio não se transformou em doença?

Desde sua criação, o Fundo Eleitoral cresceu de forma impressionante. O montante alcançou R$ 4,9 bilhões nas eleições recentes, valor muito superior aos patamares observados em ciclos eleitorais anteriores.

Enquanto isso, milhões de brasileiros convivem diariamente com carências elementares.

O contraste é brutal.

O país que não consegue oferecer atendimento digno a todos os pacientes encontra bilhões para campanhas.

O país que enfrenta dificuldades em segurança pública encontra bilhões para campanhas.

O país que possui gargalos históricos em educação encontra bilhões para campanhas.

O país que acumula déficits em infraestrutura encontra bilhões para campanhas.

Há algo profundamente errado nessa equação.

Mais grave ainda é a existência de legendas cuja presença institucional é mínima, mas que continuam orbitando em torno dos recursos públicos como satélites permanentes do sistema político.

Muitas delas possuem reduzida capacidade de mobilização popular.

Pouca expressão eleitoral.

Baixíssima influência administrativa.

Número limitado de filiados.

Mas continuam participando da partilha.

O incentivo é evidente.

Quando o acesso ao dinheiro estatal se transforma em elemento central da sobrevivência partidária, surge um ambiente propício para a proliferação de estruturas cuja principal função deixa de ser representar a sociedade e passa a ser preservar a própria existência.

É a política financiando a política.

É o contribuinte financiando organizações que frequentemente não conseguem demonstrar peso equivalente na vida nacional.

Nenhuma democracia madura deveria sentir-se confortável com isso.

A democracia exige pluralidade.

Mas pluralidade não pode ser confundida com dependência permanente do Tesouro Nacional.

Representatividade deveria gerar recursos.

Tem partido com 12 mil filiados onde, a maioria destes, sequer sabe que está filiada a um partido político. Muitos assinaram o documento sem saber de que se tratava. Não dá mais para crer nesta bagunça institucionalizada. Chega!

Chega a dar nojo de ver isto ocorrer em um País como Brasil.

 

Correio de Corumbá

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