Luiz Carlos Amorim
FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS
Sáb, 11 Julho de 2026 | Fonte: Luiz Carlos Amorim
Não pude ir à Feira do Livro de Florianópolis, que aconteceu de 25 de junho a 4 de julho, no Largo da Alfândega, centro histórico da capital catarinense. Tive um acidente grave em um elevador que caiu comigo dentro, há dois anos, e tenho dificuldades para andar. Mas vi comentários decepcionados de alguns escritores amigos que participaram. Os desabafos foram parecidos. Muito pouco público, falta de atrações, falta de divulgação, falta de interesse – ou de dinheiro? – dos organizadores, nenhuma valorização da cultura local e dos escritores da terra, etc.
Não aconteceu a integração escritor/leitor, porque o público quase não existiu. E, cá pra nós, os escritores que compareceram foram poucos, pois eles não acreditam mais na eficiência da feira. Apenas nove estandes, sete deles pertencentes a livrarias. Livros à disposição dos leitores, mas com pouco público para usufruir deles. Não havia palestras, eventos culturais, concursos, coisas que atraíssem o leitor e que o mantivessem ocupados por ali por algum tempo. Faltou lançamentos de autores catarinenses, pois se os houve, foram poucos. A literatura da terra precisa ser valorizada.
Como disse o Giovani, o que ele viu foi “um evento sem identidade, sem propósito e incapaz de despertar o encantamento que os livros proporcionam ao leitor”.
E ele tem razão. A feira do livro de Florianópolis está ficando cada vez menor. E, com efeito, já tentaram acabar com ela há uns quantos anos atrás. Briguei, publicando artigos condenando a prefeitura da época e defendendo a permanência da feira e voltaram atrás, embora a falta de apoio continuasse. Cada vez mais sem apelo, sem atrativos que tragam o público até ela.
A feira do livro de Joinville, que este ano transformou-se em Festival Literário de Santa Catarina – um evento estadual, portanto – cresceu muito nos últimos anos e tornou-se um evento abrangente, com muito mais alcance. Mas por quê? Porque ela conta com o apoio do município, do Estado e da União. E os organizadores usaram bem esses apoios para tornar o evento cada vez mais grandioso, inclusive convidando grandes nomes da literatura brasileira e até internacional. Por exemplo, entre outros nomes, na edição deste ano, o escritor Valter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal, um dos maiores autores da língua portuguesa, esteve abrilhantando o Festival Literário de Santa Catarina. Há entrevista com ele na edição mais recente do Suplemento Literário A ILHA.
É um bom exemplo de que, se houver empenho e vontade de realizar, é possível fazer uma grande feira literária. A feira de Joinville cresceu sem parar, enquanto a feira de Florianópolis involuiu. A feira de Joinville é bem administrada, organizada por gente dedicada e que busca incentivos. Enquanto a de Florianópolis não tem dinheiro, porque não conta com a participação do Estado, do município e da União. Se conta, não dá pra ver. A única coisa que se vê é a disponibilidade do espaço. A feira precisa, além da participação do município, Estado e União, da iniciativa privada, além das vendas de estandes. Não sei se a reivindicação desses recursos todos está sendo feita, mas deveria.
Eu tentei ajudar, lutei por ela, evitei que fosse cancelada, mas agora mal posso andar, então fica mais difícil. Trouxe, em anos passados, autores de outras cidades do Estado para fazerem lançamentos de seus livros aqui, organizei antologias para trazer os autores catarinenses de vários pontos para confraternizar na feira, etc. Espero, sinceramente, que a feira do livro de Florianópolis sobreviva e possa crescer, para alcançar seus objetivos de apoiar a literatura local.
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