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Luiz Carlos Amorim

MINHA POESIA MENINA

Sáb, 18 Abril de 2026 | Fonte: Luiz Carlos Amorim


Vou publicar em breve a segunda edição da minha antologia poética NAÇÃO POESIA e isso me faz lembrar do grande amigo e grande escritor Júlio de Queiroz, que nos deixou muita saudade. Fui eleito a Personalidade literária do ano pela Academia Catarinense de Letras e Artes e assumi a cadeira 19 da Academia SulBrasileira de Letras, por causa deste livro. Foi muito bem aceito na época que foi lançado e o professor Júlio de Queiroz encantou-se com ele.

Algum tempo depois, recebi uma carta de outro grande escritor e amigo, Celestino Sachet, um dos baluartes da Literatura Catarinense. Ele foi o arauto que está sempre atento a tudo quanto se escreve no Estado, foi ele quem mapeou a produção literária catarinense e registrou tudo em obras fundamentais. Digo que foi, porque hoje o professor Celestino não está escrevendo mais, sua idade avançada já não lhe permite, mas está lúcido e bem. Recentemente participou de uma solenidade da Academia Desterrense de Literatura, quando foi homenageado.

Eu havia lhe enviado, logo que saiu do prelo, um exemplar da minha antologia poética “Nação Poesia” e ele leu, apreciou e me enviou a mensagem mais bonita que eu poderia receber, um testemunho espontâneo que me deixou atônito: tive que ler duas vezes para entender que era sobre o meu livro. E não posso deixar de dividir isso com todos vocês, antes de colocar na contracapa do próprio livro, em uma próxima edição:

“Meu poeta-menino, irmão gêmeo do menino-poeta. Na manhã de um domingo friorento e chuvoso, percorri teu livro com ganas de curtir poesia. E me dei bem!

Teu “Nação Poesia”, a partir da capa, é um primor. Na sequência em que fui namorando teus versos, descobri que você é um poeta com todas as letras da linguística e com todas as artes de teoria da literatura. Já me explico.

O teu poema é uma síntese moderna do Olavo Bilac, no “Profissão de Fé”, quando sugere “Torça, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim.”

A grande maioria de teus poemas tem este final de ouro. Tomo como modelo o poema “Poeta”. Dentro dos últimos cinco versos, veja a força que explode em “que me divido / em mais eus”.

Mas você é também Drummond, quando desafia – “Penetra surdamente no reino das palavras”. Só que você corrige Drummond e penetra “meninamente” na magia das palavras. Toda a sua (tua) poemática é de menino – Natal – passarinho – árvore – jacatirão.

Ah, seu bandido! Essas histórias de menino fazem saltar lágrimas no leitor. Um abraço de admiração do menino que continuo sendo.”

Então, não é para ficar prosa? É um especialista em literatura, dando o seu testemunho de leitor comum, pleno de sensibilidade. Obrigado, Mestre. Encho-me de orgulho com as suas palavras e agradeço por fazer tudo valer a pena.

Correio de Corumbá

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