Cultura
Arquivo Público Estadual e Iphan vão à Unei durante a Semana Nacional de Arquivos para falar sobre patrimônio cultural
Foram palestras sobre proteção patrimonial e sobre o tereré enquanto patrimônio cultural.
Sex, 07 Junho de 2024 | Fonte: Karina Lima/Assessoria FCMS

Como parte da programação da Semana Nacional de Arquivos, o Arquivo Público Estadual e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estiveram na manhã de quinta-feira, 06 de junho, na Unidade de Internação Provisória Novo Caminho em Campo Grande para falar aos internos e funcionários sobre patrimônio cultural. Foram palestras sobre proteção patrimonial e sobre o tereré enquanto patrimônio cultural.
Ronaldo Viana Taveira, diretor da Unidade de Internação Provisória Novo Caminho, explica que o convite para o Arquivo Público Estadual e para o Iphan para a realização das palestras surgiu a partir da necessidade de se conhecer mais sobre patrimônio cultural graças a um projeto que a instituição está participando: “Este projeto cresceu em nossa mente devido a uma ação que nós vamos fazer reunindo várias unidades de internação no Brasil, são 90 unidades que vão participar e foi proposto para nós fazermos algo sobre a nossa cultura e o que veio em mente para nós foi o tereré, que é uma cultura regional nossa, isso vai ser divulgado em todo o Brasil. Nós vamos levar nossa cultura para vários Estados. Nós queremos nos aprofundar e aprender mais sobre isso. Esse primeiro contato é justamente para nós discutirmos o tema e nos aprofundar. Em outro momento, que vai ser em julho, vai ser apresentado este trabalho. Os adolescentes vão aprender e levar esta cultura para outros Estados”.
Marleni Piereti Cavalheiro, analista de ações socioeducativas na função de pedagoga da Unei, disse que a instituição foi convidada pelo CNJ, Conselho Nacional de Justiça, que está fazendo o terceiro encontro nacional sobre cultura para os internos. “Ano passado a gente participou com escritas de cartas. Aí fomos convidados este ano e aí a gente pensou na nossa cultura, na cultura regional, porque vão participar várias outras entidades, acho que só o Rio Grande do Sul que não vai estar participando, são várias outras unidades do Brasil para apresentar este trabalho, que vai ser nos dias 11, 12, 16 e 17 de julho, vai ser feito online, as apresentações vão ser via Internet. A gente convidou a Fundação de Cultura do Estado e o Iphan para trazer alguma coisa da nossa cultura regional. A gente quer que eles conheçam a história toda do tereré e em cima disso a gente vai trabalhar com desenhos, gravuras, de repente escrever alguma coisa sobre isso. O encontro de hoje é de extrema importância porque os adolescentes conhecem o tereré, tomam o tereré, mas do histórico eles não sinalizam que conhecem nada, de onde surgiu, se tem algum benefício, como que veio parar na nossa cultura, porque a gente tem um Estado muito diversificado”.
José Augusto Carvalho dos Santos, técnico em História do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), falou que uma das funções do Iphan é passar o conhecimento sobre patrimônio brasileiro cultural. “A gente faz isso através de um programa nacional, o Educa Iphan. A gente age de duas formas principais: ou recebemos escolas, universidades, grupos, pessoas das mais variadas ongs, instituições no nosso espaço, palestramos e fazemos uma visita, ou como neste caso, vamos ao local que somos convidados e apresentamos uma palestra expondo um pouco do que é protegido dentro de Mato Grosso do Sul em nível federal”.
“A educação patrimonial é uma das balizas do nosso trabalho. Nós fazemos a proteção dos bens em nível federal dentro do nosso Estado mas também precisamos divulgá-lo, porque é na divulgação desses bens e do conhecimento sobre patrimônio que nós cooptamos a comunidade a participar dessa proteção. A Constituição diz que quem protege o patrimônio brasileiro são os órgãos federais, estaduais, municipais e a comunidade, então a gente precisa inserir a comunidade, por isso é importante fazer essas atividades de educação patrimonial. No meu caso específico é a primeira vez que eu venho trabalhar numa instituição como essa. Então nós estamos ao mesmo tempo empolgados e percebendo que vai ser uma interessante ação de divulgação e cooptação das pessoas para a proteção patrimonial”.
Douglas Alves da Silva, coordenador do Arquivo Público Estadual, falou aos sobre o tereré enquanto patrimônio cultural. “O tereré é um patrimônio cultural registrado pelo Estado de Mato Grosso do Sul e também foi recentemente reconhecido pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade. O tereré é uma bebida típica do nosso Estado que reflete muito as nossas raízes fronteiriças. O costume de tomar o tereré dividimos com Estados como Mato Grosso e um pouco da região Norte, do Estado do Paraná e principalmente o Paraguai. Ele reflete muito dessa nossa gastronomia regional e tem muita importância na formação dos nossos costumes. A erva mate tem algo muito enraizado na história do nosso Estado por conta da Companhia Matte Laranjeira, que foi responsável por um grande processo de industrialização, mesmo que na área de extrativismo vegetal, das folhas da erva mate, que era um produto beneficiado e exportado até mesmo para fora do país”.
“O Arquivo vai à Escola é um projeto do Arquivo Público Estadual de Mato Grosso do Sul e visa justamente oportunizar levar partes do acervo do Arquivo Público para o conhecimento da comunidade escolar, com assuntos que envolvam nossa história regional, a nossa cultura regional, com base em pesquisas realizadas pelo Arquivo ou dentro do Arquivo, dentro do nosso acervo, e com isso dar oportunidade que os jovens tenham acesso a fontes documentais que estão presentes no Arquivo Público. Na Unei é muito importante, é a primeira vez que o Arquivo vem a uma Unei, é importante porque ele amplia o nosso público, nós já fomos em universidades e escolas públicas estaduais, e é a primeira vez que vamos a uma instituição como a Unei, faz parte de uma questão de cidadania”.
O interno B.M.R., de 17 anos, disse que aprendeu muitas coisas hoje. “Aprendi que tudo bem desde lá do começo, precisa da pessoa que plantou, que colheu, a que trabalhou, da erva mate, foi o que eu aprendi. Eu já fui em vários lugares assim. Eu gostei bastante, conversaram com a gente, falaram tudo, mostraram, provaram que eles trabalhavam, ganhavam pouco, explicaram como eles ganhavam, foi o que eu entendi. Por trás de tudo tem uma grande história, o país inteiro tem uma grande história. Quando sair eu quero trabalhar, mas eu acho que vou trabalhar em mercado, como repositor ou atendente”.
M.D.S.F., 17 anos, disse que aprendeu sobre como a erva mate era feita e processada. “O que ele foi falando lá foi legal, eu gostei, ele falou bem como que o povo era tratado, os escravos, tinha pessoas que era de outra classe, que tinha mais dinheiro. Eu aprendi bastante coisa, se for parar para contar, é dias e dias. Quando eu sair daqui eu pretendo trabalhar. Quando eu estava na rua eu trabalhava de pintura, estava aprendendo a pintar, passar a massa e lixar, deixando pronto para pintar, eu quero fazer a mesma coisa, eu gostei desse serviço, de pintar carros”.
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