Cultura
Grafiteiros transformam rua da Vila Nhanhá na Capital em uma galeria de arte a céu aberto
Campão Graffiti começou na quinta-feira (6) com oficinas em escolas municipais e terminou neste domingo (9), com evento na Vila Nhanhá.
Qua, 12 Março de 2025 | Fonte: Assessoria de Imprensa

Mostrando que a arte não fica só dentro de museu ou galerias, grafiteiros fizeram da rua do Comércio, na Vila Nhanhá, em campo Grande um mural a céu aberto. O Campão Graffiti: Arte Urbana e Cultura, que aconteceu de quinta-feira (6) a domingo em Campo Grande, reforçou a força do graffiti como expressão cultural e ferramenta de transformação social.
O evento levou oficinas para estudantes das escolas municipais Prof. João Cândido de Souza (Anache), na quinta-feira (6), e Ione Catarina Gianoti Igydio (Noroeste), na sexta-feira (7), ambas localizadas próximas às aldeias urbanas Darcy Ribeiro e Água Bonita. A oficina foi ministrada pelo grafiteiro amazonense André Hullk, que guiou os jovens por uma experiência imersiva na conexão entre o grafite urbano e o grafismo ancestral.

"A oficina foi voltada sobre os povos originários, sobre a resistência e um pouco também sobre a vivência da minha cultura, no dia a dia. Foi essa junção entre o grafite regional e algo que traz sentido para mim e para as crianças refletirem", compartilha Hullk, que foi convidado para o evento e ministrou a oficina ao lado do grafiteiro idealizador do Campão Graffiti, San Martinez.
O entusiasmo dos alunos resultou em murais vibrantes, onde cada traço contava uma história. Para o grafiteiro, a experiência foi uma forma de abrir portas e despertar nos jovens o olhar para a arte como instrumento de expressão e identidade.
Uma Rua que Respira Arte
Neste domingo, foi a vez da Vila Nhanhá, um bairro frequentemente estigmatizado pela vulnerabilidade social, se transformar. A Rua do Comércio se converteu em uma verdadeira galeria de arte a céu aberto, com quase todas as casas grafitadas por artistas selecionados e convidados do projeto. O evento contou também com apresentações musicais de Pretisa (Dourados), Sb Gui e Dj Murphy (Campo Grande), e batalha de tags trazendo a energia do Hip Hop para as ruas.
"Eu acho maravilhoso, porque são esses lugares que precisam da arte. A gente tem que levar para quem não tem acesso. O grafite é isso: você vai onde mais precisam, e é uma alegria. Para mim, o grafite é tudo", emociona-se Gi Brandão, grafiteira pioneira de Dourados, que foi selecionada para participar.
A presença de artistas de fora do estado e do país reforçou ainda mais a dimensão do evento. Nomes como Ares Pillas (Luque-PY) e ArteurbanaPY (Pedro Juan Caballero-PY), além de criadores de cidades do interior, ampliaram a rede de conexões e intercâmbios culturais.

San Martinez, grafiteiro e produtor cultural idealizador do projeto, fala sobre a evolução da iniciativa: "A ideia surgiu em 2023, quando começamos a pintar as ruas da Vila Marli sem recursos. No segundo ano, conseguimos apoio da prefeitura e algumas lojas de tinta. Agora, na terceira edição, conseguimos financiamento via Lei Paulo Gustavo e trouxemos artistas de outros estados e do Paraguai. Transformamos o bairro, pintamos a ONG e levamos arte para um lugar que precisa de cor e vida".
Ele cresceu e morou boa parte da vida na Vila Nhanhá, por isso decidiu levar arte para o bairro. “A Nhanhá é o bairro onde eu cresci, onde vivi durante um bom tempo da minha vida e aqui sempre é estigmatizado, mal falado. Só que tem trabalhadores, pessoas que estudam, pessoas de bem, e a gente tá levando essa cultura, essa transformação social e visual pra esse bairro, pra que tenha cor, tenha vida. Temos que melhorar onde vivemos, e como eu morei aqui, eu vi o bairro muito sem cultura, sem incentivo, e agora a gente conseguiu trazer esse projeto pra cá”, pontua San.
Para os moradores, a mudança foi impactante. "Ficou lindo, muito bonito mesmo. Acho que vai dar um amor maior para a comunidade. As pessoas só sabem ver a Vila Nhanhá como outro mundo, mas tem crianças talentosas aqui", comenta Eliane Rocha, moradora do bairro há 15 anos.
Pablo Santana, que teve seu muro grafitado, também se surpreendeu: "O bagulho colorido representa a favela. Antes tava tudo meio apagado, agora fiquei vendo as letras diferentes, as cores. Ficou da hora!".
O Grafite Como Ponte Entre Culturas
Para André Hullk, a oportunidade de estar na Vila Nhanhá foi um reencontro com sua própria história. "Eu acho que foi por isso que me encantei pelo grafite. Ele vai onde nem todo mundo vai. A criançada, os jovens desses locais normalmente não têm como ir a um museu, assistir a uma exposição. O grafite ocupa esse espaço e leva a arte até eles. E, no fim das contas, a arte nos salvou."
Os artistas selecionados receberam um kit de pintura, alimentação no dia do evento e brindes especiais. "Toda a programação foi gratuita e acessível, reforçando o compromisso do projeto com a inclusão e a democratização da cultura", destaca San.
O evento foi realizado com financiamento da Lei Paulo Gustavo (LPG), do MinC – Ministério da Cultura, do Governo Federal, via edital da FCMS – Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Contou ainda com o apoio do coletivo TransCine – Cinema em Trânsito, Vitória Tintas, Montana Colors (MTN), Sherwin Williams, Águas Guariroba e Colorgin Voldemortink.
A Vila Nhanhá agora respira cor e identidade. Os muros contam histórias, as tintas gritam resiliência e cada traço desenhado transforma o que antes era apenas concreto em uma paisagem viva, pulsante, pertencente a quem sempre esteve ali.



Veja Também
Foram prorrogadas as inscrições até o dia 4 de julho (terça-feira) para a chamada pública do projeto "Agenda 2030: ODS nos Muros". O trabalho busca selecion...
Na última sexta-feira, dia 1º, foi realizada a inauguração dos murais de graffiti na EMEIEF Joaquim Camargo, no Bairro Guadalupe do Alto Paraná, em Selvíria ...
No próximo domingo, 10 de março, a partir das 9h, o cenário urbano da cidade de Campo Grande ganhará vida com cores vibrantes e mensagens poéticas com a real...
Em chamas, o Pantanal registra uma queimada a cada 15 minutos e vive atualmente o que pode se tornar a crise de seca mais grave de sua história. Até a última...
Últimas Notícias
- 03 de Junho de 2026 Cidade Dom Bosco promove concurso de tapetes de Corpus Christi com jovens da Família Salesiana em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Prefeitura convoca professores aprovados em Processo Simplificado para reforçar a REME
- 03 de Junho de 2026 Concurso de Andores do São João de Ladário 2026 abre inscrições com premiação de até R$ 3 mil
- 03 de Junho de 2026 Américo Calheiros lança o livro “Suicígena” na próxima terça-feira
- 03 de Junho de 2026 Romaria do Cerrado e Pantanal reúne povos em defesa das águas e dos territórios em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Com valor inicial reduzido em um terço, propriedade em Bonito (MS) vai a novo leilão
- 03 de Junho de 2026 Fundação de Cultura lança edital para seleção de projetos de Festividades Culturais Populares e Tradicionais
- 03 de Junho de 2026 Cia Infanto-Juvenil do Moinho Cultural promove vaquinha para participar do Prêmio Onça Pintada, em Campo Grande
- 03 de Junho de 2026 Senado anula norma sobre aborto legal em crianças vítimas de estupro
- 03 de Junho de 2026 Caminhoneiro que saiu de Corumbá com 583 quilos de drogas foi detido pela PRF na BR-262
- 03 de Junho de 2026 Prefeitura empossa Conselho Fiscal do FUNPREV para mandato 2026/2027 em Corumbá
- 03 de Junho de 2026 Decreto de emergência ambiental reforça preparação do Governo de MS para enfrentamento a incêndios florestais
- 03 de Junho de 2026 Edital de Convocação para Audiência Pública de apresentação do RIMA de Expansão do Terminal Privativo Gregório Curvo da Lhg Mining
- 03 de Junho de 2026 Mato Grosso do Sul tem 27 mil pessoas que deixaram Mais Social após melhorar de vida
- 03 de Junho de 2026 Banho de São João terá shows, concursos culturais e celebração da tradição de Corumbá