Cultura
Músicos do Moinho Cultural são aprovados na OSB Jovem e se mudam para o Rio de Janeiro
Valério Reis e Ewerton Guimarães, formados em Corumbá pelo Instituto Moinho Cultural, iniciam nova etapa profissional na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem.
Seg, 09 Fevereiro de 2026 | Fonte: Assessoria de Imprensa

Valério Reis e Ewerton Guimarães, músicos formados pelo Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, foram aprovados para integrar a OSB Jovem (Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem) e irão morar no Rio de Janeiro para iniciar oficialmente uma nova etapa de formação e atuação profissional. A conquista reforça a força da formação continuada oferecida na fronteira Brasil–Bolívia e evidencia como o acesso à música pode abrir caminhos concretos para jovens talentos sul-mato-grossenses.
Nascido em Corumbá, Ewerton Guimarães iniciou os estudos ainda criança no Moinho Cultural e, ao longo dos anos, acumulou experiências em diferentes frentes, integrando a Banda de Música Manoel Florêncio, atuando como monitor dentro do próprio Instituto e participando da Orquestra de Câmara do Pantanal (OCAMP).
Para ele, a música começou como acolhimento e, com o tempo, ganhou contornos de projeto de vida. “No começo, a música entrou na minha vida como um lugar de acolhimento e de descoberta. Eu era uma criança e não conseguia nem imaginar o que era ‘ter uma profissão’. Com o tempo, fui entendendo que aquilo não era só uma atividade ou um passatempo”, relata.
Um ponto decisivo dessa trajetória, segundo Ewerton, veio em 2019, quando passou a ser orientado por Márcio Costa, primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica Brasileira. “Ali percebi que existia um caminho possível, concreto e profissional para mim dentro da música. Quando vivi a experiência da residência artística com a OSB no Rio de Janeiro e subi ao palco como solista, tive a certeza de que aquilo não era só um sonho distante. Era o meu futuro sendo construído. A música deixou de ser apenas esperança e passou a ser projeto de vida”, afirma o clarinetista.
A vivência como educador dentro do Moinho também marcou seu amadurecimento. “Ser monitor e ensinar me ensinou que música vai muito além de tocar bem um instrumento. Aprendi que ela só faz sentido de verdade quando é compartilhada. Sobre mim, aprendi que eu sou capaz de inspirar outras pessoas, assim como um dia me inspiraram”, completa.

Também corumbaense, Valério Reis começou os estudos no Instituto em 2012, passou pela Orquestra do Moinho Cultural e seguiu aprofundando a trajetória no violoncelo até se consolidar como professor do instrumento e chefe do naipe de violoncelos da OCAMP. Em 2018, conquistou o 2º lugar no Prêmio Campo Grande de Música de Concerto, na categoria Solista Juvenil, e participou de intercâmbios com violoncelistas da OSB, ampliando a preparação técnica e artística.
Para ele, a experiência de ensinar e liderar foi determinante. “Ter exercido essas duas funções me ajudou a ter muita responsabilidade, paciência e compreensão. Como chefe de naipe minha obrigação era ter tudo preparado em mãos e ajudar os companheiros em questões técnicas e interpretativas. Já como professor me ensinou a ter paciência, respeito e entender o tempo de evolução de cada criança, e minha evolução também, pois nós aprendemos muito ensinando”, afirma.
Valério relembra ainda a emoção de tocar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2022, experiência que ampliou sua visão de carreira. “Me deu uma visão do mundo artístico que eu ainda não tinha, me emocionei muito e vi que era realmente aquilo que eu queria para minha vida e carreira”, diz.
Em 2024, ao retornar ao Rio para a Residência de Longa Duração realizada pela OSB e pelo Instituto Cultural Vale, voltou a tocar no Municipal e em outros palcos. “E hoje, ingressando na OSB Jovem, vou poder viver essa experiência incrível de uma orquestra sinfônica, de teatros e salas de concertos. O sentimento maior é de gratidão, pois um sonho está se realizando”, completa.
A trajetória dos dois músicos também é reconhecida por Márcio Costa, professor e primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica Brasileira, que acompanha de perto os resultados do trabalho na fronteira por meio de iniciativas como o Conexões Musicais e o Vale Música, desenvolvidos pela Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira em parceria com a Vale.
Para Márcio Costa, a experiência com estudantes do Moinho Cultural evidencia um perfil comum entre os polos acompanhados pelo programa. “Eles têm disciplina, foco no que está sendo ensinado e uma curiosidade muito grande. Em uma orquestra grande, tocando em salas importantes, esse comportamento é fundamental. A nossa presença soma a uma base que eles já tinham, e, em troca, recebemos essa sede de aprender e de descobrir um mundo novo”, destaca.
A aprovação de Ewerton Guimarães e Valério Reis na OSB Jovem reafirma o papel do Instituto Moinho Cultural como espaço de formação artística, cidadã e profissional, ampliando oportunidades para crianças, adolescentes e jovens da região de fronteira e contribuindo para que talentos locais alcancem palcos de referência nacional.
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