Economia
Bolívia negocia retorno da Petrobras à exploração de petróleo e gás e busca apoio para reestruturar a YPFB
Governo de Rodrigo Paz iniciará conversas técnicas com a estatal brasileira e aposta em novos investimentos para recuperar o setor energético.
Qui, 09 Julho de 2026 | Fonte: Brasil 247
A Bolívia dará início, na próxima semana, a conversas técnicas com a Petrobras para discutir o possível retorno da estatal brasileira às atividades de exploração e produção de petróleo e gás no país. Além disso, o governo boliviano também pretende contar com a experiência da empresa brasileira para colaborar na reestruturação da YPFB, estatal responsável pelo setor de hidrocarbonetos. As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo.
A iniciativa faz parte da estratégia do governo do presidente Rodrigo Paz para revitalizar a indústria energética boliviana, ampliar a atração de investimentos estrangeiros e fortalecer novamente as relações comerciais com parceiros estratégicos, como o Brasil. Nos últimos anos, a Bolívia enfrentou uma acentuada redução na produção de gás natural, o que comprometeu suas reservas internacionais e levou o país, antes exportador de energia, a conviver com frequentes episódios de escassez de combustíveis.
O ministro de Energia da Bolívia, Marcelo Blanco, afirmou que o objetivo é reconstruir uma parceria de longo prazo com a Petrobras.
“O objetivo é que eles voltem a produzir, a operar aqui na Bolívia, a explorar e a ter uma parceria estratégica”, declarou o ministro.
Segundo Blanco, após uma reunião realizada na quarta-feira (8), representantes dos dois governos concordaram em criar grupos técnicos de trabalho a partir da próxima semana. Esses grupos serão responsáveis por avaliar as possibilidades de uma participação ampliada da Petrobras em diferentes segmentos da cadeia de petróleo e gás boliviana.
Apesar da expectativa em torno da retomada da parceria, o ministro evitou antecipar detalhes sobre o volume de investimentos ou prazos para a implementação dos projetos.
“Não vou dar números. Não serei irresponsável. Nunca dou valores ou datas exatas”, afirmou.
Blanco acrescentou ainda que a Bolívia mantém conversas com outros potenciais investidores internacionais interessados em atuar no setor energético do país, dentro da política de abertura promovida pelo governo.
Relatório sobre reservas deve orientar novos investimentos
Outro passo considerado fundamental pelo governo boliviano é a atualização dos dados sobre as reservas nacionais de petróleo e gás. O presidente da YPFB, Sebastian Daroca, informou que uma empresa contratada deverá apresentar, na próxima semana, o relatório final com a estimativa das reservas existentes até o encerramento de 2025.
De acordo com Daroca, o documento servirá de base para definir estratégias destinadas a elevar a produção de hidrocarbonetos nos próximos anos.
O levantamento é aguardado com expectativa por analistas e representantes da indústria, já que a Bolívia vem sendo alvo de críticas devido aos sucessivos atrasos na divulgação de informações atualizadas sobre suas reservas. A falta desses dados alimenta incertezas sobre o potencial remanescente de petróleo e gás do país, fator considerado decisivo para atrair novos investimentos.
Relação entre Petrobras e Bolívia mudou após nacionalização
A Petrobras reduziu significativamente sua presença na Bolívia após a nacionalização do setor de hidrocarbonetos promovida pelo então presidente Evo Morales, em 2006. A medida levou a estatal brasileira a interromper investimentos diretos na exploração e produção no território boliviano.
Mesmo assim, a companhia manteve participação no mercado por meio da importação de gás natural boliviano para o Brasil, utilizando pontos de entrada localizados na fronteira entre os dois países.
Em março deste ano, o presidente Rodrigo Paz já havia manifestado a intenção de reconstruir a relação com a Petrobras sob um novo marco regulatório para o setor energético. Segundo o governo boliviano, as novas regras pretendem oferecer maior segurança jurídica e criar um ambiente mais favorável à entrada de capital estrangeiro, após mais de uma década de declínio da produção de gás natural no país.
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