Economia
Manutenção da Selic em 15% impõe custo elevado à economia, avalia CNI
Presidente da CNI, Ricardo Alban defende flexibilização da política monetária já a partir da próxima reunião.
Qua, 28 Janeiro de 2026 | Fonte: Assessoria CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) recebe com enorme preocupação a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. A cautela, defendida pelo Banco Central, ignora a queda da inflação e os danos que o atual patamar da Selic causa à sociedade.
“O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, defende Ricardo Alban, presidente da CNI.
Inflação corrente e expectativas caminham para o centro da meta
De acordo com a avaliação da CNI, ao manter os juros em 15%, o Banco Central desconsidera diversos sinais que tornavam possível a redução da Selic de forma imediata. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, subiu 4,26% em 2025; abaixo do teto de inflação (4,5%), e do IPCA de 2024 (4,83%).
Já as expectativas de inflação caminham para o centro da meta, que é de 3%. De acordo com as últimas projeções do Boletim Focus, o IPCA deve fechar 2026 com alta de 4%, ante 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028. Além disso, as projeções do Banco Central apontam inflação de 3,1% no horizonte relevante da política monetária, quando se considera o cenário de redução de taxa de juros do Boletim Focus.
Juros reais estão muito acima do necessário
O atual patamar da Selic é extremamente excessivo, pois representa uma taxa de juros real de 10,5% a.a., cerca de 5,5 p.p. acima da taxa de juros neutra, que não estimula crescimento nem desestimula a atividade econômica, estimada pelo próprio Banco Central em 5% a.a.
De acordo com as projeções da CNI, a taxa de juros que concilia a busca pelo pleno emprego com a busca pela estabilidade de preços deveria estar próxima de 10,3% a.a., quando se leva em conta a inflação dos últimos 12 meses. Ou seja, a Selic está 4,7 p.p. acima do patamar exigido para controlar a inflação e minimizar os danos ao crescimento da economia.
Selic elevada prejudica acesso ao crédito e crescimento da economia
A Selic elevada trouxe inúmeros prejuízos ao setor produtivo. Segundo a Sondagem de Crédito da CNI, 80% das empresas que tiveram dificuldades para contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo culpam os juros altos como principal entrave. Esse percentual é de 71% entre as que tiveram problemas para captar crédito de longo prazo. Além disso, cerca de 33% das empresas industriais que renovaram crédito nos seis meses anteriores à pesquisa afirmaram que as condições de financiamento, como taxa de juros, número de parcelas, período de carência e exigência de garantias, estavam piores ou muito piores.
Não por acaso, a oferta de crédito desacelerou significativamente. No acumulado de 12 meses até novembro de 2025, as concessões de crédito cresceram 3,7%, ante alta de 10,7% no acumulado de 12 meses até dezembro de 2024.
Ao encarecer o custo de capital e dificultar o acesso ao crédito, os juros altos também agravam o “Custo Brasil”, conjunto de dificuldades estruturais, financeiras, burocráticas, trabalhistas e tributárias que oneram a produção e o consumo no país. Esse fardo sistêmico compromete a competitividade da indústria brasileira, dificulta investimentos e a inserção dos nossos produtos no mercado global.
Os juros excessivos também impactam as previsões para a economia. A CNI estima crescimento do PIB de 1,8% para 2026 ante a projeção de 2,5% para 2025. Da mesma forma, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial revisaram para baixo suas estimativas, projetando alta de 1,6% e 2%, respectivamente.
Outro reflexo da Selic elevada é a falta de confiança do empresário: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da CNI, registrou, em janeiro de 2026, o pior resultado para o mês em 10 anos: 48,5 pontos, em uma escala de 0 a 100, em que valores abaixo de 50 pontos mostram falta de confiança dos empresários. A baixa confiança faz com que os dirigentes industriais deixem de produzir, contratar e investir, afetando a inflação futura com o menor crescimento da oferta na economia.
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