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Censo 2022: Brasil tem mais de 8,5 mil localidades indígenas, a maioria na Região Norte
Dentre as localidades identificadas pelo Censo 2022, 6.130 (71,55%) estavam localizadas em terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas na data de referência da pesquisa, enquanto 2.438 (28,45%) localidades encontravam-se fora dessas áreas.
Qui, 19 Dezembro de 2024 | Fonte: Agência IBGE Notícias

De acordo com dados do último Censo Demográfico, publicados hoje (19) pelo IBGE, existiam 8.568 localidades indígenas no Brasil em 2022, identificadas em todos os estados e no Distrito Federal. A maioria delas (71,55% ou 6.130) estava em terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas na data de referência do Censo, enquanto 2.438 (28,45%) localidades encontravam-se fora dessas áreas. A Região Norte (60,20%) do país concentrava a maior parcela das localidades indígenas.
Também hoje, foram divulgadas características da população indígena e dos domicílios em que vivem. Leia a notícia sobre esse tema aqui. O evento de divulgação “Censo 2022: Indígenas - Principais características das pessoas e dos domicílios, por situação urbana e rural: Resultados do Universo e Localidades Indígenas” acontece hoje, às 10h, na Casa Brasil IBGE, no Centro do Rio de Janeiro. Haverá transmissão ao vivo através do IBGE Digital e pelas redes sociais do Instituto.
Os resultados podem ser acessados no portal do IBGE e em plataformas como o SIDRA, o Panorama do Censo e a Plataforma Geográfica Interativa (PGI), sendo que nesses dois últimos poderão ser visualizados, também, por meio de mapas interativos.
As localidades indígenas consistem em todos os lugares do território nacional onde exista um aglomerado permanente de habitantes indígenas. Para a identificação dessas localidades, foram estabelecidos critérios mínimos de habitantes e de concentração dos domicílios, os quais foram submetidos à consulta livre, prévia e informada às principais organizações indígenas do país, com a participação dos órgãos nacionais interessados, além de pesquisadores e representantes de diferentes segmentos da sociedade.
“O mapeamento das localidades indígenas é realizado pelo IBGE como uma preparação para o Censo. Após a coleta das informações, foi complementado com as informações georreferenciadas dos endereços das pessoas indígenas recenseadas. Como critério utilizado para a análise espacial dos dados de endereços, foram considerados todos os lugares que contavam com, ao menos, 15 pessoas declaradas indígenas e cujos domicílios apresentassem contiguidade domiciliar, conforme critérios que variavam entre as áreas urbanas e rurais, e de acordo com a situação geográfica em que as localidades estavam inseridas”, explica Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE.

72% das localidades estavam dentro de terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas
Dentre as localidades indígenas contabilizadas, 6.130 (71,55%) estavam situadas em terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas na data de referência do Censo, enquanto 2.438 (28,45%) localidades encontravam-se fora dessas áreas.
O percentual mais expressivo de localidades fora de terras indígenas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas foi visto na Região Sul do país, onde 146 (47,40%) das 308 localidades existentes enquadravam-se nessa situação. No estado do Rio Grande do Sul, esse índice alcançou 58,93%.
Com 39,06% do total de localidades fora de terras indígenas, o Nordeste também se destacou nesse aspecto. À exceção do Maranhão e da Paraíba, todos os estados da região apresentaram mais da metade das localidades existentes fora de terras indígenas. O Rio Grande do Norte tinha todas as localidades nessa situação. Nos demais os percentuais foram os seguintes: Piauí com 97,56%, Ceará com 79,50%, Bahia com 68,32%, Pernambuco com 56,97%, Alagoas com 51,22%, e Sergipe com 50,00%.
No Sudeste, 31,78% das localidades estavam fora de terras indígenas. No Rio de Janeiro, esse número chegou a 75,00%. Em termos absolutos, apenas 75 localidades fora de terras indígenas foram identificadas na região. Já o Norte tinha 27,18% das localidades em terras indígenas, sendo o Amazonas com maior percentual (41,93%).
O Centro-Oeste (11,44%), em 2022, mostrava a menor proporção de localidades fora de terras indígenas. Porém, no Mato Grosso do Sul, que abriga o terceiro maior contingente de pessoas indígenas residentes no país (116.469), apresentava 46,63% de suas localidades fora de áreas declaradas, homologadas, regularizadas ou encaminhadas como reservas indígenas.
Em números absolutos, as maiores quantidades de localidades indígenas fora de terras indígenas estavam no Amazonas, com 1.078 localidades (41,93%), em Pernambuco, com 237 (56,97%), no Pará, com 187 (21,52%), no Ceará, com 159 (79,50%), e na Bahia, com 138 (68,32%).
Região Norte concentrava a maioria das localidades indígenas
O Censo 2022 mostrou que o Norte do Brasil reunia a maior quantidade de localidades indígenas (5.158 localidades) e de pessoas indígenas (753.780 pessoas). Isso equivale, respectivamente, a 60,20% das localidades indígenas identificadas e a 44,47% da população indígena do país. O segundo lugar no ranking regional ficou com o Nordeste, onde havia 1.764 localidades (20,59%), seguido por Centro-Oeste, com 1.102 localidades (12,86%), Sul, com 308 localidades (3,59%), e Sudeste, onde existiam 236 localidades (2,75%).
“Vale lembrar que a concentração de localidades indígenas não reproduz necessariamente a concentração da população, mas traduz muito bem as formas de organização socioespacial dos povos indígenas. Considerando o contexto em que os indígenas adotam maior mobilidade entre os grupos locais ou em áreas caracterizadas pela ocupação de territórios extensos, é possível que haja maior diversificação espacial e, consequentemente, um número maior de localidades”, observa Fernando.
Dentre os 20 municípios brasileiros com mais localidades indígenas, 18 pertenciam à Região Norte. Sete das 20 cidades estavam no Amazonas, quatro em Roraima, quatro no Maranhão, três no Pará, uma no Mato Grosso e uma em Pernambuco. São Gabriel da Cachoeira (AM), com 505 localidades; Alto Alegre (RR), com 168 localidades; Jacareacanga (PA), com 167 localidades; Amarante do Maranhão (MA), com 146 localidades; e Campinápolis (MT), com 143 localidades, foram os cinco primeiros municípios da lista.

Quase um terço das localidades indígenas estavam no Amazonas
Em 2022, o maior continente de localidades indígenas do país encontrava-se no estado do Amazonas (2.571), com 30,00% das localidades. Na sequência vieram Mato Grosso, com 924 localidades (10,78%), seguido por Pará, com 869 localidades (10,14%), e pelo Maranhão, com 750 (8,75%).
Localidades indígenas em situação rural predominavam no país
As localidades indígenas em situação rural eram ampla maioria em 2022. Enquanto 8.189 (96,00%) delas estavam situadas em áreas rurais, somente 378 (4,00%) foram identificadas em situação urbana.
Mais sobre a pesquisa
O Censo Demográfico 2022: Localidades indígenas, apresenta o mapeamento das localidades indígenas e dos demais locais de concentração de pessoas indígenas existentes no país, produzido inicialmente no âmbito da atualização da Base Territorial Censitária e aperfeiçoado a partir da identificação das concentrações espaciais de pessoas declaradas indígenas.
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