Geral
Mato Grosso do Sul apresenta perfil intermediário no financiamento da ciência
Painel nacional mostra que a Fundect tem participação relevante no financiamento da ciência sul-mato-grossense, mas os aportes federais seguem predominantes e a fatia do orçamento estadual voltada à área está abaixo da média nacional.
Qui, 25 Dezembro de 2025 | Fonte: Da Assessoria
O financiamento da ciência em Mato Grosso do Sul apresenta um perfil intermediário no contexto nacional, com predominância dos recursos das agências federais — Capes, CNPq e Finep — e participação significativa da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado (Fundect). Esse arranjo garante alguma capacidade de indução estadual à pesquisa e à inovação, mas mantém elevada dependência do financiamento federal para a sustentação do sistema científico sul-mato-grossense.
Esse retrato é apresentado pelo Painel do Financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), um instrumento inédito que organiza e sistematiza, em um único ambiente de consulta pública, informações sobre o financiamento da ciência, tecnologia e inovação nos 26 estados e no Distrito Federal. O Painel foi desenvolvido pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Conselho Nacional das FAPs (Confap). Acesse aqui o painel.
Elaborado ao longo de 2025, com base nos dados consolidados mais recentes, referentes ao ano de 2024, o Painel permite comparar como se articulam os esforços estaduais e federais no financiamento da pesquisa e da inovação e evidenciar assimetrias regionais no sistema científico brasileiro.
Protagonismo dos estados – No panorama nacional apresentado pelo Painel, as fundações estaduais assumem papel central. Em 2024, o orçamento conjunto das 27 FAPs alcançou R$ 4,8 bilhões (37,51%), valor superior, individualmente, aos R$ 3,46 bilhões das bolsas concedidas pela Capes (27,01%), aos R$ 2,3 bilhões dos aportes da Finep no apoio a instituições de pesquisa (17,99%) e aos R$ 2,24 bilhões do orçamento total do CNPq (17,49%).
“O objetivo do Painel é ampliar a transparência, fortalecer o controle social e oferecer subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação”, afirma Soraya Smaili, professora da Unifesp e coordenadora do SoU_Ciência. Segundo ela, a plataforma permite compreender com mais precisão como diferentes modelos de financiamento se combinam no país e onde estão as principais assimetrias e oportunidades de aprimoramento. “O Painel contribui para qualificar o debate ao tornar comparáveis, em escala nacional, dados antes dispersos”.
Prioridade média-baixa – A partir desse enquadramento nacional, o Painel detalha a composição das fontes de financiamento da ciência em todos os estados. Diante do total de R$ 170 milhões destinados à ciência no estado em 2024, a Fundect respondeu por R$ 62 milhões (36,5%). Entre as agências federais, a Capes, no que se refere a bolsas, aportou R$ 56 milhões (33%), o CNPq, R$ 37 milhões (22%), e a Finep, R$ 14 milhões (8,5%).
Nos indicadores do financiamento estadual, o esforço fiscal — percentual da receita arrecadada com impostos que o estado destina à sua fundação de amparo à pesquisa — foi de 0,31% no Mato Grosso do Sul. Esse percentual coloca o estado na 14ª posição nacional nesse indicador e revela uma prioridade média-baixa da ciência no orçamento sul-mato-grossense considerando os índices dos demais estados. A média nacional do esforço fiscal é de 0,39%.
A mensuração do esforço fiscal possibilita avaliar o comprometimento financeiro dos governos estaduais com o fomento à ciência e tecnologia. As maiores fatias da receita tributária destinadas à ciência estão no Rio de Janeiro (0,83%), São Paulo (0,78%), Amazonas (0,71%) e Alagoas (0,70%). Na outra ponta, além Goiás, estão Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe, que aplicam menos de 0,16% de seus impostos em pesquisa.
O investimento per capita da Fundect é de R$ 23,08 por habitante do estado, 11ª posição no âmbito nacional desse indicador. O valor médio entre as FAPs é de R$ 21,08. São Paulo lidera com R$ 61,48 por habitante. Distrito Federal e Espírito Santo vêm em seguida: R$ 42,30 e R$ 40,95 respectivamente. No final da linha estão Rondônia (R$ 8,39), Bahia (R$ 6,88) e Rio Grande do Norte (R$ 5,31).
Densidade de pesquisadores – Já o investimento médio por pesquisador em MS ficou em R$ 10,8 mil, 13ª posição no conjunto das 27 FAPs. A média nacional é de R$ 12,2 mil/pesquisador. Depois do líder São Paulo (R$ 30,3 mil/pesquisador), se destacam Maranhão (R$ 26 mil), Espírito Santo (R$ 25,8 mil), Alagoas (R$ 22,4 mil) e Amazonas (R$ 22,2 mil). Na outra extremidade, Bahia (R$ 4,9 mil), Rio Grande do Sul (R$ 2,9 mil) e Rio Grande do Norte (R$ 1,9 mil) registram os menores aportes.
No indicador de pesquisadores por 100 mil habitantes, MS conta com 214 pesquisadores e a 7ª posição no contexto nacional. A média brasileira é de 186 pesquisadores. Os maiores índices são do Distrito Federal (459 pesquisadores), Rio Grande do Sul (328) e Rio de Janeiro (315). Os índices mais baixos estão no Amapá (113), Rondônia (89) e Maranhão (69).
A coordenadora do Painel do Financiamento das FAPs, Maria Angélica Minhoto, destaca que “a transparência dos dados e o diálogo entre as instituições são essenciais para que a sociedade compreenda a importância do investimento em pesquisa. Ciência não é gasto — é desenvolvimento, inovação e soberania”, resume.
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