Geral
Militar recebe 12 anos por estupro na Casa da Morte na ditadura
Justiça reconhece crime contra a humanidade cometido contra Inês Etienne Romeu em centro clandestino de tortura da ditadura.
Seg, 03 Agosto de 2026 | Fonte: Douglas Corrêa/Repórter da Agência Brasil

A Justiça Federal condenou o sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, o “Camarão”, pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu, em 1971, na Casa da Morte (imagem em destaque), centro clandestino de tortura mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.
O réu foi condenado a 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão. Camarão poderá recorrer em liberdade. Ele sempre negou as acusações.
As investigações do caso foram realizadas pelos procuradores Vanessa Seguezzi, Antonio do Passo Cabral e Sergio Suiama.
Desde o início da ação, os procuradores foram favoráveis à perda do cargo público do acusado, com o “cancelamento de aposentadoria ou qualquer provento de reforma remunerada de que disponha”.
O grupo de Justiça de Transição do MPF sustentou que o estupro e o cárcere privado, praticados em um contexto de ataque estatal sistemático, constituem crimes contra a humanidade.
Com base no direito internacional e em sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o MPF defendeu que esses crimes não prescrevem e não são protegidos pela Lei de Anistia de 1979.
Relato histórico
Inês Etienne morreu em abril de 2015, aos 72 anos, por insuficiência respiratória, em sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio.
A ex-guerrilheira fez um relato histórico ao Conselho Federal da OAB, em 1979, revelando detalhes das torturas físicas e psicológicas a que foi submetida por agentes do Centro de Informações do Exército (CIE) na chamada Casa da Morte de Petropólis, um centro clandestino de tortura e desaparecimento durante a ditadura militar.
Sentença
Na sentença proferida em 31 de julho, a juíza federal Maria Isadora Frizao julgou procedente o pedido de condenação do Ministério Público Federal pelos crimes de estupro e cárcere privado.
A pena fixada ao réu foi de 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além da perda do cargo público militar.
A sentença também reconheceu o crime de estupro, cometido durante a ditadura, como um crime contra a humanidade, portanto, imprescritível e não passível de aplicação da Lei de Anistia.
A juíza também condenou o acusado ao pagamento das custas processuais e que fosse enviado ofício ao Ministério da Defesa a fim de que dê ciência sobe à pena de perda do cargo público aplicada ao militar.
Veja Também
Um novo relatório, que será votado pela a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK, mor...
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), aprovou, nesta sexta-...
“Descanse em paz, pai!”, foi a mensagem que Grenaldo Mesut mandou gravar para o seu pai, que foi colocada em uma coroa de flores repleta de rosas, gérberas b...
Últimas Notícias
- 03 de Agosto de 2026 Ministério Público propõe criação de 454 cargos para ampliar estrutura administrativa e área jurídica
- 03 de Agosto de 2026 Macacões de proteção usados na coleta de iscas no Pantanal ganham novo uso em roça quilombola
- 03 de Agosto de 2026 Militar recebe 12 anos por estupro na Casa da Morte na ditadura
- 03 de Agosto de 2026 Publicada LDO com previsão de R$ 27,9 bilhões para MS em 2027
- 03 de Agosto de 2026 Comando do 6º Distrito Naval resgata idoso com fortes dores abdominais na região de Paiaguás
- 03 de Agosto de 2026 Urna eletrônica é patrimônio da democracia, diz presidente do TSE
- 03 de Agosto de 2026 Prefeitura de Ladário abre Consulta Pública para criação do Parque Natural Municipal Pérola do Pantanal
- 03 de Agosto de 2026 Salário digno em Campo Grande é 42,9% maior que na região do Pantanal, aponta estudo
- 03 de Agosto de 2026 Sanesul promove serviço programado de reparos emergenciais e manutenção na rede de distribuição água em Corumbá
- 03 de Agosto de 2026 Revisão da Taxa de Resíduos Sólidos abre possibilidade de compensação para contribuintes
- 03 de Agosto de 2026 AGOSTO LILÁS: Silêncio coletivo e machismo cultural são os maiores obstáculos no combate ao feminicídio, alerta MPMS
- 03 de Agosto de 2026 Ex-deputado estadual Neno Razuk é preso na Bolívia e entregue a Polícia Federal em Corumbá
- 03 de Agosto de 2026 Corumbá intensifica bloqueio vetorial e ações preventivas contra a chikungunya
- 03 de Agosto de 2026 Pela 1ª vez desde março, mercado reduz expectativa para Selic em 2026. Projeções para juros e inflação caem para 13,75% e 5,03%
- 03 de Agosto de 2026 Agosto Lilás é aberto com ato de conscientização contra a violência à mulher