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Meio Ambiente

Mortes de onças na BR-262 acendem alerta sobre falta de ação para proteção da fauna no Pantanal

Instituto SOS Pantanal denuncia a 8ª morte de onça-pintada em 18 meses na mesma rodovia e cobra urgência na execução do plano de mitigação aprovado há quase um ano.

Qua, 16 Julho de 2025 | Fonte: Assessoria de Imprensa


Mortes de onças na BR-262 acendem alerta sobre falta de ação para proteção da fauna no Pantanal
Fotos: divulgação

A BR-262, no trecho que cruza o Pantanal sul-mato-grossense entre Miranda e Corumbá, se tornou um dos principais pontos de atropelamento de fauna silvestre no Brasil. Apenas nos últimos 18 meses, oito onças-pintadas foram atropeladas nesse trecho da rodovia federal — número alarmante que se soma a mais de 6.600 animais silvestres mortos em apenas três anos de monitoramento (2017 a 2020), segundo dados científicos. A média ultrapassa 180 atropelamentos por mês – uma das maiores taxas do país. 

O Instituto SOS Pantanal, que monitora e denuncia o problema há anos, reforça a urgência de ações concretas para conter a mortandade de animais e garantir segurança viária. Segundo a entidade, ao menos 21 onças-pintadas morreram atropeladas na região entre 2016 e 2025, além de diversas outras espécies da fauna pantaneira.

“Já fizemos campanhas, protestos, cobramos todos os níveis de governo, levamos a pauta a Brasília, nos reunimos com o DNIT. O problema está diagnosticado, não faltam dados, faltam ações concretas”, diz Leonardo Gomes, diretor de executivo do Instituto SOS Pantanal. 

Desde 2024, o Instituto integra o Observatório Rodovias Seguras Para Todos, coalizão formada por seis organizações da sociedade civil com foco na redução de atropelamentos de fauna e acidentes com vítimas humanas. 

Mortes de onças na BR-262 acendem alerta sobre falta de ação para proteção da fauna no Pantanal

Em novembro de 2024, após mobilização da sociedade civil, foi aprovado pelo DNIT um Plano de Mitigação de Atropelamentos de Fauna para o trecho da BR-262. O plano prevê instalação de passagens subterrâneas, cercas direcionadoras e sinalização adequada. No entanto, nove meses depois, as intervenções ainda não começaram. 

A morte de uma onça chama atenção pela simbologia da espécie — ameaçada de extinção e símbolo da biodiversidade brasileira — mas representa apenas a ponta de um iceberg ecológico. O impacto real atinge toda a biodiversidade pantaneira, afetando desde pequenos anfíbios até mamíferos de grande porte “Por trás de cada atropelamento de grande porte, há centenas de perdas invisíveis: tatus, tamanduás, jacarés, aves e pequenos mamíferos. Isso afeta o equilíbrio do Pantanal como um todo”, ressalta Gomes. 

Além dos impactos ambientais, o Instituto alerta que a ausência de medidas também compromete a segurança de motoristas e moradores da região. Rodovias mais seguras para a fauna também são mais seguras para as pessoas. 

“Proteger a fauna é proteger o Pantanal, sua economia, seu turismo, sua cultura – e a vida de todos que circulam por essas estradas”, finaliza Gomes. 

O Instituto SOS Pantanal está disponível para entrevistas e possui banco de imagens, dados e relatos sobre a situação da fauna na região.

Correio de Corumbá

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