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Seminário que debate impactos de projetos hidroviários e da mineração sobre Pantanal e Cerrado acontece em Corumbá nos dias 26 e 27 de março

Organizado pela CPT no Mato Grosso do Sul, a articulação das CPT’s do Cerrado e a Diocese de Santa Cruz de Corumbá, o evento busca fomentar estratégias de fortalecimento dos povos e territórios frente aos megaprojetos.

Qui, 26 Março de 2026 | Fonte: Comunicação Romaria Cerrado & Pantanal


Seminário que debate impactos de projetos hidroviários e da mineração sobre Pantanal e Cerrado acontece em Corumbá nos dias 26 e 27 de março
Foto: Thomas Bauer

Nos dias 26 e 27 de março, Corumbá recebe o Seminário “Nas Águas Sagradas do Cerrado e Pantanal, Correm os Segredos Sagrados das Águas”, que acontece no Instituto Federal do Mato Grosso do Sul, Campus Corumbá – localizado na Rua Pedro de Medeiros, 941 – Popular Velha. O evento antecede a II Romaria do Cerrado e a I Romaria do Pantanal, que também serão realizadas em Corumbá entre os dias 03 e 06 de junho de 2026.

Entre os objetivos do seminário estão a compreensão dos significados das águas para as comunidades do Cerrado e Pantanal, o debate sobre projetos que impactam a vida e as águas desses biomas e o fortalecimento da organização em defesa dos povos e territórios, bem como de comunidades tradicionais, camponesas e assentadas. Integram a organização do evento a Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Mato Grosso do Sul, a articulação das CPT’s do Cerrado e a Diocese de Santa Cruz de Corumbá, que também contam com a parceria da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. 

Programação

No dia 27 de março, o seminário começa com as boas vindas e acolhida dos participantes às 08h, com místicas e apresentações previstas às 08h30. A partir das 09h30, acontece a roda de conversa “Segredo Sagrado das Águas: Significados das Águas para os Povos do Pantanal e do Cerrado”. Por fim, às 10h40, ocorre o debate “O Que Quebra o Elo Sagrado das Águas, o Que Impede as Águas de Correrem Livremente?”, com intervalo para o almoço a partir das 12h. 

Na tarde do primeiro dia, ainda estão previstas discussões a respeito do impacto de projetos sobre as águas e as vidas das comunidades – que tratará especificamente da Rota Bioceânica e da Hidrovia Paraguai-Paraná – às 13h45; e, a partir das 16h, seguem os debates sobre a interferência desses projetos nas comunidades e os caminhos para a defesa dos territórios e das águas. As atividades do primeiro dia encerram-se às 17h.

No segundo e último dia, a programação também se inicia a partir das 08h e, às 09h, está prevista a roda de conversa “Mineração e sua Ação sobre o Ambiente e a Saúde”. Já às 11h, começa o relato “Mobilização Popular em Defesa das Águas do Pantanal e do Cerrado: Experiência da Vigilância Popular das Águas na Bahia”, com intervalo para o almoço a partir do meio-dia. 

A tarde do segundo e último dia segue com as atividades de “Mobilização Popular em Defesa das Águas do Pantanal e do Cerrado: Romaria e Intercâmbio”, às 13h40; e, em seguida, às 14h15, ocorrem os relatos de experiências, bem como de fortalecimento das lutas das comunidades; Por fim, a partir das 15h, ocorre a avaliação e encerramento do seminário.  

Povos e territórios ameaçados

Foto: Thomas Bauer

Em carta aberta – endereçada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e demais pastas, institutos e agências –, representantes de organizações da Sociedade Civil, cientistas, professores e lideranças comunitárias, expressam “profunda preocupação com o avanço do projeto de concessão da gestão da Hidrovia do Rio Paraguai para a iniciativa privada”. A carta aberta ainda dá conta de que, diante dos eventos climáticos extremos, o Pantanal “perdeu cerca de 61% da superfície de água em uma série histórica de 30 anos – recorde entre os biomas brasileiros”. 

Diante disso, o documento demanda o cancelamento da concessão, a realização de Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), produção de estudos, bem como a garantia de consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas e comunidades afetadas, entre outras requisições. 

O Cerrado, por sua vez, é conhecido como “berço das águas” do Brasil, já que o bioma é responsável por abastecer oito das doze bacias hidrográficas do país. No entanto, dados do MapBiomas Água apontam que, nas últimas quatro décadas, 91% das bacias hidrográficas dessa ecorregião sofreram redução na superfície de água natural, o que impacta a disponibilidade hídrica. 

Além disso, dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024, do MapBiomas, também indicam que o bioma perdeu 652.197 hectares e foi o ecossistema mais desmatado desse período. Ainda em 2024, o Matopiba – formado pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentra 75% do total dessa devastação. 

Serviço Seminário “Nas Águas Sagradas do Cerrado e Pantanal, Correm os Segredos Sagrados das Águas”

Data: 26 e 27 de março de 2026

Local: Instituto Federal do Mato Grosso do Sul – Campus Corumbá, situado na Rua Pedro de Medeiros, 941 – Popular Velha, Corumbá (MS) 

É possível confirmar participação pelo link: bit.ly/seminario-aguas-cerrado-pantanal

Correio de Corumbá

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