Polícia
Depoimento das testemunhas demonstrou que não ocorreu coação, ameaça e dinheiro para o ambulante agredido pelo vereador Elinho, segundo Polícia Civil
As investigações permanecem em andamento, ao final será elaborado relatório que será remetido a Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Qua, 07 Janeiro de 2026 | Fonte: Da Redação, com assessoria

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Regional de Polícia de Corumbá informou que foram concluídas as diligências iniciais relativas à ocorrência registrada no dia 27 de dezembro de 2025, envolvendo o vendedor ambulante José Elizeu e o empresário e vereador Elinho Junior.
Conforme apurado, na data dos fatos, 27 de dezembro, a Polícia Militar foi acionada via 190 para atender a uma ocorrência em frente ao comércio “Verde Fruti” localizada na Rua Delamare, esquina com a Rua 15 de Novembro. No local, a guarnição se deparou com duas partes em conflito, sendo um vendedor ambulante e o proprietário do comércio. Foi constatado dano em uma bicicleta e uma caixa de isopor pertencentes ao ambulante, além de troca de acusações mútuas. Ambas as partes se dirigiram por meios próprios até a delegacia.
No interior da unidade policial, houve tentativa de conciliação espontânea entre os envolvidos, com mediação feita por terceiros civis, em especial por uma liderança religiosa que chegou ao local posteriormente. Um vídeo de retratação foi gravado pelo ambulante, no pátio externo da delegacia, onde afirma que o conflito estava resolvido.
Contudo, na noite do dia seguinte, foi divulgado novo vídeo nas redes sociais, no qual o mesmo alegou ter sido coagido por um policial civil a gravar o vídeo de retratação, apagar vídeos anteriores e desistir do registro da ocorrência. Também afirmou que teria recebido dinheiro dentro da delegacia para deixar o caso “encerrado”.
Diante da gravidade das alegações, a Delegacia Regional de Polícia adotou imediatamente as providências necessárias, notificando Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Departamento de Polícia do Interior, realizando a oitiva de todas as partes envolvidas, incluindo testemunhas civis, policiais militares e policiais civis de plantão no dia dos fatos, analisando as imagens das câmeras internas e externas da delegacia e solicitando registros do sistema da unidade e eventuais relatórios de plantão
Após as diligências foi constatado que nenhuma das testemunhas ouvidas confirmou a ocorrência de coação, ameaça, entrega de dinheiro por servidor público ou direcionamento indevido por parte da Polícia Civil, que a gravação do vídeo de retratação ocorreu na parte externa da delegacia, sem a presença de policiais civis no local, segundo relatos convergentes e que a quantia de R$ 100,00 (ou R$ 200,00), mencionada por José Elizeu, foi entregue por Elinho, a título de reparação pelos danos à bicicleta e ao isopor, conforme ele próprio declarou em depoimento.
Há contradições relevantes entre as versões apresentadas por José, inclusive quanto ao agente que teria entregue o dinheiro, ao local em que teria ocorrido a suposta coação e à pessoa que teria solicitado a gravação do vídeo. As testemunhas presentes atribuem a iniciativa da reconciliação à esposa do vereador e à pastora da igreja frequentada por Elizeu, não havendo referência à imposição de qualquer conduta por parte de servidores públicos.
Desde a data dos fatos foram instaurados dois procedimentos distintos, um para apurar eventuais práticas de vias de fato, dano, injúria e ameaça e outro para apurar eventual conduta irregular de servidor público no interior da delegacia, conforme alegações feitas pelo ambulante em vídeo divulgado em redes sociais no dia 28 de dezembro.
O procedimento de apuração da conduta de servidores policiais civis permanece em andamento, inclusive com a análise de provas digitais e imagens de segurança. Ao final será elaborado relatório, o qual será remetido ao Departamento de Polícia do Interior e à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, para avaliação e deliberação.
A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul reafirma que todos os fatos estão sendo apurados com seriedade, transparência e absoluto respeito à legalidade, sendo vedada qualquer forma de favorecimento ou perseguição.
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