Política
Entidades repudiam tratamento dado a fotojornalista em CPMI do 8/1
Deputados do PL insinuaram que profissional seria cúmplice de vândalos.
Qua, 16 Agosto de 2023 | Fonte: Agência Brasil

A postura de parlamentares de oposição durante o depoimento do fotojornalista da agência Reuters Adriano Machado provocou indignação na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e em outras outras cinco entidades. Machado foi convocado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro na condição de testemunha, mas foi alvo de ataques e insinuações de deputados e senadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) insinuou que o fotojornalista era aliado dos criminosos que destruíam o Palácio do Planalto. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que, durante a invasão ao prédio, Machado agia como “se tudo estivesse combinado”. O deputado Marco Feliciano (PL-SP) sugeriu que o fotojornalista poderia ter dado voz de prisão aos criminosos, como que para provar que ele não havia amizade entre eles.
“Chegou-se ao extremo de se perguntar ao repórter fotográfico por que motivo ele não deu voz de prisão aos inúmeros manifestantes que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto no dia 8. Um dos parlamentares anunciou que pediria a quebra do sigilo telemático do fotojornalista para saber com quem ele trocava mensagens”, disse a Fenaj, em nota.
“Cabe ao fotojornalista registrar as imagens do crime. O papel de coibir, identificar criminosos, responsabilizá-los e puni-los é trabalho das autoridades de segurança e da Justiça. Pedir a quebra do sigilo telemático de um profissional de imprensa é uma arbitrariedade, que contraria o direito constitucional de sigilo das fontes”, acrescentou a entidade.
No dia 8 de janeiro, durante a invasão e depredação dos prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, 17 profissionais de imprensa foram agredidos por apoiadores de Jair Bolsonaro, contrariados com sua derrota nas urnas, meses antes.
Aos parlamentares, Machado disse que apertou a mão de um dos criminosos após afirmar que tinha apagado as fotos que tirara a pedido de um outro invasor. “Naquele momento, eu não tinha como deixar de retribuir o cumprimento. Até por temer pela minha segurança”, disse ele no depoimento.
“[…] a própria convocação de Adriano Machado, que teve de ir ao Parlamento como se fosse suspeito de um crime ou de um conluio, é uma forma de agressão e de intimidação à imprensa”, afirma a federação.
Leia a nota da Fenaj na íntegra:
As organizações abaixo assinadas repudiam não só a convocação do fotojornalista Adriano Machado, da Reuters, à CPMI do Congresso Nacional sobre os ataques de 8 de Janeiro como a tentativa, por parte de alguns parlamentares, de atacar a honra do jornalista e a reputação de toda a imprensa brasileira.
Adriano Machado, cujo trabalho ultrapassa duas décadas de serviços prestados ao jornalismo, respondeu aos questionamentos com tranquilidade nesta terça-feira (15.ago.2023). Mas foi ofendido por diversas vezes, quando parlamentares da oposição, com vistas a atacar o governo, o acusaram de participar de uma encenação de golpe.
Chegou-se ao extremo de se perguntar ao repórter fotográfico por que motivo ele não deu voz de prisão aos inúmeros manifestantes que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto no dia 8. Um dos parlamentares anunciou que pediria a quebra do sigilo telemático do fotojornalista para saber com quem ele trocava mensagens.
Cabe ao fotojornalista registrar as imagens do crime. O papel de coibir, identificar criminosos, responsabilizá-los e puni-los é trabalho das autoridades de segurança e da Justiça. Pedir a quebra do sigilo telemático de um profissional de imprensa é uma arbitrariedade, que contraria o direito constitucional de sigilo das fontes.
Para dar voz e vez a teorias conspiratórias e à defesa de transgressores dos preceitos democráticos, alguns parlamentares tentaram ainda equiparar o trabalho do fotógrafo e da imprensa nacional ao de ativistas políticos, denunciados e processados por crimes contra a democracia e por divulgação de falsas notícias.
Num cenário hostil à imprensa – 17 profissionais foram agredidos em Brasília durante esses protestos violentos -, a própria convocação de Adriano Machado, que teve de ir ao Parlamento como se fosse suspeito de um crime ou de um conluio, é uma forma de agressão e de intimidação à imprensa.
Mais que isso, a audiência expõe o profissional a riscos e ataques, que ele já vem sofrendo nas redes sociais desde que parlamentares o expuseram, enxergando conspiração em um vídeo que o mostra apenas executando seu papel de fotojornalista diante de uma invasão ao centro do governo brasileiro.
As organizações abaixo assinadas se solidarizam com Adriano Machado e sua família, reiterando a confiança em seu trabalho profissional. E afirmam aos parlamentares que não permitirão que profissionais de imprensa sejam usados como joguetes nas disputas políticas, tampouco nos atos e manifestações que põem sob risco a democracia.
15 de agosto de 2023
Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Instituto Vladimir Herzog – IVH
Instituto Palavra Aberta
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Tornavoz
Repórteres Sem Fronteiras (RSF)
Ajor – Associação de Jornalismo Digital
Veja Também
O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) divulgou, em seu site, arquivos das imagens das câmeras do circuito interno de segura...
O STF (Supremo Tribunal Federal) formou neste domingo (7), com a manifestação de Gilmar Mendes, maioria para acrescentar mais 250 pessoas à lista de denuncia...
O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para pedir o cancelamento das outorgas - ou permissão - de radiodifusão da Jovem Pan devido ao "alinham...
O Exército anunciou nesta terça-feira (8) a contratação de uma pesquisa de imagem em todas as cinco regiões do país, com 2 mil pessoas em 70 municípios. O le...
Últimas Notícias
- 20 de Julho de 2026 Eleições 2026: mais de 2 milhões de eleitores estão aptos a votar em MS
- 20 de Julho de 2026 Patrulha Maria da Penha prende homem em flagrante por descumprimento de medida protetiva contra a própria mãe em Corumbá
- 20 de Julho de 2026 Com nova lei, Anvisa prevê maior rapidez na aprovação de medicamentos
- 20 de Julho de 2026 Detran de Mato Grosso do Sul passa a oferecer opção para CNH física ou digital aos condutores
- 20 de Julho de 2026 Curso forma profissionais para inclusão de migrantes e refugiados no ensino
- 20 de Julho de 2026 Bailarino do Moinho Cultural embarca para o Festival de Dança de Joinville
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura promove treinamento sobre nova plataforma de prestação de contas para OSCIPs
- 20 de Julho de 2026 Raízen vende Usina Caarapó à Adecoagro por R$ 760 milhões
- 20 de Julho de 2026 Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar nas Eleições 2026
- 20 de Julho de 2026 Joesley Batista pede valor bilionário para vender mina à Vale
- 20 de Julho de 2026 Sul-mato-grossenses aceleram doação de imóveis antes de alta do imposto com a Reforma Tributária
- 20 de Julho de 2026 Votorantim Cimentos abre inscrições em Corumbá para curso de Mecânica Industrial
- 20 de Julho de 2026 Sondagem industrial aponta estabilidade da produção em MS em junho, indica Observatório da Fiems
- 20 de Julho de 2026 Mercado reduz expectativa de inflação para 5,15% em 2026. Projeções para PIB, dólar e Selic permanecem estáveis
- 20 de Julho de 2026 Prefeitura realiza mutirão de limpeza e dedetização nas escolas da REME durante recesso