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Política

Milei ataca liberdade de imprensa e chama jornalistas de “merdas humanas mentirosas”

Presidente argentino está cada vez mais acossado por escândalos de corrupção, recessão e especulações sobre sua saúde mental.

Ter, 25 Agosto de 2026 | Fonte: Brasil 247


O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar o tom de seus ataques contra a imprensa e passou a defender a possibilidade de punição a jornalistas pela publicação de informações consideradas falsas pelo governo. Em uma nova escalada de seu confronto com os meios de comunicação, Milei chegou a chamar jornalistas de “merdas humanas mentirosas”.

As informações são do jornal argentino Página 12, que relata a ofensiva do presidente e do ministro da Economia, Luis Caputo, em favor de uma legislação destinada a punir jornalistas responsáveis, segundo o governo, pela divulgação de informações falsas.

A iniciativa abre uma nova frente de tensão em torno da liberdade de imprensa na Argentina, em um momento de crescente polarização política e dificuldades enfrentadas pelo governo Milei. O presidente está acossado por denúncias e escândalos de corrupção, pelos efeitos sociais da recessão e por especulações recorrentes no debate público argentino sobre sua saúde mental.

Caputo pede lei para punir jornalistas

A nova controvérsia começou depois que uma publicação nas redes sociais associou Luis Caputo a um grupo empresarial.

O ministro negou categoricamente a informação e reagiu defendendo a criação de mecanismos legais para punir quem divulgasse acusações sem fundamento contra integrantes do governo.

A ideia recebeu rapidamente o apoio de Milei.

O presidente afirmou que determinados jornalistas tratariam a mentira como se fosse um direito e endossou a possibilidade de criação de punições para profissionais da imprensa que publicassem informações consideradas falsas.

“Parece que para certos jornalistas, mentir é um direito adquirido”, afirmou Milei, segundo o Página 12.

A questão central levantada pela proposta é quem teria o poder de determinar o que constitui uma informação falsa, sobretudo quando as reportagens envolvem justamente autoridades públicas e integrantes do governo.

“Merdas humanas mentirosas”

Milei não se limitou a apoiar a proposta apresentada por Caputo.

Em suas redes sociais, o presidente voltou a recorrer à linguagem agressiva que tem caracterizado sua relação com parte da imprensa argentina e chamou jornalistas de “mierdas humanas mentirosas” — “merdas humanas mentirosas”, em português.

Em outra manifestação, também utilizou a expressão “mierdas humanas” ao atacar profissionais da comunicação e acusá-los de divulgar informações falsas sobre questões econômicas e bancárias.

O episódio não é isolado.

Antes mesmo da nova controvérsia envolvendo Caputo, Milei havia reagido agressivamente a uma notícia sobre uma reunião com economistas, recorrendo novamente a insultos contra jornalistas e acusando profissionais da imprensa de mentir deliberadamente sobre seu governo.

Governo quer definir punição para “mentiras”

Milei e Caputo apresentam a proposta como uma forma de responsabilizar jornalistas e meios de comunicação pela divulgação de informações falsas.

O problema é que uma legislação dessa natureza, quando direcionada especificamente à atividade jornalística, pode abrir espaço para mecanismos de intimidação contra profissionais que investigam autoridades públicas.

A imprensa desempenha justamente a função de fiscalizar o poder, investigar possíveis irregularidades e publicar informações de interesse público, inclusive aquelas que governos e autoridades prefeririam que não viessem a público.

Por isso, a possibilidade de o próprio Estado criar instrumentos para punir jornalistas por conteúdos classificados como falsos pelo governo provoca preocupações sobre censura e liberdade de expressão.

Escalada contra a imprensa

Desde que chegou à Presidência, Milei mantém uma relação conflituosa com setores da imprensa argentina.

O presidente utiliza frequentemente as redes sociais para confrontar jornalistas, economistas, intelectuais, artistas e adversários políticos, muitas vezes recorrendo a insultos pessoais.

Agora, porém, o conflito assume outra dimensão.

Ao passar do ataque verbal à defesa de instrumentos legais capazes de punir jornalistas, o governo argentino coloca no centro do debate os limites da atuação estatal sobre a liberdade de imprensa.

A discussão ocorre em um ambiente político marcado por forte polarização e por uma comunicação presidencial baseada no confronto permanente com aqueles que Milei identifica como adversários.

Pressão aumenta sobre Milei

A ofensiva contra a imprensa ocorre também em um momento delicado para o governo argentino.

Milei enfrenta crescente pressão decorrente de denúncias e escândalos de corrupção envolvendo seu entorno político, além das consequências econômicas e sociais de seu programa de austeridade e da recessão que atingiu diferentes setores da economia argentina.

Ao mesmo tempo, o comportamento público do presidente, marcado por sucessivas explosões verbais e ataques pessoais, alimenta especulações no debate público sobre sua saúde mental.

Nesse cenário, o confronto com jornalistas ganha importância política adicional. A imprensa é responsável por investigar e divulgar justamente temas que podem produzir desgaste para o governo, desde indicadores econômicos até denúncias envolvendo autoridades.

Liberdade de imprensa entra no centro do debate

A possibilidade de uma legislação destinada a punir jornalistas por informações consideradas falsas acendeu o debate sobre os riscos de interferência governamental na atividade jornalística.

A responsabilização por eventuais abusos já pode ocorrer pelos mecanismos previstos na legislação, inclusive por meio do direito de resposta e de ações judiciais. Uma legislação especificamente direcionada aos jornalistas, entretanto, pode produzir um efeito intimidatório sobre a cobertura do poder público.

O embate revela também uma contradição no discurso de Milei, que construiu sua trajetória política reivindicando a liberdade individual como um de seus princípios fundamentais, mas agora apoia medidas que podem ampliar a capacidade do Estado de agir contra profissionais da imprensa.

Ao chamar jornalistas de “merdas humanas mentirosas” e apoiar a criação de punições para quem publica informações que seu governo considera falsas, Milei aprofunda um confronto que já deixou de ser apenas retórico.

A questão passa a ser institucional: até onde o governo argentino pretende avançar na tentativa de controlar, constranger ou punir uma imprensa cuja função democrática inclui justamente fiscalizar aqueles que exercem o poder.

Correio de Corumbá

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