Política
PL, de Valdemar, se consolida com a maior bancada, com 101 deputados; PT vem em segundo
Crescimento da sigla foi impulsionado pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro e pela crise no União Brasil.
Seg, 06 Abril de 2026 | Fonte: Brasil 247
O PL encerrou a janela partidária com 101 deputados federais e se consolidou como a maior bancada da Câmara, ampliando sua vantagem sobre o PT, que aparece em segundo lugar. O cenário reforça a reorganização das forças políticas no Congresso às vésperas da disputa presidencial.
Levantamento do jornal O Globo, com base em dados da Câmara dos Deputados e das direções partidárias, mostra que o partido saiu de 86 para 101 parlamentares ao longo do último mês, período em que deputados puderam trocar de legenda sem punições.
O avanço do PL ocorre em meio à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e ao enfraquecimento do União Brasil, que perdeu quadros importantes em diferentes estados. A legenda comandada por Valdemar Costa Neto alcança, assim, seu maior número de deputados desde 1998, quando o então PFL ocupou 105 cadeiras.
Crescimento concentrado na reta final
O crescimento do PL foi acelerado nos últimos dias da janela partidária. Ao todo, foram 22 novas filiações e sete saídas, evidenciando uma estratégia de fortalecimento nos estados para ampliar palanques eleitorais.
Segundo Valdemar Costa Neto, presidente do partido, o principal fator para a expansão foi o alinhamento político em torno do bolsonarismo e da candidatura de Flávio Bolsonaro:
— O que explica isso é o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados —
Entre os nomes que ingressaram na legenda estão Alfredo Gaspar (AL), Dani Cunha (RJ), Rosângela Moro (PR) e Rodrigo Valadares (SE), todos oriundos, em sua maioria, do União Brasil.
Crise no União Brasil favorece migração
A principal fonte de crescimento do PL foi o União Brasil, que enfrenta disputas internas após a formação de uma federação com o PP. A sigla deve registrar uma das maiores perdas da janela, caindo de 59 para 44 deputados, com 25 saídas e apenas dez novas filiações.
Nos bastidores, dirigentes apontam dificuldades de organização nacional e conflitos regionais como fatores que impulsionaram a debandada. O cenário foi agravado por desgastes políticos relacionados a investigações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O deputado Danilo Forte (CE), que deixou o União Brasil rumo ao PSDB, comentou o impacto dessas crises:
— Político vive de reputação. Tudo que é colocado e pode gerar desgaste de imagem afeta. Você vê um mundo de denúncias que está aí hoje, envolvendo inclusive a classe política e é óbvio que podendo evitar proximidade com isso, você vai procurar um grupo em que se sinta mais confortável e que tenha menos que se explicar —
Dinâmica intensa de trocas partidárias
A janela partidária registrou ao menos 120 trocas de legenda, evidenciando a intensa movimentação política no período. Em alguns casos, deputados chegaram a mudar de partido mais de uma vez em poucos dias.
Foi o caso de Padovani (PR), que anunciou saída do União Brasil para o PL, depois deixou o PL e, por fim, decidiu migrar para o PP. Ele resumiu o cenário:
— O processo é muito dinâmico —
Reconfiguração no Senado e no centro político
As mudanças também tiveram impacto no Senado. O União Brasil perdeu nomes relevantes, como Sergio Moro e Efraim Filho, que migraram para o PL. A bancada da sigla caiu de oito para apenas dois senadores.
Já o PP deve crescer de 50 para 54 deputados, enquanto o PSD tende a manter 47 cadeiras. O PSDB, por sua vez, tenta se reerguer após o pior desempenho eleitoral de sua história e pode alcançar 19 parlamentares.
O presidente da legenda, Aécio Neves (MG), afirmou que busca reconstruir um espaço de centro na política brasileira:
— Somos o único partido que não se curvou ao bolsonarismo e ao lulopetismo. Estou buscando resgatar esse sentimento de que é possível furar a polarização e reabrir essa avenida do centro —
PT mantém posição, mas amplia distância
Mesmo à frente do governo federal, o PT não acompanhou o ritmo de crescimento do PL. A legenda perdeu um deputado e passou de 67 para 66 cadeiras, mantendo-se como a segunda maior bancada, porém mais distante da liderança.
A deputada Luizianne Lins (CE) deixou o partido rumo à Rede, enquanto aliados tradicionais, como o PDT, também encolheram — a sigla deve terminar a janela com apenas seis deputados.
No campo governista, o PSB apresentou crescimento, passando de 16 para 20 parlamentares. O presidente da legenda, João Campos, destacou o alinhamento com o governo:
— Fechamos essa janela partidária dando um recado político claro do compromisso com o Brasil e com a reeleição de Lula —
Apesar disso, o quadro geral indica que o governo seguirá dependente de partidos de centro para formar maioria no Congresso, em um cenário político marcado pela polarização e pela reorganização das forças partidárias no país.
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