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Saiba quem é Rodrigo Paz, o novo presidente eleito da Bolívia

Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, político surpreendeu ao vencer as eleições contrariando as pesquisas.

Seg, 20 Outubro de 2025 | Fonte: Brasil 247


Saiba quem é Rodrigo Paz, o novo presidente eleito da Bolívia
Reprodução/Instagram

O senador Rodrigo Paz foi eleito presidente da Bolívia neste domingo, 19, contrariando as principais pesquisas eleitorais que o colocavam fora da disputa entre os favoritos. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. Aos 58 anos, o político rompeu as previsões, alcançou o segundo turno em primeiro lugar e saiu vitorioso com um discurso centrado no combate à corrupção, renovação política e independência em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-1993) e da espanhola Carmen Pereira, Rodrigo nasceu na Espanha, onde sua família estava exilada durante a ditadura militar boliviana (1964-1982). “Na luta de meus pais pela democracia, vivemos em 10 países diferentes”, disse em entrevista à AFP no fim de agosto. Seu pai, que sobreviveu a um acidente aéreo em 1980, é apresentado frequentemente por Paz como símbolo de resistência.

 

Família, formação e trajetória política

Paz cresceu entre Espanha, Argentina, Chile, Peru, Venezuela e Panamá. Formado em Economia e Relações Internacionais, tem mestrado em Gestão Pública pela American University, em Washington. Sua carreira política inclui mandatos como deputado, prefeito e, atualmente, senador por Tarija, região rica em gás e petróleo.

A família tem forte tradição política e histórica: seu tio Néstor Paz foi guerrilheiro, morto de inanição após um combate, e seu tio-avô Víctor Paz Estenssoro foi quatro vezes presidente e responsável pelo voto universal e pela reforma agrária. Nas redes sociais, Rodrigo frequentemente aparece ao lado do pai, Jaime Paz, hoje com 86 anos.

Campanha simples, mensagem direta e ascensão inesperada

A candidatura de Rodrigo Paz começou sem grande estrutura e com baixa presença nos debates. No primeiro turno, sequer foi convidado para confrontos entre os principais candidatos. Para marcar presença, apoiadores levaram cartazes às transmissões televisivas lembrando que ele também estava na disputa.

Apesar da exclusão, sua campanha ganhou força com estratégias de proximidade, caminhadas por mercados populares e forte atuação digital. A atenção também recaiu sobre seu vice, Edman Lara, ex-policial conhecido por denúncias de corrupção dentro da corporação. Lara foi afastado da polícia em 2024 por “faltas graves”.

As pesquisas o colocavam entre o terceiro e quinto lugar uma semana antes da votação, mas ele liderou o primeiro turno e consolidou a virada no segundo.

Propostas: combate à corrupção e “capitalismo para todos”

Rodrigo Paz ganhou apoio popular ao prometer “varrer a corrupção” e enfrentar a crise econômica — a mais grave em quatro décadas — sem recorrer ao FMI. “Não vou pedir dinheiro ao Fundo Monetário Internacional. Na Bolívia, se não roubarem, o suficiente aparece”, afirmou à rádio Erbol. Ele também acusou o governo do presidente Luis Arce de “se render” diante da escassez de combustíveis.

Entre suas principais propostas estão:

  • “Capitalismo para todos”: acesso a crédito para jovens empreendedores e incentivos fiscais em parceria com o setor privado;
  • Recusa ao FMI como saída para a crise;
  • Planos de moralização do Estado e combate às redes de corrupção;
  • Valorização da economia local e apoio ao setor produtivo.

Quando questionado sobre ideologia, respondeu à CNN: “Não tenho por que me definir, e sim oferecer ao país uma alternativa”.

Leitura política: voto de renovação e rejeição ao MAS

Analistas afirmam que a vitória de Paz expressa o cansaço popular com o Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo Morales e Luis Arce. “Havia um voto popular de descontentamento que não queria o partido governista, e Rodrigo conseguiu canalizar esse voto”, disse o analista Carlos Saavedra. Para a analista Ximena Costa, “Rodrigo Paz representa um voto de renovação. Ele não se dedicou a brigar com adversários, mas sim a apresentar propostas”.

Correio de Corumbá

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