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Ahmad Schabib Hany

'SOMOS TODOS NOVE DEDOS'

Sáb, 24 Outubro de 2026 | Fonte: Ahmad Schabib Hany


Em clima de festa, eleitores de Lula em todo o Brasil, depois do debate, subiram a hashtag 'somos todos nove dedos', para denunciar a falta de respeito do senador insensível, preconceituoso e desconhecedor da realidade brasileira.
 
'SOMOS TODOS NOVE DEDOS'Está vendo a arte feita por Bia? Com sensibilidade, estilo e muito talento, ela ilustrou nossa autêntica identidade. Bia é artista plástica, tem formação de bióloga e há alguns anos vem criando várias personagens. Recentemente ela organizou uma gibiteca e uma biblioteca para estimular o gosto pela leitura em Corumbá.
 
'Somos todos nove dedos'. Foi como Bia transformou um ato preconceituoso em uma identidade. Ao mesmo tempo, outros jovens, como ela, também em clima de festa, subiram a hashtag com manifestação impensada do filho do capitão, garoto mimado que nunca trabalhou, foi funcionário fantasma; não conhece o SUS, mas quer sua privatização; defende uma tal 'meritocracia', mas na verdade tudo que conquistou foi presente do pai com dinheiro público.
 
Na sexta-feira, no debate da 'vênus platinada' (em cuja sede o filho do capitão almoçou com os filhos do patrão), que não atingiu os esperados números do ex-ibope, o esquema global não só engessou o encontro, tornou longo e monótono, uma das maneiras encontradas pelos donos da emissora para 'contribuir' com o seu candidato-denorex, aquele que parece mas não é.
 
Uma fotógrafa genial, conseguiu fotografar a pasta transparente cheia de papéis e anotações a mão, em que apareciam em letras garrafais diversas vezes as palavras 'estadista', 'estadista', 'estadista' -- não em relação a Lula, mas para que ele não esquecesse seu 'script' e não repetisse o vexame que deu no debate da Bandeirantes, do qual se saiu terrivelmente desmascarado.
 
Mas não tem jeito. Nem com os melhores 'adestradores' ele dá uma dentro. Não é que acabou dando seu show a parte e falando o que não devia? Pois o 'Zero hummm' não se conteve, apesar de, no primeiro bloco, ter bancado o bom-moço. Já no segundo, no momento em que seu verdadeiro caráter sai de controle, não resiste e chama Lula de 'nove dedos'. Pior, no bloco seguinte, o terceiro, pediu 'desculpas' ante o ar de desaprovação que causou no estúdio e entre os telespectadores. Não adiantou o pedido, pois bombou nas redes...
 
Crava a faca e depois pede desculpas como que nada tivesse causado. Você teria coragem de entregar a Presidência da República a um ser mal-educado, atrevido, descontrolado, etarista, agressivo e nada respeitoso como Tariflávio Bolsomaster com Lula que, gostando ou não, é uma pessoa com deficiência? Perdeu o dedo quando, jovem torneiro-mecânico, se acidentou e foi a um pronto-socorro público, perto da fábrica, e o plantonista achou por bem amputar o dedo, em vez de restaurá-lo. Senador da República há quase oito anos e deputado estadual por vinte anos, pelo visto não leu a legislação que trata das pessoas com deficiência, sua não observação por agente público é passível de punição. Atitude de perfeito miliciano. Deus e Nossa Senhora Aparecida nos livrem de um ser desnaturado dessa índole...
 
E foi pior no bloco seguinte, o terceiro, em que fingiu que se sensibilizava com a Mãe de Ana Clara (mas não olhou para ela, que estava na plateia, e sequer pediu desculpas), a quem chamou pelo nome da filha assassinada (a menina, vítima de duas balas de fuzil de um policial que, identificado, alegou haver-se tratado de bala perdida em enfrentamento com criminosos, no entanto a vizinhança testemunhou o contrário), e o rábula de milicianos se prontificou a defender o assassino 'de graça'. Na verdade, permuta de serviço, troca de favor ou até 'encontro contábil', vá lá saber...
 
Experiente, Lula chamou Tariflávio de alguém que decora o conteúdo mas não conhece a realidade. Com tanto tempo na vida pública (23 anos só de mandatos parlamentares), mas revelou que não entende efetiva e absolutamente nada de Dívida Pública (que é relacionada ao PIB, e não programar pagamento, pois vem de muitos governos e é 'rolada' mediante negociação com a taxa de crescimento do PIB), simples assim. Mas ele não hesita em soltar impunemente o que lhe vem à cabeça.
 
BRASIL SE REENCONTRA NA DEMOCRACIA
Sim, o Brasil se reencontra na democracia. E também o Brasil se reencontra com a democracia. Os que têm mais idade entenderão e se lembrarão do ápice das mobilizações das 'Diretas Já', que culminaram nos inevitáveis comícios 'Tancredo Já', cuja eleição acabou com 21 anos de ditadura, censura e falta de liberdade. Essa liberdade é que temos que defender, e por ela temos que votar.
 
Este segundo turno representa o revigoramento do sentimento republicano na defesa de dois valores que estão acima de qualquer posição ideológica ou política: a manutenção do Estado Democrático de Direito e o fortalecimento da soberania em suas várias dimensões, mais ampla daquilo que se conhece no dia-a-dia, coloquialmente. Portanto, além da soberania nacional, trata-se da soberania popular, territorial, econômica, social, cultural, linguística, científica, tecnológica, ambiental, hídrica, florística, faunística e mineral.
 
Diversos representantes do centro e da direita não bolsonarista, sabendo do risco que representa para a nação, para o Estado soberano e, sobretudo, para a população como um todo um governo que age por impulso, feito biruta de aeroporto, chefiado por um miliciano desmascarado inúmeras vezes, estão declarando seu voto ao presidente Lula e ao vice Alckmin.
 
Responsabilidade a toda prova, sem lugar a titubeios e vaidades. Estamos ante um projeto de poder cuja elaboração, financiamento e execução, desde Washington, Miami e Nova York, foi resultado da aliança estratégica dos bilionários das bigtechs, das oligarquias financeiras, das empresas de energia, da poderosa indústria bélica e do crime organizado em escala global sob comando das famílias Trump, Netanyahu e agregados. E a participação de serviçais como Marco Rubio, Brad Parscale, Fernando Cerimedo, Javier Negre e Damián Merlo Debernardi, entre outros 'gusanos' que venderam a alma para o diabo laranja e de todas as cores.
 
Depois do fiasco do golpe (malsucedido por incompetência colossal), o 'Zero-Dois' (Eduardo) se fingiu de perseguido e fugiu para os EUA. Além de se livrar do processo no STF por crimes em que estava envolvido, foi trabalhar contra os interesses do Brasil e do povo brasileiro. É ele que fez a intermediação da entrega da soberania nacional para Trump e todos seus sócios nessa trama. A 'dinastia' Bolsomaster já sabia que estava com os dias contados: após a falta de capacidade de governar por quatro longuíssimos anos (nunca um mandato presidencial foi tão catastrófico e demorado de terminar), a direita já estava farta de ter os três patetas e o pai-pai atrapalhando a vida de todos.
 
O bolsonarismo sequestrou a direita, usou méritos históricos para se apropriar de seu capital político enquanto corrente de pensamento que historicamente tem um legado indiscutível. Mas essa direita, para começar, não se sente representada por Flávio, reconhecidamente imprevisível e mau-caráter, com o qual não dá para negociar, pior que o pai. Isso é o bolsonarismo, que se restringe a uma família de desmiolados e recalcados, sem qualquer pingo de educação, comedimento e empatia.
 
Por essa razão os mais conhecidos representantes da direita não bolsonarista preferem mais quatro anos de Lula, que para eles é previsível, sobretudo por conta de sua bancada ter ficado acuada pelo crescimento dos parlamentares direitistas e bolsonaristas nas duas casas do Congresso Nacional. A reação espontânea de bolsonaristas, a começar pelos próprios filhos do inominável tão logo tiveram o resultado do primeiro turno, acendeu o sinal de alerta para eles. Ruim com Lula, pior sem ele, pois agora têm quatro anos para preparar o terreno para vencer os filhos Flávio, Eduardo, Carlos e Jair Renan, além de Michele, as peças do Bolsonaro preso por tentativa de golpe e magnicídio (assassinado de presidente e vice-presidente da República e presidente do Tribunal Superior Eleitoral).
 
A História, como a Vida, é de uma força didática e generosa. Depois do susto ante o risco de, não apenas o Brasil, mas a humanidade toda se tornar refém da cobiça sem fim dos que se creem donos do mundo e do cinismo da trupe sem dissimulo dos serviçais entreguistas que, diante de todos, ameaçam a democracia e a soberania com o acinte de mudar a constituição ao bel prazer por terem conseguido número maior de cadeiras e permitir que um governo estrangeiro -- o dos Estados Unidos na testa -- crave suas garras sobre as riquezas cobiçadas deste país-continente.
 
Correio de Corumbá

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