Rosildo Barcellos
SER PROFESSOR !
Sáb, 21 Março de 2026 | Fonte: Rosildo Barcellos
Falar sobre Educação de Jovens e Adultos (EJA) é falar sobre possibilidades e impossibilidades. É falar sobre lutas, desigualdades, esperanças e vidas que se cruzam entre a juventude e a maturidade. Quando se pensa em EJA é necessário pensar em histórias de vidas, cultura, trocas, pois os estudantes da EJA possuem vivências de trabalho, famílias, filhos e muito a compartilhar. Em momentos de conversas, aulas e interação é possível conhecer essas histórias, saber o que motiva cada pessoa a lutar, a continuar, a ter sonhos e a buscar realizações que estão, em boa parte das vezes, para muito além de motivos financeiros ou de trabalho. São histórias preciosas, teias de relações, culturas, saberes e Arte. Cultura e Arte: alimentos da vida!
Numa concepção observativa a EJA emerge como uma resposta a uma restrita dívida social não reparada para com os que não tiveram acesso a e nem domínio da escrita e leitura de bens sociais, na escola ou fora dela, e a EJA é uma oportunidade para ofertar gratuitamente aos jovens e adultos, em qualquer época da vida, os estudos correspondentes.
Assim, dentre as mais diversas possibilidades de trabalho para desenvolver o sujeito/aluno nas suas potencialidades, abordaremos, a partir de agora, a importância da cultura e da arte na EJA, para a promoção de um desenvolvimento integral e libertador, que possibilite um (re)conhecimento de si, das necessidades e realizações mais assertivas no que tange à participação no mundo como um ser ativo e social.
Desta feita amplia-se a possibilidade de promover a criticidade e a autonomia, com práticas pedagógicas que sejam mais democráticas e que estimulem o olhar sensível e atento para os problemas da sociedade até então silenciados para que, assim, após essa tomada, ainda que lenta, de consciência, esses sujeitos possam efetivamente dar voz às desigualdades e conflitos sociais, com o intuito de mudanças por meio de (re)construções teóricas e práticas. na arte e na vida, memória e história são personagens do mesmo cenário temporal, cada uma a seu modo. A projeção metafórica é o meio pelo qual o pensamento abstrato aparece . Eu por exemplo, fundamentei a minha tese de mestrado a utilização do jornal impresso como metodo pedagógico de aprendizagem para a EJA. A imaginação é necessária para entender que a imagem visual ou a estrutura verbal não são literais, mas sim incorporações de significados a serem percebidos em outra perspectiva. é necessário, em um contexto de saberes disfarçados, dispersos, dilacerados, fragmentados, que se recupere a memória coletiva, social e histórica . E isso o jornal impresso faz muito bem. Além de toda uma credibilidade que as redes sociais não tem. Posso afirmar, pela minha experiência de três décadas em sala de aula, que um professor pode e deve ser um criador de perceptos, da arte de ensinar, de despertar, no outro, possibilidades diferentes daquelas que já existem, e que talvez nunca tenham sido sequer cogitadas, ou materializadas.
E esse é o ponto! Arte se aprende e se constrói. É parte da cultura. Criar, experimentar, apreciar e refletir sobre o que se vê e o que se cria sobre o mundo, são importantes atividades que fortalecem o escopo cultural das pessoas. Alunos de EJA criam cultura, fazem Arte, possuem ricas histórias de vida, EJA, Cultura e Arte, saberes que se entrelaçam, áreas que se completam, diálogos que se delineiam.
* Articulista
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